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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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175 - Há que festejar o Natal

Como bem sabemos, a época natalícia pode ser particularmente má para pessoas de uma certa idade e por variadas razões. A mais falada é, claro, a solidão a que muitos dos nossos longevos estão votados pelas mais diversas razões, como não terem família ou esta estar longe ou não terem boas relações com os filhos, por exemplo. E é mais uma vez notícia o grande número de casos de doentes idosos com alta e que são deixados num hospital durante a época festiva com todo o tipo de “desculpas esfarrapadas” por parte da família – ainda este mês o Hospital Curry Cabral disse que tem, anualmente, 15 a 20 casos destes.

Mas também pode acontecer a pessoa sentir-se desmotivada para qualquer tipo de celebração, mesmo tendo a família à sua volta – sim, pode parecer absurdo, mas garanto que acontece, quanto mais não seja por o longevo em questão estar deprimido ou ter interiorizado a ideia de que a sua vida já acabou e está, apenas, à espera da morte.

Em Família não há só uma (Natal de 2022) falei precisamente de como combater a solidão, dando grande realce à criação – ou manutenção – de outras relações. Reforcei um pouco esta ideia, desta vez com ênfase no voluntariado, em Preparemos o Natal (Natal de 2024) – alguns dos cenários que indiquei ajudariam bastante a minorar a solidão de muitos “não novos”, quer a de quem recebe quer a de quem dá.

Quanto ao desinteresse por festejar – que não se restringe ao Natal – só posso dizer que compete a cada um de nós fazer um esforço para apreciar a vida, por muito má que nos pareça, e tenho feito inúmeros posts sobre este assunto. È que, e falo por experiência própria, é muitíssimo difícil, quase impossível, até, levar uma pessoa que se sente assim a animar-se, a menos que ela faça uma boa parte do trabalho.

Penso que uma parte deste desinteresse vem de trás, com a teoria que se foi espalhando, sobretudo nos últimos anos, de que “o Natal é para as crianças”. E quem o diz refere-se, claro, à componente dos presentes. Só que acho que já vai sendo altura de recuperar o verdadeiro sentido do Natal, uma festa tão tradicional e importante no nosso país, sobretudo numa época em que alguns “iluminados” tudo fazem para o cancelar por medo de ofender...

Para os crentes é fácil, se não querem pensar em árvore de Natal, presentes e tudo isso, podem celebrar, à mesma, uma das duas datas anuais importantes para o Cristianismo. Para muitos, crentes ou não, há também a componente familiar, o estarem todos juntos no jantar (ou ceia) de Natal, o convívio e tudo isso.

Para os outros... bom, que tal regressar ao passado? Recordemos que a data em que se celebraria o Natal foi escolhida pelo Papa Júlio I no século 4 para cristianizar uma festa pagã muito importante, o solstício de inverno (21 de dezembro), a noite mais longa do ano, uma tradição existente um pouco por todo o mundo, da Ásia às Américas. Basicamente, festejava-se o regresso da luz, ou seja, do Sol, uma vez que a partir dessa data os dias começavam a ficar mais longos.

Ou seja, adaptando esta ideia à sua vida, pense no Natal como um ponto de viragem, o início da passagem da escuridão invernal para a claridade primaveril, de dias monótonos para outros cheios de atividade.

Passemos agora aos presentes, tema de que tratei em Miminhos... presentes não são só no Natal. Para começar, sempre achei curioso os “nuestros hermanos” darem presentes não no Natal mas no Dia de Reis – bom, até faz sentido... E concordo totalmente que esta data anda demasiado comercializada, para muitos reduz-se, pura e simplesmente, ao pesadelo de tentar arranjar prendinhas para todos ou à ânsia de os receber.

Também isto pode ser um problema para quem vai para novo. Muitos até gostariam de dar bons presentes aos familiares e não o podem fazer por razões financeiras ou, pior ainda, ficam descoroçoados por não saber o que dar atendendo à má receção de anos anteriores. E para quem já tem uns aninhos, bom, dar dinheiro ou cheques de oferta não tem o mesmo sabor.

Voltando ao tema do post citado acima, falemos de presentinhos para sim. É que mesmo que tenha família, acredite, é sempre bom mimar-se um bocadinho e comprar para si alguma coisa especial. E se estiver só, então faça-o, sem hesitar, esqueça o “não vale a pena”.

E aqui fica uma sugestão de um presente diferente para si. Escolha algumas coisas pequenas, umas 12, um livro, chocolates, enfim, um miminho, nada de muito caro. Embrulhe todos estes presentes usando o mesmo papel e coloque-os num saco, misturando-os muito bem. E durante o próximo ano, quando se sentir mais em baixo e a precisar de algo bom na sua vida, remexa, sem olhar, o saco e tire um deles. Acredite, será uma surpresa, duvido que se lembre de tudo o que comprou. Ou seja, será um presente de Natal que irá continuar a dar-lhe prazer todo o ano.

Quanto ao Natal em si, não importa se está só, celebre-o. Faça o jantar / ceia que costumava ter – ou comece uma tradição nova, o importante é não ser uma noite e um dia como todos os outros. Ponha uma mesa bonita, mesmo que costume comer no sofá o resto do ano. E se não lhe apetecer cozinhar ou não tiver grandes condições para isso, há cada vez mais sítios onde pode encomendar uma refeição completa – e alguns até entregam em casa.

Seja o Natal cristão, a festa da família, o solstício de inverno ou apenas uma data que em tempos foi importante para si, não a deixe passar em branco só porque os anos pesam ou está só. Celebre o melhor que puder e não se esqueça de repetir mentalmente este mantra, “Eu valho a pena!”

E pronto, Feliz Natal!

Para a semana: Ano Novo, Vida Nova. Uma frase muito ouvida nesta época, só que raras vezes se concretiza.