169 - A depressão do outono / inverno
Toquei anteriormente neste assunto em vários posts, nomeadamente em Acabaram as férias, em que sugeria usar o período pós-férias de verão para planear ocupações para os meses mais frios e desagradáveis do ano. E disse, também, ali que, “Do meu ponto de vista, o outono é a estação em que a natureza, tendo-se expandido nas duas estações anteriores, começa a concentrar os seus recursos para preparar o ciclo seguinte”, um exemplo que devíamos seguir nas nossas vidas.
Mas hoje irei concentrar-me mais no desânimo, depressão, até, que os dias menos bons associados a estas duas épocas trazem a muito boa gente. Sim, sei que há quem adore o outono – eu, por exemplo – com a mudança de cor das folhagens e o fim do calor por vezes excessivo do verão. Ou o inverno, sobretudo se há neve e sol ou, no mínimo, frio seco e soalheiro, em que até apetece ir dar uma voltinha lá fora.
O problema é que há também muitos dias cinzentos, com ou sem chuva, em que não apetece mesmo nada sair de casa a menos que sejamos obrigados a fazê-lo e em que acabamos por nos sentir tão lúgubres como o tempo lá fora. E os dias cada vez mais curtos também não ajudam, se acordamos cedo esperamos uma eternidade até que surja o sol – caso surja, claro – e ainda mal estamos a meio da tarde e já está a escurecer. Pequeno detalhe, há mesmo um tipo de depressão associada à falta de luz diurna, foi detetada, como não podia deixar de ser, nos países nórdicos.
Que fazer, então, para nos ajudar a ter melhor disposição, sobretudo quando o mau tempo se estende por vários dias?
Bom, uma primeira medida que podemos tomar é usar o tipo de lâmpadas certas. Já repararam, certamente, que as há com luz mais branca ou mais amarelada. Pois bem, essa é uma característica chamada “temperatura da luz” e que, diga-se de passagem, nada tem a ver com a temperatura física mas sim com a tonalidade da cor da luz.
Há basicamente três tipos: quente (amarelada), neutra (branca) e fria (azulada). Mas aqui só nos interessa a primeira, uma vez que cria um ambiente mais acolhedor e confortável, próximo do criado pelas antigas lâmpadas de incandescência. Para saber se está a comprar essa tonalidade, procure na embalagem a indicação da temperatura, deve ser entre 2700 e 3000 K (graus Kelvin) – quanto mais baixa, mais amarelada é. Ponha essas lâmpadas nos locais onde costuma passar mais tempo durante o dia e verá que se sente um bocadinho mais animada.
Outra proposta que já dei anteriormente é ter capas bem coloridas para as suas almofadas decorativas – já agora, se não as usa, invista em algumas, há-as muito baratas e não faltam, também, coberturas para todos os gostos. Escolha tons quentes e que chamem logo a atenção quando entra nessa divisão e, melhor ainda, compre várias para ir variando com frequência, criando assim um efeito de surpresa quando as vê. É, também, um modo barato de ir alterando a decoração da sua casa.
Passemos às flores. Como todos sabemos, alegram imenso qualquer ambiente, mas nem sempre é possível termos flores frescas. Ora isso não deveria ser um impedimento a decorarmos a casa com elas, há, agora, flores artificiais de muito boa qualidade. Quando as escolher, não se esqueça de incluir algumas com cores bem vivas, a ideia aqui é fazer esquecer o cinzento do tempo que faz no exterior. Inclua, também, alguns verdes – aliás, como estes duram bastante, pode usar dos verdadeiros.
Mas não se limite a fazer uns arranjos para espalhar pela casa e em que não volta a tocar! Não, trate estas flores artificiais como se fossem frescas e crie novos arranjos todas as semanas. Para além de ser uma ocupação terá assim sempre algo novo e vibrante no seu espaço doméstico.
E quando surgem dias a fio com chuva e vento, sabe o que é agradável? Passar umas horas na cozinha. Aproveite para experimentar receitas novas, abasteça o seu congelador com sopas e todo o tipo de comida de conforto, tente até, porque não, fazer pão de vários tipos – o cheirinho que deixa na casa é imbatível. Para além de ser uma atividade útil, o calor e os cheiros produzidos alimentar-lhe-ão a alma, fazendo-a esquecer o mau tempo.
E por falar em cheiros, todos temos alguns que nos trazem boas recordações e que nos enchem a alma de calor. Mas não use e abuse de ambientadores de compra, não são necessariamente bons para a saúde e é bastante fácil produzir os seus. Neste site encontra boas indicações sobre como fazer vários tipos deles mas, como primeira indicação, experimente varetas de incenso: há-as disponíveis para todos os gostos e feitios, como jasmim, alfazema e outros mais complexos, e são muito fáceis de usar.
Os óleos essenciais também são muito úteis para criar um ambiente caloroso e agradável, já lá vão os tempos em que eram difíceis de encontrar. Basta um pequeno “queimador”, também à venda em muitos sítios, e poderá rodear-se dos seus aromas preferidos.
Finalmente, a sua roupa e a da casa. Os dias mais sombrios são ideais para usar alguma cor, uma echarpe, por exemplo, ou uma blusa mais animada. Ou, se costuma cobrir as pernas com uma manta quando está sentada, escolha uma colorida, garrida, até. E, se puder, tenha mais do que uma para, mais uma vez, não entrar na monotonia de ver sempre o mesmo ambiente à sua volta. Faça o mesmo com a toalha de mesa ou panos de tabuleiro que usa para as suas refeições – já agora, tente incluir um elemento de cor no seu prato, nem que seja, simplesmente, um pouco de alface ou umas rodelas de tomate.
Resumindo, uma vez que o exterior é cinzento e lúgubre, tente tornar o interior colorido, animado e caloroso – pode parecer uma coisa de somenos, mas anima bastante o espírito.
Para a semana: Menopausa. Como já falei da próstata, é justo dedicar um post só às mulheres,