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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

157 - Rejuvenescer

O mito da eterna juventude tem sido um dos grandes sonhos da humanidade, com a ênfase em “eterna”. Até não é para admirar uma vez que quase todas as culturas possuem uma lenda sobre o modo como a morte entrou no mundo. Ou seja, os seres vivos, todos ou apenas os humanos, teriam sido criados imortais, situação que se veio a alterar posteriormente. Surge, assim, a nossa busca pela imortalidade, de textos clássicos como A Epopeia de Gilgamesh, com 4000 anos, à Fonte da Eterna Juventude, procurada pelos espanhóis nas Américas com quase tanto afinco como o El Dorado.

Mais recentemente, a ficção científica tem sido pródiga em exemplos que vão desde instalações médicas que rejuvenescem, de facto, o corpo, permitindo-lhe viver durante séculos, ao uso de clones dotados de todas as recordações de uma pessoa até á data da sua morte, sem esquecer o grande sonho de Sheldon, de A Teoria do Big Bang, de viver o suficiente para poder ter o seu cérebro transplantado para um androide.

Ficção à parte, falemos do que se passa atualmente. Mas primeiro há que destrinçar duas ideias que andam, às vezes, de mãos dadas na nossa mente: viver eternamente – ou pelo menos durante séculos – e viver até ao fim com o corpo e a mente que tínhamos, digamos, aos 30 ou 40 anos. E se a primeira ainda “cheira” um bocadinho a teoria, apesar de já haver empresas a gastar biliões de dólares na tentativa de a concretizar com cirurgia genética e nanotecnologia, por exemplo, a segunda parece já estar ao nosso alcance.

Em vários países, a começar pelos EUA, claro, há médicos especialistas no chamado antienvelhecimento, apesar de muitos não gostarem deste termo e preferirem usar rejuvenescimento. A pessoa interessada – evita-se o termo “paciente” uma vez que não se trata de alguém doente – faz toda uma série de exames médicos e responde a questionários extensíssimos sobre a sua vida toda – ia dizer desde que nasceu, mas vão mais longe e querem saber também sobre pais, avós e outros familiares. E, claro, hábitos alimentares e de exercício, duração e qualidade do sono, etc.

Recolhidos todos estes dados, preparam um programa adaptado a essa pessoa, que a leve a alterar / adotar hábitos que, para além de lhe permitirem manter-se saudável, física e mentalmente, até uma idade avançada, lhe dão, também, um “novo fôlego”, um rejuvenescimento, digamos, caso não estejam em muito boa forma na altura dessa consulta.

É claro que não temos acesso a todas essas coisas – mesmo onde existem não são exatamente baratas – mas há algumas medidas que podemos tomar, por iniciativa própria, que conduzirão, certamente, a bons resultados e à realização do sonho de ter uma vida longa e saudável. É que, muito francamente, quantos gostariam de viver muitos anos cheios de achaques e de todo o tipo de problemas, físicos, psicológicos ou mentais?

Como seria de esperar, fazer exercício é logo o primeiro componente. Mas atenção, fazê-lo “por frete”, só porque “o médico mandou” ou porque se quer perder uns quilinhos não é a melhor abordagem. Exercitarmo-nos deverá, com o tempo, converter-se num fator de bem estar físico e psicológico e não em algo deprimente, que se faz “mal e porcamente” por obrigação.

Sendo assim, não há uma receita única para todos. Vá experimentando vários exercícios e desportos até encontrar algo que lhe agrada. Mas não desista logo ao fim de uns dias, lembre-se que no início é sempre difícil, qualquer que seja a opção escolhida, sobretudo se tem há anos uma vida mais ou menos sedentária e quer agora alterar tudo isso. Persista um bocadinho e, se realmente não gostar, tente outra coisa. E não foi tempo perdido, verá que lhe será bem mais fácil começar uma nova atividade se já tiver feito outras anteriormente.

Acima de tudo, esqueça o exemplo de outras pessoas, vá fazendo ao seu próprio ritmo, ou seja, escute o seu corpo.

O segundo fator é, claro, a alimentação. Mais uma vez, cada um de nós é diferente e o que é bom para uns pode não o ser para outros. Mais ainda, não é boa ideia seguir uma dieta restritiva – a menos que seja por razões médicas, claro está. É que comer sempre a mesma meia dúzia de coisas causa tédio e acaba, inevitavelmente, por levar a excessos.

Já todos sabemos que devemos comer fruta, saladas, verduras em geral e outras coisas “boas” e evitar doces, fritos, etc. Mas a ênfase deve estar em tentar criar, aos poucos, hábitos mais saudáveis, sempre sem exageros, uma “facadinha” de vez em quando não faz mal... E nunca, mas mesmo nunca, seguir a dieta da moda ou outra que uma amiga recomendou – repito, cada caso é um caso e temos é que encontrar o que resulta para nós, em qualidade e, sobretudo, variedade, mais ainda, o que se coaduna com o nosso estilo de vida.

Passemos à mente, outro dos grandes setores do rejuvenescimento. Já falei várias vezes que mantê-la ativa atrasa os sintomas de doenças como Alzheimer e outras similares. Além disso, o facto de termos uma mente ágil faz-nos, por certo, sentir bem mais jovens. Por isso estude, aprenda coisas novas, saia e veja coisas, na sua terra ou mais longe, enfim, não se deixe reduzir à rotina do seu emprego, muitas vezes nada estimulante, ou, se já está reformado, a hábitos muito pouco saudáveis, física, psicológica e mentalmente, como passar o dia todo no sofá a ver televisão.

É claro que quanto mais cedo começarmos a adotar estas medidas melhor será, como sabemos é bem mais fácil atrasar os sintomas do envelhecimento do que revertê-los. Mas nunca é tarde para começar. E lembre-se, poderá não viver até aos 200 (ou eternamente) mas não deixe que nada o impeça de preencher muito bem a duração, longa ou curta, da sua vida.

Para a semana: A próstata. Com o avanço dos anos, acaba quase sempre por dar problemas...

