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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

173 - Inverno não é desculpa para hibernar

Quando o tempo começa a ficar mais frio e desagradável sentimos, quase todos, um abrandamento da nossa energia e vontade de agir. Sim, o calor forte de alguns dias de verão pode ter o mesmo efeito, mas nessa época do ano a noite e a manhã proporcionam quase sempre algum alívio e com ele a vontade de fazer, sair, enfim, ter vida fora de casa. Mas no inverno...

Bom, não admira, durante milhares de anos fomos programados para fazer o mínimo possível durante esse período de escassez alimentar e muito frio e em que muitas atividades paravam – não esqueçamos que o setor agrícola era dominante nas sociedades da época. Sem esquecer que mexermo-nos consome calorias e estas não eram exatamente abundantes numa época do ano em que se vivia, na maior parte, do que se conseguira armazenar.

Mas os tempos mudaram e devíamos mudar com eles. Ou seja, em vez de passarmos o máximo de tempo sentados “à lareira” a fazer pouco ou nada, sobretudo quem vai para novo e não tem obrigações fora de casa, temos, isso sim, de fazer um esforço para nos mexermos e estar parados o mínimo possível.

E há várias razões para isso, físicas e psicológicas. Comecemos pelas primeiras.

Como bem sabemos e tenho dito em vários posts, à medida que os anos se vão somando a inatividade física torna-se cada vez mais nociva. É, de facto, um daqueles casos em que “quanto menos se faz, menos se consegue fazer.” E se passarmos uma boa parte do dia num cadeirão ou na cama, garanto que quando nos quisermos mexer – ou precisarmos de o fazer – isso se torna cada vez mais difícil. E lembre-se, perder a forma física acontece muito rapidamente e sem o menor esforço (obviamente), já recuperá-la é bem mais complicado.

Mexa-se, pois, aproveite os dias maus, leia-se, chuvosos e cinzentos, para fazer limpezas e arrumações, para encher o congelador de refeições para quando não apetece cozinhar, enfim, o que quiser, o importante é não estar parado. Nem que seja para dar umas voltinhas pela casa, levante-se periodicamente e estique os músculos – acredite, acabará por ficar grato por tê-lo feito quando vir que continua a levantar-se e a mexer-se com facilidade.

Mais ainda, se passar muito tempo perto de um aquecedor e sem se mexer, quando tiver de ir a outra parte da casa irá, certamente, estranhar a diferença de temperatura – a menos que tenha um bom aquecimento central e a casa toda aquecida, nesse caso, cuidado com a conta da luz! No próximo post falarei mais dos inconvenientes de estar muitas horas parado junto a uma fonte de calor, para já digo apenas que não é boa ideia.

Resumindo, em termos físicos, tente manter alguma atividade diária, dei, inclusive, em posts anteriores indicações sobre como exercitar-se no inverno, nomeadamente em Exercícios no Inverno, em que realcei, precisamente, a grande necessidade de não parar – é mau em qualquer idade, mas sobretudo em quem vai para novo e cujo corpo já não tem a mesma capacidade de recuperação rápida.

Passemos, agora, ao aspeto psicológico de hibernar durante períodos mais ou menos longos.

Como bem sabemos, muitos dos que já têm uns bons aninhos têm tendência para se verem como uns inúteis, ideia essa transmitida, há muito, pela sociedade e que interiorizamos desde bem cedo – o célebre idadismo. Ora passar dias a fio enfiado num sofá ou, pior ainda, na cama, só porque estamos no inverno e não apetece fazer nada, só irá reforçar essa ideia – o célebre “estou para aqui parado, não sirvo para nada”. Faça, pois, um esforço para “sair da sua concha”.

Em Preparemos o inverno dei uma série de sugestões, desde atividades de acordo com o seu gosto a outras de preparação do futuro – planear uma viagem com todos os detalhes, por exemplo. E se fez “o trabalho de casa” já terá uma listinha pronta para ser ativada agora que chegou o inverno. Mas se não a tem, não se preocupa, ainda está muito a tempo – bom, o inverno até só chega oficialmente daqui a umas duas semanas...

