Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.
Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.
Como o próprio título indica, não é a primeira vez que falo deste assunto. Fi-lo, precisamente, em Mezinhas caseiras, em que indiquei alguns modos alternativos de lidar com um nariz entupido, tosse, azia, dores de cabeça e ainda dores nas articulações.
Como então referi, nada tenho contra a chamada medicina convencional, mas às vezes é bom poder tratar maleitas temporárias sem aumentar ainda mais a carga medicamentosa que quem vai para novo tem, habitualmente, com consequências nem sempre muito boas para o sistema digestivo e não só. Mais ainda, a ênfase aqui está em “temporário”, ou seja, se os sintomas persistirem é altura de tentar uma consulta médica uma vez que poderão indiciar problemas mais graves.
Último detalhe, todas as soluções propostas utilizam ingredientes que já temos, na sua maior parte, em casa.
Neste post irei falar de Prisão de Ventre, Diarreia, Enxaquecas e, como é verão, como minorar as consequências de um escaldão.
Começo por algo que afeta muitos dos que vão para novos, a Prisão de Ventre. Sim, há todo o tipo de produtos à venda, o problema é que a sua toma frequente causa habituação e vão, gradualmente, perdendo a sua eficácia. Há, no entanto, alguns sumos fáceis de fazer – basta meter tudo num liquidificador – que podem ajudar imenso neste tipo de situação. Vejamos alguns:
- Para regularização dos intestinos, sumo de uva, pera e linhaça: 1 copo de sumo de uvas com grainha, 1 pera com casca, 1 colher de sopa de linhaça / sementes de chia ou de girassol; bater tudo e beber logo; tomar em jejum, diariamente de início mas, à medida que começar a ver alguma regularização, reduzir para dias intercalados e depois para apenas 2 vezes por semana.
- Para “emergências”, sumo de maçã e azeite: 1 maçã com casca, meio copo de água, azeite: bater a maçã com a água, encher um copo até meio com o sumo resultante e acabar de encher com azeite; misturar e beber antes de dormir; usar 2 dias, no máximo.
Passemos agora à maleita oposta, a Diarreia – infelizmente, muitas pessoas oscilam entre as duas, sobretudo quando usam com grande frequência produtos para acabar com a prisão de ventre.
- Para parar a diarreia, xarope de cenoura e maçã: ½ cenoura ralada, ½ maçã raspada, ¼ de chávena de mel: ferver tudo em banho-maria cerca de 30 minutos em lume baixo, esfriar e guardar num frasco limpo e com tampa; tomar 2 colheres por dia enquanto durar a diarreia; dura um mês no frigorífico.
- Para ajudar a evitar a desidratação, uma consequência inevitável deste mal, e aliviar a diarreia, água de arroz: cozer 30 gramas de arroz em 1 litro de água, com a panela tapada e em lume brando; coar para separar a água; pode juntar-lhe açúcar ou mel e beber um copo várias vezes por dia.
Passemos a outro mal que aflige muita gente, a Enxaqueca. E lembro que esta é um tipo muito específico de dor de cabeça, sendo caracterizada por dores intensas, pulsantes, quase sempre em apenas um dos lados da cabeça, e que pode também ser acompanhada de vómitos, náuseas e sensibilidade aguda à luz e a sons.
- Há diversos chás que ajudam a minorar os sintomas de uma enxaqueca. Por exemplo, chá de camomila: 2 saquetas em 1 litro de água a ferver, deixar 15 minutos antes de beber. Ou chá de curcuma: misturar 2 colheres de curcuma em pó com 1 colher de sopa de chá verde em 500 ml de água quente, espere 10 minutos, coe; dá ainda mais efeito se adicionar uma colher de chá de pimenta rosa em grão durante a infusão. Ou o chá de gengibre, que já referi muitas vezes noutros posts: 500 ml de água e 25 g da raiz fresca, esperar 15 minutos.