147 - Preparar o ir para novo

Em A evolução do “ir para novo” falei do modo como o conceito de envelhecer, ou antes, o papel dos mais idosos na sociedade tem mudado ao longo do tempo. Referi, também, que está a dar-se atualmente uma nova evolução, mais ainda, uma autêntica revolução nessa área, estando alguns países bem mais avançados nesse percurso do que outros. Este post destina-se, pois, a quem ainda está a iniciar esta jornada para que tenha todas as hipóteses de participar plenamente nesse futuro “cinzento”, como lhe chamam.

Sim, bem sei que muitos com 40, 50 ou até 60 anos acham ser demasiado cedo para pensarem na reforma, ou antes, na vida após a reforma, seja a sua, a do seu companheiro de vida ou a de ambos. Mas a questão é que há certos hábitos que quanto mais cedo forem adquiridos melhor será, sobretudo num país como o nosso que só agora começa a despertar para certas atividades e ideias.

Exercício, por exemplo. Começa a ser cada vez mais comum as pessoas terem algum tipo de atividade física, mas ainda não é prática generalizada. E muitos jovens que até se dedicavam ao desporto, às vezes com grande vigor, acabam por largar tudo uns aninhos mais adiante, quando a vida e as obrigações se tornam mais complicadas.

Não digo que se faça exercício como obrigação, mas há uma coisa a ter em mente: se quisermos ter um “ir para novo” mais saudável e preenchido então é indispensável estar em boa forma ou, pelo menos, numa forma física razoável. E quanto mais adiarmos essa preparação, mais difícil ela será, acreditem, falo por experiência própria. Recordo, também, que durante a chamada vida ativa temos, também, alguma atividade diária, a começar pela ida e vinda do emprego, mas que tudo isso cessa quando nos reformamos.

Não tem de ser nada complicado, basta andar um pouco mais a pé, subir as escadas em vez de usar o elevador, basicamente, adquirir bons hábitos. Enfim, o importante é não ter uma vida muito sedentária fora do trabalho – é que com o andar dos anos, isso passa mais rapidamente do que desejaríamos a dificuldades em levantarmo-nos e a outros “emperramentos” que associamos à idade.

Ocupações, também elas separadas do trabalho, seja este fora ou em casa, são igualmente importantes. É o chamado equilíbrio entre vida laboral e vida pessoal / familiar, agora tão na moda. Mas há uma outra vantagem em tê-las, não nos esqueçamos de que no estado atual das coisas passamos, em 24 horas, de trabalho a tempo inteiro a desocupação total.

É claro que há sempre projetos de futuro, tipo, “quando me reformar farei isto ou aquilo”, mas acho que, bem no fundo, todos sabemos no que isso vai dar... ou não dar. Também nesta área é muito difícil, até impossível para muitos, passar do 0 aos 100, ou seja, arranjar um passatempo, uma ocupação quando já se está reformado.

O ideal é, pois, tentar ter algo durante uma boa parte da vida, nem que seja só durante umas horinhas mensais se o trabalho e a vida não deram para mais. Ou seja, “manter a mão na massa”, sendo depois muito mais fácil alargar o tempo que se lhe dedica quando a disponibilidade de tempo aumenta. Isto não quer dizer que não se arranjem coisas novas depois, a questão é que caso não se tenha nada durante a vida laboral há fortes probabilidades de não vir a acontecer quando chegar a reforma.

Amizades e vida social, todos sabemos a sua importância para o nosso bem-estar psicológico. E muitos têm, até, um grupo bastante alargado de amigos e conhecidos com quem convivem e saem regularmente. O problema é que muitas vezes essas pessoas são colegas de trabalho e, caso não se reformem ao mesmo tempo, é bastante difícil manter o mesmo nível de contacto. Sem contar que muitas pessoas mudam de terra após a reforma, por razões familiares, financeiras ou outras, dificultando ainda mais o convívio.

Faça, pois, questão de ter pelo menos alguns amigos que nada têm a ver com a sua vida laboral. Mais ainda, não limite a sua vida social a eles, olhe à sua volta e procure locais que lhe possa agradar frequentar, nem que seja esporadicamente, com vista a alargar o seu círculo social. Mais uma vez, isto poderá ser um pouco (ou muito) mais difícil passada uma determinada idade.

Finalmente, aprendizagem. No mundo atual, cheio de mudanças rápidas em tecnologia e não só, este é um hábito que devia estar enraizado em todos e desde muito novos: aprender durante toda a vida. Atenção, não me refiro apenas ao “saber dos livros”, há inúmeras coisas práticas e interessantes que podemos ir aprendendo ao longo da vida – sobretudo agora, com a Internet, é facílimo encontrar aulas de tudo e mais alguma coisa.

Se adquirirmos este hábito no início da jornada de “ir para novo”, será depois muito mais fácil mantê-lo e ampliá-lo. E não se esqueça de que há inúmeros estudos que comprovam que exercitar o cérebro ajuda a atrasar o aparecimento dos efeitos da doença de Alzheimer e outras similares. Mas não se limite a uma única coisa, vá variando o mais possível, isso estimula ainda mais as faculdades mentais. É claro que se encontrar algo que adora, bom, dedique-se mais a isso, claro, mas vá aprendendo outras coisinhas em paralelo.

É que não se esqueça, no plano físico e mental, a partir de uma certa idade parar é morrer – e quanto mais cedo se habituar a estar em movimento em todas as áreas da sua vida mais fácil será manter pelo menos uma parte disso quando os anos começarem a pesar.

Não nos esqueçamos de que a inércia é algo poderosíssimo, para o bem e para o mal.

Para a semana: Mais mezinhas caseiras. Mais umas coisinhas que podem ajudar a não tomar tantos medicamentos.

130 - Ultrapassemos o inverno

Estamos em pleno inverno, a época do ano mais detestada e temida por muitos dos que vão para novos, em muitos casos com boas razões para isso, a começar pelas péssimas condições de isolamento da sua habitação. É, também, a época das gripes e constipações e do agravar de sintomas de muitas doenças. E tendo em conta o estado atual do nosso SNS e, sobretudo, das Urgências, bom, esta é, de facto uma preocupação mais do que justa.

