Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.
Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.
Falei anteriormente sobre este tema, nomeadamente em Fraudes – onde mencionei algumas das causas dos longevos serem alvos preferenciais e descrevi algumas fraudes comuns – e em Segurança – um post mais virado para manter a sua casa segura de assaltos e precauções a tomar na rua.
Irei repetir aqui alguns desses pontos, é que infelizmente as situações vão-se repetindo ou, no caso das fraudes, “refinando” e há avisos contínuos sobre novas táticas – algumas bem sofisticadas – para nos separar do nosso dinheiro.
Comecemos pelas fraudes por e-mail. Se não o usa, leia à mesma, poderá ser útil para quando fala com alguém que o faz.
Uma das mais populares consiste no envio de e-mails supostamente da polícia, bancos, etc., a alertar para problemas diversos e com um link para os resolver. Ainda esta semana saiu um aviso das Finanças a alertar para e-mails fraudulentos supostamente enviados por esse serviço relativos a impostos por pagar – pois é, estamos no mês do pagamento do IMI...
Repito aqui o conselho já dado anteriormente, por mim e por milhentas pessoas e entidades: NUNCA clicar em links destes. Se tiver dúvidas sobre o assunto citado – uma falta de pagamento às Finanças, por exemplo – vá diretamente ao site desse serviço e procure ali as informações de que precisa. E sim, se for uma dívida ao fisco, estará assinalada na sua página pessoal.
Lembre-se, também, de que bancos, Segurança Social, Finanças e similares nunca, mas mesmo nunca pedem dados pessoais por e-mail, só o fazem no respetivo site a que só se acede após inserir senhas e quejandos – os melhores nem permitem que os navegadores guardem a senha e estão sempre a arranjar formas adicionais de identificação.
Passando ao Multibanco, há várias formas de o adulterar para obter cartões para clonar e dados de acesso. Muitas passam pela colocação de um teclado falso, uma câmara disfarçada e similares. O conselho dado é que examine bem o terminal antes de o usar e evite os que estão na rua e em locais isolados – é bem mais difícil adulterar uma máquina instalada num banco, por exemplo, ou num local com bastante vigilância e que está fechado uma parte do dia.
A burla mais recente usa, precisamente, a tendência das pessoas em clicarem em links desconhecidos. Recebem no telemóvel uma mensagem aparentemente do banco, clicam e, sem o saber, instalam uma aplicação maliciosa, NGate, capaz de recolher os dados dos cartões associados a esse telemóvel. E há até casos em que essa transferência de dados foi feita apenas por contacto de um leitor NFC à carteira ou mochila da vítima. Resultado, levantamentos sem precisarem de ter os nossos cartões físicos.
Lembre-se, apesar de a segurança do uso de cartões e do Multibanco estar sempre a aumentar, este é um caso típico de “corrida aos armamentos”: um “tanque” melhor dá origem a um “canhão” melhor, este obriga a melhorar o “tanque”, o que leva a melhorar o “canhão”...
Há outro tipo de fraudes, ou antes, burlas, que atingem sobretudo quem vai para novo, fiando-se os burlões no desconhecimento que muitos têm de vários assuntos, sobretudo em zonas mais rurais.
Por exemplo, a já velha mas aparentemente ainda popular troca de notas “desatualizadas”, o caso de que penso já ter falado da troca de televisores, etc. porque iam deixar de funcionar – troca essa que exigia, claro está, um pagamento adiantado.
Outro esquema muito na moda é o das “contas por pagar”. A vítima é contactada, por e-mail, telefone ou até em casa porque não terá pago a conta da luz, gás, etc. e terá de o fazer de imediato ou cortam-lhe o fornecimento. Perante isto, muitos pagam o exigido e só depois descobrem a mentira – pequeno detalhe, todos esses serviços enviam inúmeros avisos antes de cortarem o fornecimento, mais ainda, perante uma situação destas procure uma fatura e ligue para o apoio deles para saber o que se passa.