- Já agora, se usa medicamentos para as dores de cabeça, tome-os com café, a cafeína aumenta a sua eficiência.
E como estamos no verão e, apesar de todas as recomendações, nunca estamos livres de apanhar um Escaldão, aqui vão algumas recomendações para minorar o incómodo que causa. Atenção, é mesmo minorar os seus efeitos, é que não há cura para um escaldão exceto o passar do tempo.
- Iogurte natural. Arrefece a pele, acalmando-a. Aplique-o nas zonas afetadas e deixe-o ficar até que seque. Depois passe por água morna e coloque um creme hidratante – atenção, nada de cremes perfumados, um bom creme gordo é o ideal.
- Mel. É usado há séculos para este fim e, para além de aliviar os sintomas ajuda também a acelerar a cicatrização, se for caso disso, e a evitar infeções se a pele tiver sido comprometida. Pode dilui-lo para ser mais fácil de aplicar nas zonas afetadas.
- Chá preto: o seu teor em ácido tânico ajuda a restaurar a pele. Faça uma infusão forte com saquetas do chá e junte-lhe, se puder, umas folhas de hortelã. Deixe esfriar – guarde-a até no frigorífico, se estiver fria a sensação será ainda melhor – e aplique sobre a pele afetada com a ajuda de discos de algodão.
- Para quem gosta de banhos de imersão, aqui vai um: juntar meia chávena de bicarbonato de sódio a uma banheira de água morna / fria (a água quente não é indicada para quem sofreu um escaldão) e meter-se nela cerca de meia hora. E ao sair, deixar que seja o ar ambiente a secar a pele.
Para a semana:Tanto calor, nem apetece comer! Algumas sugestões para manter uma alimentação nutritiva quando o calor aperta.
À semelhança da incontinência – e sexo – este é um assunto quase tabu, apesar de afetar muita gente de todas as idades. Refiro-me, claro, à comezinha prisão de ventre de que já todos sofremos em menor ou maior escala.
Começo por dizer que a chamada “regularidade” não é igual para toda a gente, ou seja, há quem o faça diariamente, outros, nem por isso. É, pois, uma daquelas situações em que cada caso é um caso e só se pode falar de prisão de ventre quando a nossa regularidade se altera de forma marcada e, sobretudo, se vier acompanhada de cólicas e / ou obriga a um grande esforço físico.
Mas a definição “oficial” é que uma pessoa sofre de obstipação se tem menos de 2 a 3 movimentos intestinais por semana.
Convém, também, recordar que a obstipação não é uma doença, é apenas um sintoma. Mesmo assim, costuma surgir, muitas vezes pela primeira vez, em quem “vai para novo” e há várias razões para isso:
- Alguns medicamentos têm a obstipação como efeito secundário. Se só começou a sofrer disso após iniciar uma determinada medicamentação, fale com o seu médico para ver se é possível substituir esse fármaco por outro que não a provoque.
- A falta de exercício, que em muitas pessoas se agrava com a idade, é um fator importante. Pior ainda, se a pessoa passa muito tempo sentada ou deitada, ou por falta de mobilidade ou, apenas, por inércia.
- A dificuldade progressiva em mastigar e engolir leva ao consumo de alimentos pobres em fibra, prejudicando o trânsito intestinal.
- A tendência que tenho referido de não cozinhar “porque só para mim não vale a pena” cria uma dieta com poucas fibras.
- Como a sensação de sede também diminui com a idade, há a tendência de beber poucos líquidos, o que leva a fezes mais secas e duras, de circulação mais difícil.
- Adiar a ida ao quarto de banho por razões diversas, por exemplo, alguma falta de mobilidade.
- Tomar regularmente laxantes; sim, causam habituação e interferem com a flora intestinal, mas falarei mais disto adiante.
É claro que pode dever-se, também, a algumas patologias, como doença de Parkinson, diabetes, tumores, etc., fora do âmbito deste post.