Há, também, o fator psicológico, uma vez que é bem mais fácil sentirmo-nos otimistas e cheios de energia quando está sol e uma temperatura agradável. Sem contar que muitos veem o inverno como um período de morte, de coisas acabadas, o que os leva a refletir na sua própria mortalidade. Quanto a mim, e como já tenho dito noutros posts, prefiro ver esta estação do ano como um período de hibernação para o nosso planeta e para nós, em preparação do desabrochar da primavera.

Para sobreviver com boa forma física e mental, há várias medidas que podemos tomar, muitas das quais já referi em posts anteriores, alguns deles bem antigos. Por exemplo, em Viver bem o inverno falei de como pôr a casa mais confortável, de como dormir mais quentinho, da roupa e calçado para quando sai e outros conselhos similares.

Em Distrações, sugeri inúmeras atividades para fazer em casa, de trabalhos manuais a aprendizagens diversas, de jogos a puzzles e muito mais, nada exclusivo desta época do ano mas que dá particularmente jeito quando não se pode – ou não se deve – sair de casa.

Em Exercício no inverno a ênfase esteve em não usar o frio e mau tempo como pretexto para uma inatividade mais ou menos total. É que, como também já referi várias vezes, à medida que se vai para novo parar pode literalmente significar morrer.

E apesar de ser um post pensado para antes de se iniciar o inverno, Preparemos o inverno tem algumas boas indicações, nomeadamente não deixar os medicamentos usuais chegarem ao fim – se vêm uns dias de tempo péssimo poderá não ser possível sair para renovar as receitas – e ter um pequeno stock de alimentos pela mesma razão.

Um pequeno reparo, na maior parte deste meu blogue tenho partido do princípio de que quem me lê vive sozinho ou, quanto muito, com alguém na mesma jornada. Mas nem sempre é assim e, em termos de distrações e caso tenha netos, já reparou que os jogos de tabuleiro voltaram a estar na moda? Sim, os antigos que, muito provavelmente, fizeram as delícias da sua infância. Sendo assim, que tal organizar uma sessão periódica para jogarem juntos? Teria também a vantagem adicional de converter uma visita “obrigatória” aos avós em algo divertido.

Há, também, uma atividade que costuma ser adiada ou feita pela rama: arrumações. Não me refiro, claro, às do dia-a-dia, mas a algo mais a fundo. Só que, atenção, a ideia aqui não é fazer um misto de maratona e corrida de velocidade para acabar tudo o mais depressa possível. Não, vá com calma e só um bocadinho de cada vez, hoje uma gaveta, amanhã uma prateleira, etc.

Mas não se limite a tirar tudo, limpar e voltar a arrumar. Aproveite esta oportunidade para analisar os vários artigos com olhos de ver e tente, o mais possível, simplificar a sua vida. Ou seja, faça uma seleção daquilo que tem valor para si, nem que seja apenas sentimental, o que já não tem valor para ninguém e o que pode ser doado ou vendido – sim, não faltam agora sítios para venda de artigos usados...

Para além de aos poucos ir pondo ordem na sua casa – e se calhar descobrir coisas que já nem se lembrava que tinha – isto pode ser, também, uma espécie de viagem ao passado, como referi num dos posts acima citados, se tirar um tempinho para recordar quando comprou aquele objeto, quando estreou aquele vestido, enfim, uma espécie de “revisão” da sua vida, mas sem saudosismos do tipo “os bons velhos tempos”.

Mudando de assunto, se gosta de cozinhar aqui fica uma sugestão inspirada, de certo modo, pelo filme “Julia e Julia”, em que uma Julia atual recria todas as receitas do famoso livro de Julia Child ao longo de um ano. Como muitas pessoas de “outros tempos”, tem certamente um caderninho (ou mais) com receitas herdadas, tiradas de revistas, dadas por pessoas amigas... Que tal começar a fazê-las, pouco a pouco, tomando notas do que lhe agrada em cada uma, do que acha que deveria mudar e do que não gosta mesmo? Para além de ser uma distração, como muitas dessas receitas não são, certamente, só para uma pessoa, ficará com comida para congelar e consumir quando não lhe apetece cozinhar.

A minha última sugestão é bem diferente, tem a ver com fazer projetos para quando o inverno acabar e voltar o bom tempo. Ou seja, em vez de ficar sentado no quente, sem nada fazer, dedicar um tempinho a pesquisar, por exemplo, exposições temporárias em museus – muitos têm-nas precisamente para atrair visitantes “repetentes”.

Ou, tendo em conta o novo passe de 20 euros para os comboios nacionais, estudar a rede ferroviária (tem aqui um mapa completo) e ver que terras sempre quis visitar ou as que lhe despertam interesse – já agora, muitas Câmaras Municipais têm, agora, sites com boas informações sobre o que ver, o que fazer, onde ficar, etc. E há também a muito extensa rede de camionetas Expresso (ver aqui) e outras.

Já agora, porque não ser um niquinho mais ambicioso e estudar destinos fora de Portugal? Há inúmeros voos baratos – mas atenção, se a cidade em questão tiver mais de um aeroporto, como Londres, há o custo acrescido de um transporte mais caro de e para o aeroporto – e ligações (e passes) ferroviários.  Isto pode, até, levar à vontade de aprender um bocadinho da língua local, sobretudo se é um país que sempre quis visitar, algo bem fácil hoje em dia via internet.

O principal é tratar este período à partida deprimente para muitos como uma época de atividade e, acima de tudo, de preparação para quando chegar o tão apetecido bom tempo.

Para a semana: Bons e maus exemplos. Algumas iniciativas que só pecam por ser poucas e alguns péssimos casos recentes de maus tratos a idosos

127 - Cuidados no inverno

Já tratei anteriormente deste tema – daí ter referido que seria um pouco um resumo da matéria dada. Em Viver bem o inverno falei um pouco de tudo, do aquecimento da casa à roupa de cama e pessoal, calçado, exercício, alimentação e muito mais. Em Exercícios no inverno mencionei alguns modos de nos exercitarmo-nos um pouco quando só apetece estar no quente.