Pense, sobretudo, em aproveitar os dias de sol – e no nosso país são até bastantes nesta época do ano, sob esse aspeto somos, de facto, uns grandes felizardos. Esqueça o frio, os agasalhos fizeram-se precisamente para isso, e saia, passeie, divirta-se. Mesmo que tenha outros planos, a contar com chuva ou mau tempo, se vir que o dia afinal está bom, mude-os imediatamente.

E nestas próximas semanas não faltam coisas para ver e fazer. São cada vez mais as cidades e vilas com Aldeias de Natal e muitas outras atividades relativas a esta época festiva e que se prolongam até janeiro. Aproveite-as, mesmo se é dos que acham que “Natal é para os miúdos.” Sempre é uma coisa diferente e que só acontece uma vez por ano.

Se tem parques e jardins perto de si, vá até lá, nem toda a natureza hiberna, há sempre plantas vivas e, talvez por serem menos numerosas, “brilham” mais nesta estação. E, sobretudo nas cidades, há cada vez mais aves supostamente de arribação que optam por passar o ano todo no mesmo local – onde eu vivo há várias andorinhas que o fazem. Mesmo se a natureza não é a sua onda, aproveite, é uma distração e, quem sabe, poderá até descobrir que gosta.

Tire, também, proveito de ser uma altura do ano muito menos turística e vá visitar monumentos, museus e outros locais que estão sempre a abarrotar nos meses mais quentes. E com o novo passe verde da CP, poderá, até, com alguma facilidade, explorar locais fora da sua terra.

Lembre-se, a partir de uma certa idade, “parar é morrer” deixa de ser uma mera expressão, passa a tratar-se uma verdadeira constatação da realidade.

Para a semana: Maleitas invernais. Para muitos, o inverno traz consigo, ou agrava, muitas maleitas, pequenas ou não.

75 - Pensemos no frio

Este não é o meu primeiro post sobre o inverno, curiosamente não fiz nenhum em 2022 mas o ano passado “compensei” com três: Viver bem o inverno, Exercício no inverno e, o mais recente, Preparemos o inverno. Como não irei, pelo menos na maior parte, repetir o que ali disse – pelo menos sob o mesmo ponto de vista – talvez não seja má ideia dar-lhes uma olhadela ou até relê-los.

Uma boa parte da população odeia o inverno, não é por acaso que lhe chamam a estação morta. E pode ser, realmente, desagradável, com o frio, chuva, vento, dias cinzentos e curtos ou, até, neve e gelo.

Como disse anteriormente, prefiro pensar nele como uma época de hibernação, de armazenamento de energia para um novo recomeço. Apesar disso, não sou, confesso, grande fã do frio, até porque passei uma boa parte da minha vida sem o ter. Mas com uma mudança de atitude – e também de hábitos – pode tornar-se uma época do ano bastante agradável, mesmo para quem “vai para novo” e tem, portanto, mais tendência para o enregelamento.

A primeira dica tem a ver, claro está, com a roupa. Esqueça a moda, o mais importante é ficarmos quentinhos e confortáveis. Invista, pois, em boa roupa interior térmica, é mais de meio caminho andado. Não é barata, mas também não é precisa uma grande quantidade e, bem tratada, dura imenso tempo – sim, isso também é verdade com roupa de outro tipo e calçado, o que é barato pouco dura e acaba-se por gastar mais ao fim de uns anos do que investindo em peças de qualidade e mais intemporais.

E, tal como disse anteriormente, camadas, para além de serem melhores para conservar o calor corporal têm a enorme vantagem de as podermos ir tirando ou pondo conforme a temperatura. Não se esqueça das meias, há cada vez mais opções e muitas delas até bem bonitas, mas o mais importante é que aqueçam ou mantenham quentes os pés, é que se estes arrefecem é muito difícil sentirmo-nos confortáveis.

