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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

74 - Comecemos bem!

Como ainda estão mais do que a tempo de fazer as célebres resoluções de Ano Novo, recomendo a releitura, ou leitura, do meu post de há um ano, Resoluções de Ano Novo, que contém algumas dicas para evitar ter uma lista enorme que fica totalmente, ou quase, no papel. Acreditam, sei bem o que isso é.

Mas como o mais provável é só lerem este post já no início do ano, irei falar sobretudo de começar 2024 como gostaríamos de o continuar até ao fim.

Para começar, aqui vai uma pequena confissão. Sei que o costume mais usual em Portugal é usar pelo menos uma peça de roupa nova no primeiro dia do ano, mas eu criei para mim mesma uma outra tradição. É muito simples, mas ajuda-me a enfrentar de outro modo o início de um novo ciclo, pelo menos de acordo com o calendário.

Vamos a ela.

No dia 1 de janeiro faço sempre um bocadinho de tudo o que gostaria de fazer nesse ano. Explicando melhor, tento incluir nessas 24 horas um pouco de exercício (é sempre uma das minhas resoluções), um miminho (ver o post Miminhos), algo que esteja a estudar ou que tencione aprender no novo ano, cuidados pessoais e, até, um bocadinho de trabalho, uma vez que ainda não sou uma pessoa de lazer total, apesar de já ter idade para isso.

Resumindo, tento que o primeiro dia do ano seja um microcosmos das atividades que sei que vou ter durante os 364 dias seguintes – bom, 365 este ano, que é bissexto – e, também, as que gostaria de começar a fazer.

A ideia básica aqui é simples, tem a ver não só com começar bem para bem continuar mas também com a ideia de que, se eu der uns passinhos logo neste dia, que é tradicionalmente de pausa, será bem mais fácil continuar a dá-los nos dias seguintes.

Bem sei que a tentação é adiar para o dia seguinte, sobretudo se nos deitámos tarde para viver a meia-noite ou se, para além disso, temos algum almoço marcado com família e amigos. Mas acreditem, vale bem a pena fazer um pequeno esforço, será depois bem mais fácil mantê-lo.

Já agora, que tal tomar um tipo de resoluções diferentes? É que o usual é pormos na nossa listinha, quer esta seja física ou não, coisas que têm a ver com o nosso bem-estar e felicidade ou com a nossa evolução como seres humanos – aprender algo, viajar...

Mas não acham que seria boa ideia passar a incluir coisas como, “Uma vez por semana (escolher o dia) pensarei muito a sério num tema da atualidade, procurando informar-me como deve ser sobre o assunto para não ter de me limitar a seguir cegamente opiniões de terceiros.”

Ou, “Uma vez por dia – ou por semana – pensarei em algum acontecimento da minha vida, mas apenas para tirar dele algumas conclusões para o futuro, sejam elas boas ou más.”

Até podem seguir uma moda muito atual, que é arranjar um livro de citações ou de pensamentos e ler um por dia (ou por semana). Mas não ler a despachar, a  ideia será entender realmente essa frase (ou frases) e, de preferência, tentar aplicá-la à vossa vida. Podem escolher um que tenha numerosos citados ou apenas um – tenho, por exemplo, um do Dalai Lama, com 365 meditações quotidianas, que já li várias vezes, sempre uma por dia, claro, e onde encontro sempre algum significado novo.

Mas não faltam versões deste tipo de livro e para todos os gostos e feitios, como se costuma dizer. Seria um modo fácil de alimentar o vosso lado mais espiritual.

Para quem não se disponha a reler (ou ler) o post do ano passado, a grande ênfase é não fazer uma lista de resoluções. Pois, parece contraditório, mas o que eu aconselho é tomar apenas duas para o mês de janeiro, sendo uma delas para melhorar algo que sabemos que não devíamos fazer, como perder a calma por tudo e por nada, e a outra em termos de melhorar algo na nossa vida ou pessoa. Mais ainda, evitar resoluções genéricas, quanto mais específicas forem, mais fáceis serão de seguir.

Só mais uma coisa. Dá-se uma grande ênfase a datas como esta, com a consequência indesejável de se passar o resto do ano a deixar correr o marfim, como se costumava dizer. Pior ainda, se em meados de janeiro ainda não tivermos feito nada da tal lista de resoluções, tira-se rapidamente a conclusão de “já não vale a pena, para o ano volto a tentar.”

Não digo que se transformem todos os dias do ano em Ano Novo, mas que tal fazer uma Passagem de Ano no dia 1 de cada mês? Assim, em vez de vermos um período enorme pela frente, o que pode ser desencorajador, só teremos, no máximo, 31 dias! E com as tais duas resoluções por mês, bom, será muito mais fácil chegarmos ao final de 2024 tendo cumprido algumas delas...

Enfim, são só algumas ideias que gosto de usar na minha vida pessoal. O mais importante é tentar abandonar a atitude, infelizmente bastante comum entre quem vai para novo, de, “Pois, mais um ano, e depois?”, tudo isto dito com um grande ar de enfado e de desalento.

Lembrem-se, independentemente das nossas condições de saúde ou financeiras, é importante encontrar algo de bom na vida que levamos, algo que nos entusiasme. É que os anos passam à mesma, quer os vivamos a sério ou não, por isso, mais vale ir aproveitando a vida!

Feliz 2024! E boas – e viáveis – resoluções...