Preparemos o inverno teve mais a ver com passatempos e com encarar este período como uma época de preparação para um renascimento na primavera. O texto Alimentos de inverno foi, como o nome indica, dedicado à alimentação numa época do ano em que o nosso corpo precisa das calorias “certas” para manter a temperatura corporal. Finalmente, em Pensemos no frio dei algumas ideias para começar a apreciar esta estação do ano em vez de a odiar, como muitos  de nós fazemos.

Mas volto ao tema porque é uma época particularmente má para quem vai para novo, com os seus riscos associados de surgimento / agravamento de doenças respiratórias e não só, uma vez que o frio aumenta, também, a sensação de dor nas articulações em quem sofre de artrites e similares. Lembro, também, que, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), as complicações de saúde aumentam 30 % no inverno – e com o estado em que está o nosso SNS, não é mesmo altura de ficar doente...

Comecemos pela sensação de frio. Com a teoria de que Portugal é um país de clima brando, as nossas casas não estão devidamente isoladas. Mesmo quando têm vidros duplos, as paredes exteriores não possuem isolamento, ao contrário do que se passa em países bem mais frios, gélidos, até, em que se está muito bem “no calor do lar”. E, infelizmente, com o aumento da idade aumenta, também, a sensibilidade ao frio.

Nos posts acima citados falei em usar camadas de roupa – retêm mais o calor, lençóis de flanela, aquecer a cama antes de se deitar, não sair sem tapar a cabeça (é por onde perdemos mais calor) e, também, de aquecimento. E é precisamente a este tópico que quero voltar aqui.

Lemos todos os anos notícias trágicas de mortes de idosos devidas a lareiras, braseiras e até aquecedores, com ou sem incêndio associado. Lembro que em zonas mais rurais as casas continuam a ser aquecidas a lenha, muitas vezes em dispositivos sem grande nível de segurança. E as chaminés, quando existem, são raramente limpas, acabando por não funcionar devidamente.

Pior ainda, como muitas dessas casas estão em mau estado, há a tentação de chegar a braseira o mais possível para junto da cama, por exemplo, com consequências trágicas. Quanto aos aquecedores, muitas pessoas não novas têm-nos há muitos anos e já não se encontram em muito bom estado, quer sejam a gás ou elétricos.

Se vai para novo ou tem familiares idosos, verifique cuidadosamente todo o seu sistema de aquecimento. Há atualmente inúmeras opções boas e bastante baratas, pense muito a sério em substituir equipamento antigo – além disso, os aparelhos recentes consomem muito menos, ou seja, compensam em pouco tempo. E se tenciona continuar a usar a lareira ou braseiras, verifique o seu estado e, acima de tudo, se existe um escape para os gases produzidos.

E não se esqueça de ter cuidado ao posicionar um aquecedor, é muito fácil ficar em contacto, sem que nos apercebamos disso, com cortinas ou outro material inflamável – e nada de os usar para secar roupa, a menos que esta seja posta um pouco afastada.

Já agora, se investir em lençóis de flanela e um bom edredão e aquecer a cama antes de se deitar, poderá, à vontade, desligar o aquecimento durante a noite, uma vez que estará bem quentinho no seu casulo, sobretudo se não precisar de se levantar para ir ao quarto de banho (fraldas!). Será bem mais seguro, muitos dos casos que lemos ocorrem precisamente durante a noite.

Passando à saúde, convém reforçar o sistema imunitário com uma boa alimentação. Lembro aqui que deve incluir muita fruta, vegetais, grãos e feijões, peixe e frutos secos. E atenção ao consumo de fibras, a regularidade intestinal ajuda o nosso organismo a detetar mais rapidamente qualquer problema. É também uma época do ano em que apetece a chamada comida de conforto, como guisados, sopas e outros pratos mais substanciais.

Não esquecer, também, a hidratação. Há um pouco a ideia de que isso é uma coisa de verão, mas acontece que no inverno o nosso corpo perde água sem darmos por ela, sobretudo quando transitamos entre ambientes a temperaturas diferentes. E a desidratação pode tornar-se um problema grave ou agravar condições existentes. Relembro que não tem de ser necessariamente água, pode-se variar com chás de vários tipos ou, até, tisanas, que podemos pôr num termos ou num copo térmico para manterem a temperatura mais tempo.

É também muito importante não ficar parado. Apesar de ser recomendável não sair quando está mau tempo, isso não significa ficar quietinho no sofá ou na cama. Levante-se pelo menos uma vez de hora a hora e ande pela casa durante uns minutos. E sempre que estiver um dia bom, ou seja, sem chuva e vento, vá dar uma voltinha lá fora, nem precisa de ser muito grande, apanhar sol faz bem – lembre-se, no entanto, de usar calçado adequado, ou seja, antiderrapante, é uma época do ano muito propícia a quedas.

E se ainda não o fez, investigue opções para se exercitar em casa. Há mil e um vídeos de ginástica no sofá (ou na cama), ioga para idosos (também na cadeira), Tai Chi, em fim, um nunca acabar de opções de que tenho dado alguns links – por exemplo, no post acima indicado, Exercício no inverno. O importante é mexer-se, seja ou não de um modo organizado, por muito pouco que apeteça sair do “ninho”.

Finalmente, é particularmente importante criar uma rede de apoios, no mínimo pessoas que contacta regularmente ou que a contactam. É que mesmo que costume sair muito, se estiver mau tempo as pessoas que o costumam ver deduzirão que não saiu por causa disso e nem pensarão que algo possa estar mal consigo.

Para a semana: Inovar no combate à solidão. Projetos inovadores e usar novas tecnologias para minorar este verdadeiro flagelo de quem vai para novo.

115 - A louca corrida por parecer jovem

Já falei anteriormente do problema do envelhecimento em termos do visual, ou antes, da não aceitação de que as coisas vão mudando, nomeadamente em Como os idosos se veem, Cuidemos de nós e Cuidados de beleza. Mas perante a tremenda pressão da sociedade atual em relação a “parecer jovem” acho que vale a pena voltar ao assunto.

A preocupação com o envelhecimento, sob o ponto de vista estético, não surgiu recentemente. Em livros antigos, alguns até bem antigos, não faltam receitas e mezinhas para manter a pele da cara com o aspeto considerado desejável para os padrões da época. E, diga-se de passagem, alguns desses produtos mantinham mesmo a juventude – eram tão venenosos que a esperança de vida de quem os usava caía na vertical. Ou seja, morriam jovens!