O principal inconveniente da obstipação crónica em pessoas menos novas está na sensação de inchaço que provoca, de desconforto, que as pode levar a não quererem comer porque “se sentem cheias” ou a moverem-se, porque isso causa desconforto. E, claro, quando menos comem – coisas boas, claro – e se movem mais agravam a situação.
Mais ainda, o esforço que fazem quando vão, eventualmente, ao quarto de banho, pode causar-lhes todo o tipo de problemas, como hemorroides. E este é um daqueles casos em que quanto mais tempo passa, pior fica a situação. Ou seja, as fezes endurecem cada vez mais e de difícil o trânsito intestinal pode tornar-se, até, impossível.
Felizmente, há algumas medidas que se podem tomar para evitar a obstipação, ou, pelo menos, minorá-la, sobretudo na área alimentar. E aqui vão elas:
- Fazer refeições regulares; e são mesmo refeições, viver de chá e bolachas não conta!
- Comer alimentos ricos em fibra, como leguminosas (feijão, grão), muita fruta e legumes. Já agora, se tem mesmo dificuldades em mastigar, não comendo, pois, fibra suficiente, experimente complementar a sua alimentação com um suplemento de fibra solúvel.
- Beber muita água. E, relembro, refrigerantes e álcool não a substituem.
- Exercício físico. Não precisa de ser intenso, basta ser regular.
- Evite adiar a ida ao quarto de banho quando sente vontade. Sim, a série que está a ver ou o futebol estão num momento excitante ou está bem aconchegado no quentinho do seu cadeirão favorito, mas esses adiamentos acabam por vir a causar problemas.
Passemos agora aos laxantes, a primeira medida que todos adotamos quando começamos a sofrer de obstipação mais regularmente. Começo por dizer que há-os de vários tipos e com efeitos diferentes.
- Laxantes expansores de volume: contêm fibras, solúveis ou insolúveis, e, como o nome indica, expandem o volume das fezes, tornando-as mais macias e fáceis de eliminar. Não são muito agressivos para a flora intestinal.
- Laxantes osmóticos: favorecem a retenção de água nas fezes, facilitando, assim, o seu trânsito intestinal. São os menos agressivos de todos.
- Laxantes estimulantes: promovem a contração dos músculos do intestino; têm uma atuação rápida mas são, também, os mais agressivos e só devem ser tomados esporadicamente ou poderão destruir totalmente a flora intestinal.
Como disse acima, o uso contínuo de laxantes causa habituação, sobretudo os estimulantes. Ou seja, para continuarem a dar efeito torna-se necessário ir aumentando as doses.
Se já sofre de obstipação crónica e toma laxantes diariamente – ou quase – o ideal será começar a alterar alguns dos seus hábitos, sobretudo os alimentares, e dar preferência aos laxantes osmóticos. Sobretudo se está “viciado” nos laxantes estimulantes, faça a transição. Posso dizer, por experiência direta com familiares que tinham passado anos a tomar gotas fortes quase diariamente, que, quando os mudei para um osmótico, passaram rapidamente de uma dose diária a uma semanal e, às vezes, nem isso.
Resumindo, se vai para novo ou tem alguém a seu cargo, vigie as idas ao quarto de banho. Sobretudo no segundo caso, não se acanhe de perguntar, sim, não é uma “conversa de salão” mas pode vir a evitar muitos dissabores.
Tente, dentro do possível, instaurar bons hábitos alimentares e de exercício físico, sem esquecer a eterna recomendação de beber muita água. Evite, o mais possível, a dependência de laxantes fortes, mas tenha uma embalagem em casa para o caso de vir a ser mesmo precisa. E se a obstipação surgiu de repente, bom, o ideal será consultar um médico para ver se não haverá outra causa... pois, boa sorte com a consulta!
Para a semana:Envelhecer com elegância. E aqui, elegância não se refere só ao visual