E como o Natal se aproxima, há que falar dos donativos para instituições de beneficência / causas. Infelizmente, há quem se aproveite da boa vontade das pessoas para as burlar. E também aqui, as verdadeiras instituições não mandam e-mails em massa a pedir dinheiro. Mesmo que seja “cliente” habitual, não clique no link, vá, isso sim, ao respetivo site procurar os dados para um donativo. E se nunca ouviu falar da organização ou causa, pesquise-a antes de doar, por muito boa que lhe pareça a iniciativa.
Já agora, e como é uma época em que muitos recebem encomendas, não caia na burla do e-mail supostamente dos CTT com a indicação de que têm uma encomenda que não podem entregar porque é preciso pagar direitos alfandegários – se fosse verdade, receberia um aviso “físico” em casa, se têm uma encomenda para si então têm o seu endereço!
Esta parte final poderá ser um pouco polémica, mas continua a haver muitos casos destes. E começo por dizer que não tomo, aqui, qualquer posição sobre o assunto, cada um acredita no que quer e desde que não exijam que eu faça o mesmo, tudo bem.
Refiro-me a bruxos / bruxas e às avultadas burlas que cometem e de que só conhecemos uma pequeníssima parte uma vez que muitas das vítimas não fazem queixa por terem vergonha de terem sido enganadas.
Repito, não julgo as crenças de ninguém e tenho, até, lido bastante sobre o assunto. Mas há um sinal de alerta claro: o pedido de quantias avultadas ou de joias. O pretexto é, muitas vezes, precisarem disso para duplicar o seu valor. Pois bem, se é capaz disso, porque não o faz para si? Ou fá-lo pelos outros por pura bondade do coração?
Há, também, questões de saúde que prometem resolver a troco de quantias mais ou menos avultadas. Ora isso sempre me meteu confusão, curar pessoas denota bondade, acha, então, que isso se coaduna com a exigência de uma fortuna para o fazerem?
Por isso, lembre-se, se um suposto bruxo / bruxa diz que lhe resolve tudo e mais alguma coisa a troco de muito dinheiro – ou diz que precisa disso para fazer o seu feitiço – lamento, mas não passa de um burlão.
Para a semana:Inverno não é desculpa para hibernar. A menos que haja um temporal, não faltam atividades e saídas nesta época do ano.
É claro que todos podemos ser vítimas de fraudes e em qualquer idade, mas as viradas para a chamada terceira idade estão em crescimento e há cada vez mais vítimas. O seu número é incerto uma vez que os que “vão para novos”, bem mais do que pessoas mais novas, envergonham-se muitas vezes de mostrar que se deixaram enganar e nem queixa apresentam.
Há várias razões para as pessoas desta faixa etária serem especialmente visadas e, infelizmente, muitas têm a ver com o uso da Internet – sim, sou uma sua grande apologista, mas com as devidas precauções que muitos ignoram ou não aplicam, apesar de as conhecerem.
Ora acontece que, quando usam redes sociais, os não muito novos partilham as suas preocupações de saúde, despesas com medicamentos, pensões baixas, etc., permitindo, assim, campanhas de phishing que visam estes temas.
Há ainda a questão do isolamento, de que já tenho falado várias vezes. Sentindo-se sós e isolados, estão mais abertos a propostas de amizade e outras e, por outro lado, não têm com quem discutir o esquema “fabuloso” que lhes foi apresentado.
E há também uma certa perda de acuidade mental que nos leva a tomar decisões que, uns anos antes, nunca tomaríamos por serem arriscadas ou muito simplesmente más.
Há vários tipos de praticantes destas fraudes, que podem ir de familiares e cuidadores a pessoas desconhecidas, e muitos tipos de fraude.
As de familiares e cuidadores envolvem, em geral, desvio de dinheiro e bens, abertamente ou às ocultas, ou a chamada influência indevida na distribuição dos mesmos.
Já há países em que os bancos criaram um sistema de alerta para as contas destes seus clientes, que os alertam para transferências repetidas – sobretudo para contas de não familiares – e baixas nos saldos diferentes do habitual. É claro que pode haver uma explicação totalmente legítima para estes casos, mas este sistema de alerta permite, no mínimo, dificultar a vida a quem comete a fraude e alertar a sua vítima. Seria, pois, bom que as nossas instituições bancárias fizessem o mesmo. Poderiam, até, criar um sistema personalizado de alertas consoante o tipo e capacidades do cliente, não só para cartões de crédito mas também para os de débito e para as contas em geral.