E não nos esqueçamos dos muitos que pereceram na demanda pela Fonte da Juventude. Ou dos muitos anos e dinheiro gastos na tentativa de produzir a Pedra Filosofal, também ela um garante de vida eterna.

Só que, durante séculos, essa procura da juventude restringia-se apenas à classe endinheirada ou a uma parte dela. Com as dificuldades alimentares, excesso de trabalho e partos sucessivos, muitas das mulheres resignavam-se à ideia de que aos vinte e poucos já eram velhas e, quanto muito, tentavam aproveitar ao máximo o brevíssimo período da juventude.

Mas agora essa demanda tornou-se transversal e vários setores económicos descobriram o muito que podem ganhar com promessas de juventude, bom, pelo menos aparente. Os tratamentos plásticos disseminaram-se como ervas daninhas, infelizmente nem sempre do melhor modo. Não nos esqueçamos das muitas histórias de horror de quem foi fazer cirurgias baratas a certos países e veio de lá com gravíssimos problemas de saúde. Ou as “festas de Botox”, tão populares em alguns países, em que o dito é administrado por amadores e sem ter em conta o estado de saúde dos visados.

Não pensem que são só as mulheres, há cada vez mais homens a investirem, digamos, no visual. Aplaudo, claro, o facto de estarem a afastar-se da ideia de que cuidar de nós é algo feminino, infelizmente começamos a ver os mesmos extremos nesse setor da população. E a obsessão pela eterna juventude é tal que há países onde jovens de vinte anos ou pouco mais já usam Botox e outros tratamentos “como precaução”.

Como tenho dito, nos posts acima citados e noutros, há uma grande diferença, um abismo, entre cuidar do nosso visual e correr atrás da juventude perdida. Pior ainda, para além do muito dinheiro gasto em cremes e tratamentos “milagrosos”, algumas das medidas tomadas podem, até, ter um efeito contrário.

Pintar o cabelo, por exemplo. Se o faz porque gosta do resultado, tudo bem, pode até fazer todo o tipo de experiências, torná-lo azul, roxo, cor-de-rosa, desde que seja porque é isso que quer. Mas se o faz apenas para esconder a idade ao ocultar os cabelos brancos, pense melhor.

Com a idade, o cabelo tem tendência a enfraquecer e a cair mais. Ora pintá-lo frequentemente, sobretudo se for com produtos baratuchos, poderá acelerar esse enfraquecimento. E acabará com uma cabeleira baça, quebradiça e, sejamos sinceros, com muito mau aspeto. Pense, pois, se não será melhor investir num bom champô, amaciador e máscaras e ter cabelos brancos mas brilhantes, sedosos e com um aspeto saudável.

O mesmo se passa com a pele. Em vez de cremes caríssimos, que prometem reverter ou impedir o envelhecimento, cuide bem dela, limpe-a com cuidado e hidrate-a muito bem. Já agora, se continua a maquilhar-se, nunca, mas mesmo nunca vá para a cama sem limpar a cara como deve ser. E há inúmeras máscaras boas e em conta que proporcionam alguma hidratação extra ou esfoliam – mas nada de produtos demasiado fortes!

Quanto ao corpinho, a chegada da menopausa traz, muitas vezes, alguns quilinhos indesejáveis. E esta é outra área onde abundam “curas milagrosas”. É uma catadupa de livros e sites com as dietas mais recentes – e, aqui para nós, muitas delas a raiar o absurdo. São aparelhos de todo o tipo que, também eles, prometem restituir a silhueta dos trinta anos com um mínimo de esforço.

Muito francamente, há algo em tudo isto que me deixa extremamente curiosa: se as dietas funcionam às mil maravilhas, como os seus autores apregoam, porque é que estão sempre a surgir novas?

Sim, acho que se deve fazer um esforço para ter um peso razoável, mas não por razões meramente estéticas. Mais ainda, é altura de começarmos a aceitar, em nós e como sociedade, que o aspeto do corpo humano evolui com a idade. Notem que usei o termo “evolui” e não muda, precisamente porque subconscientemente acrescentamos “para pior” quando pensamos em termos de mudanças no nosso físico.

Em vez da dieta da moda, uma alimentação mais cuidada e saudável. E se precisa mesmo de perder uns quilinhos, bom, pode-se sempre reduzir as coisas mais calóricas que habitualmente comemos. Mais uma vez, disse “reduzir” e não “cortar”, é que a menos que seja por razões médicas não sou adepta de proibições alimentares, acho que a moderação é bem mais importante e, acima de tudo, sustentável a médio e longo prazo.

E para ajudar, e não só, aumentar a atividade física – ou começar a tê-la, se tem sido bastante sedentário. Mas também aqui a ênfase deve estar na melhoria do bem-estar geral e não apenas em recuperar um corpo de jovem. Se o pode fazer, saia para caminhar. Ou inscreva-se em ginástica, ioga ou algo similar.

Mais uma vez, a moderação é importante. É bem mais benéfico ser regular do que ter apenas uma sessão violentíssima uma vez por semana. E posso garantir, por experiência própria, que resulta. Em tempos comprei uma passadeira elétrica, das não muito potentes, que comecei a usar diariamente. Faço agora cerca de dois quilómetros diários nela, a caminhar, não a correr, e sinto-me bem melhor, física e psicologicamente. É uma solução ideal para quem não pode sair muito de casa, sem contar que permite fazer exercício mesmo com tempo mau.

Para terminar, num dos posts citados falei no desastre que foi a tentativa de Meg Ryan para manter o visual de “menininha”. Pois bem, um dia destes apanhei parte do filme “Os Cooper são o máximo” e foi refrescante ver como Diane Keaton se deixou envelhecer normalmente. Que contraste!

Para a semana: Incontinência. Apesar dos muitos anúncios televisivos, continua a ser um assunto quase tabu, sobretudo para homens.

95 - Vem aí o verão

Com os repetidos anúncios de “vem aí o calor”, os pensamentos de muitos começam a virar-se para o verão. Para além da praia, que ainda é um dos prazeres favoritos da nossa população, é também a época da vinda à terra dos nossos emigrantes ou de umas férias passadas em família.