Para a semana: Pensemos no frio Cuidados a ter e como começar a apreciá-lo em vez de temê-lo

22 - Resoluções de Ano Novo

Este será o último post deste blogue em 2022, é pois apropriado falar de algo que, de um modo geral, todos fazemos nesta época do ano. Refiro-me, claro, às célebres resoluções de Ano Novo e que lhes acontece usualmente...

Mesmo quem não liga muito à vida acaba por sentir uma pequenina dose de energia adicional com a aproximação de mais um ano. É humano, todos gostamos de começos, há sempre aquela sensação de coisa nova, a ideia de que sim, desta vez vai ser diferente.

Infelizmente, tudo isso costuma durar apenas uns dias ou, até, umas meras horas, desaparecendo sem deixar rasto durante um ano inteirinho.

Pois bem, neste post, que é mais genérico, proporei algumas técnicas, digamos, para que desta vez tudo se passe de outro modo. Mas não se preocupe, é tudo muito fácil.

Para começar, façamos algo que as televisões costumam fazer durante estes dias entre Natal e Ano Novo, uma recapitulação do que se passou durante o ano que está a chegar ao fim.

Para ser mais eficaz, sugiro que pegue em papel e numa caneta – ou lápis, o que lhe der mais jeito – e comece a fazer uma lista dos pontos principais, bons e maus, deste seu ano. Mas não uma lista à toa. Passo a explicar.

A ideia é dividir os eventos em duas colunas – ou duas folhas. Numa delas, pôr coisas totalmente fora do nosso controle e na outra, as que, de certo modo, dependeram de nós.

Por exemplo, uma doença, a morte de um familiar ou amigo, um desastre, tudo isso vai para a primeira lista. Mas zangas, falta de convívio, gastos excessivos, uma viagem, tudo isso pertence à segunda.

Poderá parecer, à primeira vista, que a lista “não fui eu” é tempo perdido, mas não. A ideia aqui é ver as coisas más que aconteceram e no fim dizer, “Uau, sobrevivi a isto”.

Mas a segunda lista é a mais importante para as tais resoluções. Uma vez feita ou, pelo menos, bastante composta, tente agrupar os seus itens de acordo com a sua natureza. Por exemplo, discussões com amigos, quezílias com vizinhos; passeios, mesmo curtos, viagens e isso; e assim por diante.

E começará, certamente, a notar certos temas que se repetem vezes sem fim, sejam bons, sejam maus...

O que nos leva às resoluções. Fazemos, quase sempre, uma enorme lista, cheia de grandes mudanças e coisas fenomenais. Com sorte, algumas coisinhas ainda se aguentam uns dias ou semanas. Mas a maioria, bom, nem passa do papel onde foram escritas.

O grande problema é precisamente esse, almejar “em grande”, ou antes, demasiado em grande. Alie-se a isso o muito popular síndrome do tudo ou nada e temos algo condenado à partida.

Pois bem, o que proponho aqui é algo totalmente diferente. Em vez de uma lista para o ano todo, só duas resoluções para o mês de janeiro. E mais duas em fevereiro e assim por diante.

E porquê duas, perguntarão? É aí que entra a listinha.

Uma das resoluções mensais será, precisamente, corrigir algo que nos corre mal e de que temos grandes culpas no cartório. Mas nada de generalidades, tipo, passar a dar-me bem com os vizinhos. Não! Objetivos pequenos. Por exemplo, tentar criar uma relação melhor com a vizinha Fulana. Ou tentar não armar banzé quando sou mal atendida no café X, procurar, sim, um outro modo de expressar a minha crítica.

Estão a ver? Passinhos de bebé...

A outra resolução vem das coisas que lhe deram prazer este ano. Mas não se fique por mais do mesmo, tente encontrar algo novo que pense que lhe possa trazer a mesma alegria e satisfação.

Já agora, se afinal descobrir que não é bem algo que lhe agrade, pode sempre desistir – mas isto é bem diferente de nem sequer tentar.

Tentando ligar tudo isto ao que tenho dito em posts anteriores, aqui vão algumas sugestões para quem vai para novo.

Se tem uma vida muito isolada e solitária, faça um esforço para sair de vez em quando – mais uma vez, nada de projetos megalómanos, basta uma volta semanal pela sua zona, por exemplo. Ou fazer um esforço para conviver um pouco mais.

Na área da alimentação, pode, por exemplo, tentar uma refeição saudável uma vez por semana. Não é nada do outro mundo mas verá que, aos poucos, um dia passa a dois e dois a...

O mesmo com exercício. Basta pensar em andar um niquinho mais do que faz habitualmente. Ou experimentar aquela aula de ginástica para não muito novos de que tem ouvido falar.

Cuidados pessoais? Simples, escolha um dia por semana para se mimar, cuidar da pele, etc. Ou programe uma ida mensal ao cabeleireiro, se nunca, ou raramente, lá põe os pés.

E assim por diante.

A ideia básica aqui é começar “de mansinho”, com pouquíssimos objetivos viáveis. E depois, mês a mês, ir aumentando o que faz.

Verá, quando chegar ao fim do ano, as resoluções cumpridas serão bem mais do que as que poria na célebre lista anual. E com a grande vantagem de que se concretizaram mesmo.

Enfim, por hoje é tudo, desejo a todos um bom fim de 2022 e um 2023 ainda melhor. E lembre-se, desde que haja vida, muito pouco é irremediável.

Para a semana: Quedas e outros perigos. Todos estamos sujeitos a situações perigosas, mas são mais graves se vamos para novos...