Mas não é só a roupa pessoal ou a de cama – sim, lençóis de flanela, como indiquei anteriormente. Arranje também umas mantas bonitas onde se possa aconchegar quando está a ver televisão ou a ler – não é só pelo calor, é também pela sensação psicológica de conforto que nos dá estarmos assim aninhados. E se tem almofadas na sala onde passa uma boa parte do dia, que tal umas coberturas diferentes para o inverno, com cores e tecidos que lhe “aqueçam a alma”?

E quando sair, não se esqueça de levar luvas quentinhas e que não deixem entrar o vento, um bom cachecol e um gorro ou chapéu. Já agora, tente sair sempre que o tempo esteja melhor, aproveite os dias de sol para apanhar um pouco de ar fresco, mas cuidado com o calçado, solas boas para pisos escorregadios e sapatos ou botas que não deixem entrar água.

A ideia é manter o máximo de atividade possível, como disse nos posts anteriores, nesta época em que não apetece mesmo nada sair. Mas mesmo que fique em casa, mexa-se, tente caminhar um pouco pela casa pelo menos uns cinco minutos em cada hora – pode até pôr, ou pedir que lhe ponham, um alarme no telemóvel.

Para além do que tenho dito sobre a alimentação – e sim, esta é a altura ideal para sopas, guisados e outras das chamadas comidas de conforto – há também as bebidas. Nada melhor do que uma bebida quentinha para nos sentirmos logo mais aconchegados. Mas, fazendo jus à minha teoria de apreciar a vida o mais que se possa, que tal investir numa coleção de chás, por exemplo? Para além de variar os sabores que ingere terá ainda o prazer da escolha quando lhe apetece tomar um.

E se gosta de fazer de vez em quando um chocolate quente, aproveite a ideia muito americana de lhe pôr marshmallows – atenção, são doces, por isso reduza ou elimine o açúcar que costuma adicionar.

Mas um dos conselhos mais importantes, psicologicamente, tem a ver com a luz. Ao contrário dos países nórdicos, por exemplo, temos bastantes dias de sol. Mas o tempo cinzento e o facto de amanhecer tarde e anoitecer cedo podem contribuir para a sensação depressiva que muitos sentem nesta época.

Está provado que uma luz amarelada dá uma sensação de mais conforto do que uma luz muito branca – ou fria, como lhe chamam. Por isso, quando comprar lâmpadas, escolha as que indicam uma temperatura de cerca de 2700 graus Kelvin – pequena dica, quanto mais alto for este valor mais branca é a luz. No mínimo, tenha lâmpadas destas para usar no inverno nos compartimentos onde passa mais tempo.

As velas também dão uma grande sensação de conforto no tempo frio e cinzento. Há agora uma grande gama de velas elétricas, a pilhas, algumas dão até um efeito de bruxuleio, muito agradável. Mas se usar das verdadeiras, nunca as deixe a arder sozinhas – pelo menos durante muito tempo – e areje a casa todos os dias.

Como nota final, se tem a sorte de viver numa zona onde neva, tente tirar o máximo proveito disso, sobretudo se já passou da fase em que tem de sair todos os dias para ir trabalhar... Lembre-se, há muita gente no nosso país para quem a neve é algo que só se vê na TV e no cinema, eu incluída. Tente recordar a sua reação em criança quando nevava – mas, ao contrário do que certamente fazia então, tome as devidas precauções se a quiser ver mais de perto.

E nos dias de chuva e vento, cinzentos e desagradáveis, em vez de se pôr a suspirar e a maldizer o tempo, enrosque-se numa manta quentinha, ligue um candeeiro com uma bonita luz amarelada, ponha um chá ou outra bebida quente à mão e leia, veja televisão ou faça qualquer atividade manual com a satisfação de quem está muito confortável e no quente e não lá fora no meio do temporal – sim, não ser obrigado a sair de casa por obrigação é uma das muitas vantagens de quem vai para novo, tema a que voltarei futuramente.

Para a semana: Cuidado com a saúde Com as Urgências como estão e a falta de alternativas, tentemos não adoecer...