É, pois, inevitável que se comece a olhar para o espelho... Sobretudo se é uma pessoa organizada que nesta época verifica a roupa mais leve para ver se precisa de alguns arranjos ou para planear o seu guarda-roupa.

Pequeno detalhe, muito deste post é mais virado para as mulheres, mas há, felizmente, cada vez mais homens a preocuparem-se com o seu visual. E digo “felizmente” porque acho, francamente, que esta é uma das áreas em que a tão badalada paridade faz bastante falta.

Começo por lembrar que a partir dos 60 o nosso metabolismo abranda, o que significa que, comendo como sempre o fizemos, é muito provável começar a acumular alguns quilinhos extra. Junte-se a isso o inverno, particularmente se foi chuvoso, em que apetece mais a chamada comida conforto e o nível de atividade física diminui ou desaparece e não é de admirar que a tal roupa mais leve fique demasiado justa ou até nem sirva.

E é quando se recorre, em pânico, às dietas da moda, por muito absurdas que pareçam. Ora se não é boa ideia fazer exageros destes em qualquer idade, é-o ainda pior quando se vai para novo.

Pode-se, isso sim, fazer uma dieta suave, em que se substituem alimentos altamente calóricos por outros mais saudáveis e se corta, ou diminui bastante, miminhos não aconselháveis a quem quer perder algum peso. Tenciono fazer um post só dedicado à perda de peso depois dos 60 anos, mas, para já, aqui ficam alguns conselhos genéricos.

- Em vez de arroz, batata e massas, use e abuse de vegetais cozidos a vapor e de saladas. Mas não faça sempre o mesmo, a variedade evitará que fique farto e abandone o projeto. Já agora, salada não significa apenas alface e tomate, pode usar coisas variadíssimas como cenoura ripada, milho, rebentos de mungo, pimentinhos cortados em tiras fininhas, etc. Se for o prato principal, pode, até incluir um bocadinho de massa – fusilli, por exemplo, nesta época tenho sempre algum congelado – ou favas, lentilhas, etc.

- Evitar os fritos. Carne e peixe grelhados podem ser muito saborosos se forem bem confecionados e, acima de tudo, temperados. Pode, até, ser uma boa altura para experimentar novos sabores.

- Outros acompanhamentos. Quando grelho carne ou peixe grelho muitas vezes ao mesmo tempo rodelas de beringela e de curgete. E pimentos padrão.

- Cortar nos molhos gordos – em vez de maionese um molho de iogurte magro feito em casa – e, claro, nos bolos e docinhos de todo o tipo, substitua-os por fruta, não falta variedade para todos os gostos.

Já agora, uma “escapadela” de vez em quando não faz mal, muito pelo contrário, ajuda, até, a manter o seu plano alimentar. E se é o tipo de pessoa que adora comer, reserve uma refeição semanal para “abusos” – terá o prazer adicional da antecipação desse pequeno prazer.

Para ajudar, não se esqueça de ir bebendo líquidos. E se não sente grande apetite por água, que tal ter na geleira uma garrafa com? Também aqui pode variar, em vez de chá a sério, digamos, pode usar muitos outros, até uma mistura. Há, até, agora chás que se preparam com água fria. E para ficar melhor, junte-lhe um niquinho de sumo de limão – ou muito, se gosta. Mas nada de açúcar, mel ou similares!

A ênfase aqui é passar para um modo de comer mais saudável, sem exageros de qualquer tipo.

Passemos agora à atividade física. Para além de uma alimentação mais cuidada e equilibrada, pense em fazer algum exercício. Como tenho dito, basta uma simples caminhada. Será bastante eficaz para ajudar a reduzir o peso a mais, sobretudo se passou o inverno sem nada fazer – ou se, apesar de todos os conselhos, é uma pessoa muito sedentária.

E se não parou de se exercitar, pense em aumentar, muito gradualmente, o que tem feito ou iniciar algo novo – já começa a haver muitos locais com sessões de ginástica só disponíveis para os mais de 65.

Para além da ajuda à dieta, fazer exercício tem outras vantagens, dá-nos mais energia e ajuda a dormir melhor. Mesmo que não perca peso, verá que o seu corpo fica mais definido e que se sentirá melhor, algo que lhe dará, certamente jeito se o verão for a época em que está com filhos e netos.

Passemos à pele. O ambiente mais fechado em casa durante o inverno, somado ao uso de aquecedores e lareiras, secam, inevitavelmente, a pele, tanto da cara como do corpo. Ora a exposição ao sol no verão irá, certamente, piorar a situação, por muito protetor solar que use.

É pois, altura de a começar a preparar, aplicando diariamente uma boa camada de um creme gordo em todo o corpo – se tem dificuldades de o fazer em certas partes, nomeadamente as costas, dei uma solução em Cuidados pessoais. E faça o mesmo à cara, de preferência de manhã e à noite. Como tenho referido, não precisam de ser produtos caros, mas não opte por um de qualidade duvidosa só porque é baratinho.

Finalmente, o cabelo. Com a idade, tende a ficar mais fino e ralo. E o sol não ajuda, sobretudo se usa coloração e / ou permanentes ou outros tratamentos similares. Para além de começar a alimentá-lo já, com um bom champô e amaciador e a aplicação periódica de uma máscara, que tal investir num protetor térmico para o cabelo?

Existe em spray – ideal para cabelos finos – e em creme e evita o ressecamento e enfraquecimento do cabelo por ação do sol. Deve ser aplicado em todo o cabelo, exceto o couro cabeludo, com ele molhado e lavado. E, pequeno detalhe, aplicado após um mergulho no mar ou piscina combate os efeitos do sal e do cloro.

E pronto, seguindo estas indicações estará um bocadinho mais preparado para o verão – mesmo que a roupa continue justa ou a não servir, estará, pelo menos, mais em forma e com mais energia e com uma pele e cabelos prontos para aguentarem as “agressões” do tempo quente.

Para a semana: Violência contra idosos. Uma questão que não tem merecido o destaque que lhe é devido.

