178 - Dermatites e similares
Como já referi anteriormente, com a idade a nossa pele vai ficando mais fina e frágil. Todos sabemos que é bem mais fácil aparecermos com nódoas negras sem sequer saber porquê e, de um modo geral, a pele fica com um ar mais seco, quase escamosa. Junte-se a isso uma certa diminuição da imunidade do nosso corpo e a toma frequente de medicamentos e não é de admirar sermos muito suscetíveis a dermatites.
Mas o que é uma dermatite? Bom, não é uma doença única, engloba, isso sim, qualquer estado que inclua uma inflamação da pele. Não são doenças graves, mas podem provocar um grande desconforto, sobretudo porque envolvem, em muitos casos, comichão mais ou menos intensa. E com uma pele já de si fragilizada, coçar pode abrir feridas que permitirão a entrada de bactérias e todo o tipo de coisas más.
Vou descrever brevemente as principais, deixando para o fim as mais comuns em idosos.
Dermatite atópica: também chamada dermatite alérgica. Surge sob a forma de lesões avermelhadas, comichão e pele grossa. Mais frequente em quem já sofre de asma ou rinite alérgica, por exemplo. Pode piorar devido ao stress.
Dermatite seborreica: a vulgar caspa, pouco comum em idosos uma vez que depende dos níveis das hormonas sexuais, que são baixos a partir de uma certa idade.
Dermatite de contacto: trata-se de uma reação a substâncias irritantes ou alergénicas, por exemplo, certos cremes e pomadas, produtos de limpeza, certos tecidos, como lã e materiais sintéticos e, até, alguns antibióticos. Surge sob a forma de comichão, borbulhas (algumas sob a forma de bolhas de água), vermelhidão, crostas ou pequenas feridas na pele.
Dermatite das fraldas: a célebre “assadura” dos bebés. Só que agora, com o uso mais ou menos espalhado de fraldas e similares para adultos, há muitos casos neste setor etário. Tal como com os bebés, evitá-la exige uma boa limpeza regular da zona em questão – com toalhetes suaves, por exemplo – e hidratar a pele. E para os homens há uma pasta em bisnaga a aplicar quando se muda a fralda.
Xerose senil: também chamada pele seca, uma vez que a pele fica com um aspeto muito seco, a escamar, até, podendo haver, também, comichão mais ou menos intensa, afetando, assim, bastante a qualidade de vida das pessoas. É a mais comum em pessoas já com uma certa idade, merecendo, por isso, mais detalhes.
Há dois tipos de fatores para a sua existência, extrínsecos (ambientais) e intrínsecos (fisiológicos). Os fatores extrínsecos são, por exemplo, a presença de produtos irritantes como sabão ou produtos de limpeza, certos materiais em contacto com a pele, como a lã, uso excessivo de ar condicionado ou aquecimento, viver num clima muito frio e seco, exposição excessiva ao sol – a famosa “pele de lagarto” que se vê em certos idosos grandes fãs do “bronze” – e outros.
Os fatores intrínsecos têm a ver com a composição da nossa pele. Esta está coberta por uma espécie de película protetora que contém água, sebo e substâncias gordas. O sebo limita a evaporação da água e protege a pele de agentes agressores extremos, sendo produzido pelas glândulas sebáceas. Ora a sua produção diminui com a idade, sobretudo no caso das mulheres pós-menopausa. Assim, a água contida na pele evapora-se mais facilmente e ela fica bem mais seca.
Os cuidados a ter para minorar a xerose senil são, também, válidos, para outras dermatites, sempre com a “cláusula” de consultar um médico se os sintomas forem extremos ou se só tiverem surgido após iniciar uma determinada medicamentação. Já referi alguns anteriormente, nomeadamente quando falei nos cuidados com a pele, mas este é um daqueles casos em que alguma repetição é, até, desejável.
Primeiro, e como sempre, uma alimentação equilibrada faz bem, não só à saúde em geral mas também à nossa pele. O mesmo é válido para o consumo diário de água – lembre-se, se a sua pele está a permitir uma maior evaporação, é bem necessário ir repondo os seus níveis.
E, claro, evitar uma exposição excessiva ao sol, sobretudo nas horas em que ele está mais alto – entre o meio-dia e as 4 da tarde. Se sair, não se esqueça de pôr protetor solar, mesmo se tiver o tipo de pele que não queima, bronzeia – acredite, a sua pele agradecerá.
Se continua a maquilhar-se, olhe como deve ser para os produtos que usa. É que os que eram bons aos 20, 30 ou até mesmo 50 anos podem não ser desejáveis mais tarde. Ou seja, escolha produtos adequados a uma pele mais envelhecida, mas não perca a cabeça e compre tudo e mais alguma coisa. Basicamente, a sua pele precisa apenas de andar limpa e bem hidratada – mas atenção, evite, na sua limpeza, produtos com álcool e não abuse de exfoliantes.
Quanto ao corpo, evite banhos demasiado longos e opte por água morna ou, no mínimo, não demasiado quente. Use de preferência sabonetes gordos e sem perfume ou um gel de banho suave – há-os muito bons, especificamente para crianças e idosos e nem são caros – ou alterne o seu uso. Não use, também, luvas ou outro material áspero para esfregar o corpo – a menos que tenha tido uma atividade particularmente suja não há necessidade de grandes esfregadelas.
Após o banho, use uma toalha macia para se secar e, mais uma vez, seque o corpo sem esfregar. E aplique uma boa camada de um creme gordo – não tem de ser caro, o importante é que alimente bem a pele. Em Cuidados pessoais pus a foto de uma engenhoca que improvisei para aplicar creme em zonas mais difíceis, como as costas. E como a pele dos braços tem tendência a secar mais e a ficar com um ar mais escamoso, vá-lhe aplicando creme durante o dia.
Evite o uso de roupa muito justa, a fricção pode causar irritação na pele. E esteja atento à reação do seu corpo a certos materiais, isso pode mudar com a idade – se vir que uma certa blusa ou camisola lhe causam comichão, descarte-a de imediato.
Última recomendação, NUNCA, mas mesmo nunca, coce a sua pele com violência. Se a comichão for muito forte, aplique creme ou, caso não seja suportável, vá à farmácia ver o que recomendam. Lembre-se, se fizer uma ferida à força de coçar – o que até nem é difícil para quem tem alguns aninhos em cima – isso pode ser a porta de entrada para infeções e doenças de todo o tipo.
Para a semana: Estatuto da Pessoa Idosa. Foi aprovado recentemente na Assembleia da República, mas o que significa?