140 - Alergias
Fala-se muito em alergias, mas o que são, exatamente? Pois bem, são respostas exageradas do nosso sistema imunitário a substâncias, os chamados alergénios, normalmente inofensivas. Podem dever-se a fatores genéticos, aparecendo, então, quase sempre na infância, ou ambientais – neste caso surgem, muitas vezes na idade adulta ou, até, numa época bem avançada da vida.
Existe, até, a ideia de que há, agora, muito mais pessoas com alergias. Para além do facto de se falar mais no assunto e de se fazerem mais testes, há razões válidas para que isso esteja a acontecer, nomeadamente mudanças no nosso estilo de vida e no mundo em que vivemos.
Por exemplo: alterações na alimentação, com a inclusão de mais conservantes e aditivos; stress, responsável, dizem, por certas reações alérgicas, sobretudo na pele; poluição ambiente, sobretudo a presença de vários alergénios no local de trabalho; e, curiosamente, excesso de limpeza desde novos, ou seja, pouco contacto com “sujidade”, o que leva o nosso sistema imunitário a não se treinar com agentes patogénicos reais, acabando por reagir a substâncias inócuas.
A gravidade dos sintomas varia imenso de pessoa para pessoa, mas há que estar atento e reconhecê-los uma vez que podem ter, nalguns casos, um desfecho grave ou fatal, como bem sabemos de filmes e séries televisivas – a célebre epinefrina injetável que os muito alérgicos trazem consigo.
Mas a verdadeira razão deste post está em os idosos serem mais suscetíveis ao aparecimento tardio de certas alergias e, como em muitas outras coisas, porque as suas consequências poderem ser bem piores. E faz todo o sentido uma vez que o sistema imunitário vai ficado mais debilitado, há alterações hormonais, um maior consumo de medicamentos e passam mais tempo fechados em casa, sujeitos a poeiras e ácaros. Isto para não falar de fatores emocionais.
As alergias mais comuns em quem vai para novo são as seguintes:
- Respiratórias. Entre elas a rinite alérgica e a asma. De um modo geral, surgem tosses que não passam, espirros, entupimento nasal, “impressões” na garganta e, até, falta de ar. Pequeno detalhe, a rinite assemelha-se a uma constipação, mas inclui, também, comichão no nariz, olhos e garganta.
- Oculares. Os nossos olhos vão ficando mais secos com o passar dos anos e suscetíveis a todo o tipo de inflamações, como conjuntivites, olhos vermelhos, lacrimejar. Muitas vezes, o uso de gotas ajuda a minorar o problema.
- Dermatológicas. Com a idade, a pele fica mais fina e seca, perdendo algumas das suas camadas protetoras. E uma alergia pode piorar imenso a situação com o surgimento de comichões e pele avermelhada. O pior é que, coçando as zonas afetadas, é fácil criar pequenas feridas que facilitam ainda mais a entrada dos alergénios.
- Alimentares. Uma das mais comuns é a pessoa tornar-se intolerante à lactose. É compreensível, uma vez que a produção da lactase, a enzima que a digere, pode diminuir com a idade. Outro fator contributivo pode ser a anemia, bastante frequente em idosos. Os sintomas que, repito, podem ser leves ou graves, surgem, em geral 10 minutos a duas horas depois da ingestão. E este é um daqueles casos em que dizer, “mas eu sempre comi isso sem problemas” não ajuda.
- Medicamentosas. Com a idade aumenta a toma de medicamentos, podendo vir a lume alergias que nem sabíamos que tínhamos, como a certos anti-histamínicos, quer pela sua toma individual que pela combinação de vários. Daí a recomendação de nunca tomar medicamentos não receitados e, numa ida ao médico, indicar o que toma adicionalmente, como suplementos alimentares, para garantir que não haverá incompatibilidades e reações alérgicas.
Só testes podem determinar, com toda a certeza, se somos alérgicos e a quê, mas se tiver sempre o mesmo tipo de reação quando come certas coisas, por exemplo – o célebre “cai-me mal” – ou se anda sempre com a pele e os olhos irritados, sem razão aparente, não custa tomar algumas medidas para ver se isso melhora. E se não melhorar, consulte um especialista.
Por exemplo, se passou a não se sentir bem quando bebe leite, não o evite, simplesmente, experimente um leite sem lactose – se lhe “cair bem”, problema resolvido. E o mesmo com outros alimentos ou combinações deles. É que o facto de nunca ter tido problemas não significa que as coisas não tenham mudado com a idade.
Já agora, se descobrir que é alérgico a um determinado alimento, não se esqueça que este poderá estar “oculto” noutros, daí a célebre frase em tudo e mais alguma coisa, “Pode conter vestígios de amendoins”, uma vez que esta é uma das alergias mais espalhadas e uma das que pode ter piores consequências.
Ácaros e pó são responsáveis por muitas alergias respiratórias. Tente, pois, manter a sua casa limpa e aspirada. Já agora, se tem problemas, evite carpetes e tapetes, podem tornar-se umas autênticas ratoeiras de poeiras.
Outros cuidados que pode ter para evitar, sobretudo, problemas alérgicos na pele, incluem:
- Mudar a roupa da cama pelo menos uma vez por semana. E, se tem problemas respiratórios, pense em mudar as fronhas mais vezes.
- Mudar frequentemente a roupa que usa e estudar a reação aos vários tipos de tecidos – e não me refiro só a sintéticos, eu, por exemplo, não posso usar nada com um elevado teor em lã!
- Dar preferência a sabonetes ou gel de banho adequados a peles mais sensíveis e evitar os fortemente perfumados.
- Experimentar detergentes para roupa e amaciadores mais neutros ou, até, hipoalérgicos e evitar os fortemente perfumados.
- Se começou a ter alergias respiratórias, para além da limpeza da casa veja se alterar os produtos de limpeza que usa ajuda. É que há cheiros que podem começar a despoletar uma reação adversa a partir de uma certa idade.
- Tente arejar a casa pelo menos uma hora por dia.
- O uso de óculos de sol quando sai pode proteger os olhos de agentes transportados pelo ar.
Para a semana: Mudar o paradigma. É mais do que altura de mudar o modo como vemos a vida dos idosos