90 . O que não fazer

Este post vai ser uma espécie de revisão da matéria dada, ou seja, irei destacar aspetos importantes a ter em conta quando se vai para novo ou, mais especificamente, o que devemos evitar fazer se quisermos ter uma melhor qualidade de vida.

NÃO olhar para a idade que se tem em termos de “estou velho, já poucos anos me restam”. Com a esperança média de vida a aumentar a passos de gigante, ninguém sabe quanto tempo ainda irá viver. E como referi anteriormente, o tempo passa à mesma, quer o aproveitemos ou não, por isso mais vale viver em pleno para evitar arrependimentos futuros.

Mais ainda, se aproveitarmos cada dia, cada momento, poderemos não viver mais tempo mas será, certamente, bem mais agradável do que deixarmo-nos ficar numa rotina cinzenta que torne os dias todos iguais. Ou seja, o tempo vivido poderá ser o mesmo, mas parecerá muito mais longo.

NÃO cair na tentação de passar o dia de pijama – ou camisa de noite – porque “não vale a pena arranjar-me”. Uma vez por outra, tudo bem, um dia de preguicite sabe sempre bem qualquer que seja a nossa idade, mas a maior parte do prazer que derivamos dele vem, precisamente, de ser a exceção e não a regra.

Isso não significa, claro, termos de nos arranjar a preceito como quando saíamos para o emprego ou outra ocupação, a menos que o desejemos, obviamente. Mas devemos, isso sim, fazer um esforço para começar bem o dia e isso implica cuidarmos de nós. E, acreditem, ao fim de algum tempo fazemo-lo quase de um modo automático. O que me leva ao ponto seguinte.

NÃO pôr a moda acima do conforto. Uma das grandes vantagens de “ir para novo” e do idadismo que impera no mundo atual é, precisamente, ninguém esperar que sejamos manequins. Façam uma revisão do vosso guarda-roupa em termos do que é adequado à alteração do vosso estilo de vida. Por exemplo, em vez de sapatinhos de saltos altos e finos, todos chiques, uns de salto mais baixo – ou nenhum – e, acima de tudo, de sola antiderrapante. E como se sente mais o frio e o calor, roupa que possa ser usada em camadas e, acima de tudo, que seja confortável e fácil de vestir.

NÃO abrir as portas à inércia, tipo, “está vento, não me apetece sair”. Se o tempo estiver mesmo mau, tudo bem, mas que isso não seja desculpa para passar o dia num sofá a ver programas de televisão que nem sequer interessam muito. Ou seja, fazer exercício diário, seja em casa, seja fora, nada de muito complicado, basta evitar passar muito tempo imóvel ou quase. É que, com a idade, quanto menos nos mexemos mais dificuldade temos em fazê-lo. Evitar, pois, esse mau hábito antes que seja tarde demais. E lembrem-se, uma simples volta ao quarteirão todos os dias já ajuda bastante a manter a mobilidade.

NÃO recusar certas coisas que facilitam a vida porque “isso é para velhos”. Como o uso de uma bengala. Com o estado em que estão muitos passeios e ruas por esse país fora, usá-la é, francamente, quase uma necessidade para todos nós... Ou usar fraldas de adultos, sobretudo de noite, mesmo que acabem “limpas” é um alívio saber que não precisamos de passar o tempo todo à procura de um quarto de banho quando saímos e permitem, além disso, uma noite mais repousada sem levantadelas a toda a hora.

NÃO a viver de chá e torradas porque “só para mim não vale a pena cozinhar”. À medida que os anos aumentam torna-se cada vez mais importante ter uma boa alimentação. E lembrem-se, comer muito não significa andar bem alimentado, é que, como tenho dito, alimentos e nutrientes não são sinónimo. Desenvolver, pois, estratégias para os dias em que não apetece mesmo cozinhar e técnicas para que valha a pena cozinhar para um sem muito esforço.

NÃO deixar a casa estática com o argumento de que está assim há anos. É que certas coisas podem tornar-se francamente perigosas para quem vai para novo. Como tapetes soltos, por exemplo, que são uma das grandes causas de quedas em casa. Ou manter uma verdadeira “corrida de obstáculos” nas várias divisões que obriguem a desvios constantes.

Mais ainda, pensar em pôr luzes ativadas por movimento em corredores e escadas e olhar, com olhos de ver, para o trajeto entre a cama e o quarto de banho tendo em conta deslocações noturnas. E por falar neste, é sempre boa ideia pensar em substituir a banheira por uma cabina de duche, mesmo que ainda estejam ágeis e cheios de genica. É muito mais prático, sobretudo neste país onde os banhos de imersão nunca foram muito populares.

NÃO ficar de braços cruzados perante a hipótese de uma diminuição das vossas capacidades mentais ou memória. Está mais do que provado que estímulos mentais podem atrasar até a progressão da doença de Alzheimer e que pessoas que se mantém intelectualmente ativas desfrutam de melhor saúde geral. E NÃO, nada de acreditarem no muito popular ditado “burro velho não aprende línguas”. Muito pelo contrário, está-se sempre a tempo de aprender algo e é uma área da vida humana em que não há idade da reforma.

NÃO adiar continuamente organizar as coisas ou até nem pensar nisso porque “dá azar”. Se têm desejos específicos para o que querem que vos aconteça caso fiquem incapazes ou pior, expressem-no enquanto ainda estão em plena posse das vossas faculdades. E ter sempre à mão uma cópia dos documentos mais importantes e também uma lista com os medicamentos que tomam.

Mais ainda, planear para pequenos azares. Por exemplo, de inverno ter sempre medicamentos, alimentos e outros bens indispensáveis que deem para uns dias, isto para o caso de o mau tempo impedir uma saída.

E pronto. Como disse, são tudo coisas que referi anteriormente, mas acho-as suficientemente importantes para merecerem este pequeno resumo.

Para a semana: 50 anos depois. Os mais idosos antes do 25 de abril e agora

14 - Exercitemo-nos

Como mencionei anteriormente, a atividade física é um fator importantíssimo para se conseguir um “ir para novo” saudável e com menos problemas.