Passemos, agora, às fraudes em si.
Há as puramente financeiras, de que o que disse acima é apenas uma pequena parte, uma vez que temos muitas outras que envolvem a participação direta ou indireta do lesado, desde o roubo de dados bancários quando se fazem compras online (e não só) aos velhos esquemas de “ganhou a lotaria, pague esta taxa e mandamos o prémio” e muitos outros de que o mais célebre é o príncipe nigeriano.
Uma versão atual envolve e-mails supostamente da Polícia – ou até da Interpol – em que exigem dinheiro para “esquecer” uma determinada acusação. Atendendo à sua extensão e duração, só podemos concluir que rende dinheiro. E uma pessoa idosa é mais propensa a entrar em pânico e a pagar porque, mesmo sabendo que não cometeu aqueles atos, tem pavor das complicações que lhe possam advir caso a acusação em causa seja um engano – e, atendendo ao estado da nossa Justiça, quem os pode criticar?
Há ainda os vigaristas que se fazem passar por agentes do Governo ou de alguma instituição estatal a fazer um levantamento exaustivo dos dados das pessoas. Ou que afirmam ser das Finanças ou da Segurança Social e que querem a devolução imediata de dinheiro pago a menos ou a mais. Em qualquer destes casos, a abordagem pode ser pessoal – e neste caso são sempre pessoas bem vestidas e bem falantes, de que não se desconfia – ou por email.
E o também muito moderno telefonema de apoio técnico em que, a pretexto de problemas com um sistema operativo, levam o utente a aceitar um programa de utilização remota do computador para poderem vasculhar tudo à vontade – e sim, há imensas pessoas e de todas as idades que mantém ali (ou no telemóvel) imensos dados sensíveis.
Mas vamos aos conselhos para evitar, o mais possível, cair em fraudes.
Em primeiro lugar, ter muito cuidado com o que se partilha online e com as “amizades” que se criam ali. Nunca revelar dados pessoais, como morada, nome completo, telefone ou, pior ainda, dados bancários – sim, há quem o faça! Cuidado também com fotos, lembre-se de que com o Google Earth é possível encontrar uma determinada casa ou prédio... E não se esqueça de que as pessoas que “conhece” online podem não ser o que aparentam, por isso não se deixe levar em histórias de “empréstimos” ou de “investimentos fabulosos”.
Vigie sempre cuidadosamente a sua conta bancária e os extratos dos cartões de crédito, caso os use. Se tiver alguma dúvida, contacte de imediato o seu banco, sem receios de “incomodar” – tudo isso faz parte do serviço que prestam (ou que deviam prestar) ao cliente.
Nunca faça uma compra imediata a quem lhe bate à porta – bom, o melhor seria até nem deixar entrar... Bem sei que todos dizem que se tem um mês para cancelar, mas na prática há muitas vezes complicações e atrasos quando o queremos fazer. E nunca, mas mesmo nunca, assine um contrato ou outro documento sem o ler primeiro – e caso o ache confuso, não o faça sem antes consultar alguém de confiança que lho possa explicar.
Se receber e-mails supostamente das Finanças, Segurança Social ou banco com um conteúdo credível ou que o deixe em dúvida e quiser informar-se, faça-o na página dessa instituição e NÃO a partir do link incluído no dito e-mail. Já agora, se pedem que envie na sua resposta dados pessoais isso é de imediato um sinal de alerta, uma vez que nenhuma instituição credível o faria através de um meio tão pouco seguro como é o email.
Quanto a compras online, faça-as só em sites credíveis – a sua verificação é um tema demasiado vasto para este post. Mas há soluções de pagamento mais seguras como Paypal, MBNet (uma espécie de cartão de crédito temporário e com limite definido por nós), Moneybookers (também chamado Skrill) e Paysafecard (só até 100 euros e comprado nos CTT) que muitos sites já aceitam e que evitam que seja preciso introduzir dados do cartão de crédito.
Quanto ao tal “apoio técnico”, bom, desligue, simplesmente a chamada.