O problema é que quando se fala nisso as pessoas imaginam logo ginásios, exercício a sério, enfim, complicações a que poucos estão dispostos. Há ainda um outro fator, é que a nossa sociedade não está muito habituada a trabalhar ou manter a forma física. Sejamos sinceros, para muitos a última vez que fizeram algo nessa área foi nas tristemente célebres aulas de ginástica – ou de educação física, posteriormente – a que se tentava sempre escapar com desculpas mais ou menos patéticas.

Só que a prática de atividade física é benéfica em qualquer idade mas, sobretudo, para quem já não é um “pintainho”. Entre outras vantagens, pode aliviar as dores da artrite, fortalecer os músculos – o que facilita os movimentos – e até, evitar certas doenças crónicas como a pressão alta.

E é tão simples de pôr em prática!

Neste post irei do mais simples para o mais complicado, apresentando vários links e atividades possíveis.

Para começar, que tal pôr em prática alo que se recomenda a quem trabalhar à secretária, nomeadamente com computadores? Refiro-me, claro está, ao conselho de a pessoa se levantar ao fim de uns 50-60 minutos e dedicar uns minutinhos a caminhar e esticar os membros.

Acontece que quem já está na reforma tem a tendência de passar horas a ver televisão ou a ler, praticamente sem se mexer. E, com o passar do tempo, começa a sentir-se “perra”, é cada vez mais difícil levantar-se e caminhar um pouco.

Sendo assim, proponho que haja pausas na atividade que está a exercer sentada. Levante-se, dê uma volta pela casa, enfim, mexa-se. E mesmo que já esteja com dificuldades de movimentação verá que com a continuação ser-lhe-á bem mais fácil mover-se.

Já agora, um conselho que poderá parecer estranho, mas que acaba por ser bem útil: espreguice-se. Mas não timidamente, com o máximo de amplitude dos seus movimentos. Se tem um gato – se não o tem, não faltam filmes deles na Internet – inspire-se nos seus movimentos quando acordam ou mudam até de posição.

Avançando um pouco, passamos às caminhadas. Se está habituado a fazê-las, parabéns, continue. Mas se não é uma sua atividade usual, talvez seja altura de começar. Não me refiro a caminhadas a sério, a passo acelerado e tudo isso, pense nelas como sendo apenas um passeio alongado. Dê uma volta pelo seu bairro, por exemplo, escolhendo percursos diferentes de vez em quando para não se fartar. Comece com distâncias curtas, que irá alongando à medida que se habitua. O ideal seria fazer no mínimo 30 minutos 3 vezes por semana, apesar de eu achar que períodos diários mais curtos são mais úteis para quem está a começar.

E nem precisa de equipamento especial! Basta escolher um calçado cómodo – a ideia é apreciar o passeio e não passar o tempo todo a pensar nos pés. Escolha também a hora a que o faz, ou seja, no verão evite os períodos de maior calor. Vai ver que ao fim de pouco tempo começará a gostar e a alongar cada vez mais a sua caminhada.

Uma coisa que agora está muito na moda é fazer o chamado “exercício sentado”. Há inúmeros vídeos no YouTube, muitos deles dedicados até a idosos. Pessoalmente, gosto destes dois, que são do mesmo treinador, Aurélio Alfieri – já agora, subscrevendo o canal, ele está sempre a publicar vídeos novos.

Aqui vão dois dos links: https://www.youtube.com/watch?v=49E33qYS-Ms

e https://www.youtube.com/watch?v=49E33qYS-Ms

E se tem familiares mais novos, tente que os façam consigo numa fase inicial e isto por duas razões: é sempre mais divertido fazer atividade física com outras pessoas e, se não está habituado a esforços deste tipo, é boa ideia ter alguém consigo para o caso de algo correr mal.

Há também o chamado “ioga na cadeira ou no sofá”. A ideia é a mesma e também aqui há muitos vídeos no YouTube, mas nem todos virados para, digamos, os não muito novos. Escolhi três links, todos mais ou menos “leves”:

Cainara: https://www.youtube.com/watch?v=rUNz64PNtyY

Mais leve: https://www.youtube.com/watch?v=ZXA4H7Ydzyg

Leve: https://www.youtube.com/watch?v=kZ9lGK2C7IU

Não sei se repararam, todos estes links, tal como os do exercício sentado, pertencem a brasileiros...

Se quer algo mais aventureiro, pesquise a zona onde vive. Há muitos centros paroquiais e até ginásios que têm sessões para idosos e muitos propõem uma aula de apreciação inicial.

Investigue também a hipótese de fazer Pilates, ajuda com a circulação e melhora a flexibilidade e o equilíbrio. E há vários tipos, por isso só com um contacto pessoal saberá se o que propõem é o “certo” para si.

Há também centros com piscina que proporcionam hidroginástica. Tanto esta como a natação são aconselháveis a pessoas menos novas, até porque têm pouco impacto na coluna.

Uma última coisa, Tai Chi. É muito popular por toda a Ásia, o que é normal uma vez que surgiu na China. Já viram, com certeza, filmes ou documentários em que se veem pessoas num parque ou numa praceta a fazerem certos movimentos lentos em conjunto. Há muitas empresas por esses lados em que o dia laboral começa com uma sessão desta arte marcial não combativa.

Começa a espalhar-se mais por estes lados, mas ainda não está muito divulgado, o que é uma pena. É que para além das vantagens físicas, é também ótimo para reduzir o stress e ajudar a minorar a depressão. Mesmo assim, informe-se na sua zona, quem sabe, poderá ter sorte. Há livros com as imagens dos exercícios básicos mas, se quiser ver como é ou, até, começar a tentar praticá-lo, aqui fica um link: https://www.youtube.com/watch?v=QFgy-3kKc_o

E pronto, como veem, sugestões para todos os gostos. Mas mesmo que nada do que aqui disse lhe agrade, tente arranjar algo mais a seu contento e que o force a mexer-se. Lembre-se, nesta área, aplica-se plenamente a célebre frase “Parar é morrer”. Bom, pode não ser morrer, mas é, no mínimo uma vida menos agradável e, acima de tudo, muito menos autónoma.

Para a semana: Refeições para um –  Algumas sugestões e truques para evitar o célebre “só para mim não vale a pena!”