Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.
Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.
O mito da eterna juventude tem sido um dos grandes sonhos da humanidade, com a ênfase em “eterna”. Até não é para admirar uma vez que quase todas as culturas possuem uma lenda sobre o modo como a morte entrou no mundo. Ou seja, os seres vivos, todos ou apenas os humanos, teriam sido criados imortais, situação que se veio a alterar posteriormente. Surge, assim, a nossa busca pela imortalidade, de textos clássicos como A Epopeia de Gilgamesh, com 4000 anos, à Fonte da Eterna Juventude, procurada pelos espanhóis nas Américas com quase tanto afinco como o El Dorado.
Mais recentemente, a ficção científica tem sido pródiga em exemplos que vão desde instalações médicas que rejuvenescem, de facto, o corpo, permitindo-lhe viver durante séculos, ao uso de clones dotados de todas as recordações de uma pessoa até á data da sua morte, sem esquecer o grande sonho de Sheldon, de A Teoria do Big Bang, de viver o suficiente para poder ter o seu cérebro transplantado para um androide.
Ficção à parte, falemos do que se passa atualmente. Mas primeiro há que destrinçar duas ideias que andam, às vezes, de mãos dadas na nossa mente: viver eternamente – ou pelo menos durante séculos – e viver até ao fim com o corpo e a mente que tínhamos, digamos, aos 30 ou 40 anos. E se a primeira ainda “cheira” um bocadinho a teoria, apesar de já haver empresas a gastar biliões de dólares na tentativa de a concretizar com cirurgia genética e nanotecnologia, por exemplo, a segunda parece já estar ao nosso alcance.
Em vários países, a começar pelos EUA, claro, há médicos especialistas no chamado antienvelhecimento, apesar de muitos não gostarem deste termo e preferirem usar rejuvenescimento. A pessoa interessada – evita-se o termo “paciente” uma vez que não se trata de alguém doente – faz toda uma série de exames médicos e responde a questionários extensíssimos sobre a sua vida toda – ia dizer desde que nasceu, mas vão mais longe e querem saber também sobre pais, avós e outros familiares. E, claro, hábitos alimentares e de exercício, duração e qualidade do sono, etc.
Recolhidos todos estes dados, preparam um programa adaptado a essa pessoa, que a leve a alterar / adotar hábitos que, para além de lhe permitirem manter-se saudável, física e mentalmente, até uma idade avançada, lhe dão, também, um “novo fôlego”, um rejuvenescimento, digamos, caso não estejam em muito boa forma na altura dessa consulta.
É claro que não temos acesso a todas essas coisas – mesmo onde existem não são exatamente baratas – mas há algumas medidas que podemos tomar, por iniciativa própria, que conduzirão, certamente, a bons resultados e à realização do sonho de ter uma vida longa e saudável. É que, muito francamente, quantos gostariam de viver muitos anos cheios de achaques e de todo o tipo de problemas, físicos, psicológicos ou mentais?
Como seria de esperar, fazer exercício é logo o primeiro componente. Mas atenção, fazê-lo “por frete”, só porque “o médico mandou” ou porque se quer perder uns quilinhos não é a melhor abordagem. Exercitarmo-nos deverá, com o tempo, converter-se num fator de bem estar físico e psicológico e não em algo deprimente, que se faz “mal e porcamente” por obrigação.
Sendo assim, não há uma receita única para todos. Vá experimentando vários exercícios e desportos até encontrar algo que lhe agrada. Mas não desista logo ao fim de uns dias, lembre-se que no início é sempre difícil, qualquer que seja a opção escolhida, sobretudo se tem há anos uma vida mais ou menos sedentária e quer agora alterar tudo isso. Persista um bocadinho e, se realmente não gostar, tente outra coisa. E não foi tempo perdido, verá que lhe será bem mais fácil começar uma nova atividade se já tiver feito outras anteriormente.
Acima de tudo, esqueça o exemplo de outras pessoas, vá fazendo ao seu próprio ritmo, ou seja, escute o seu corpo.
O segundo fator é, claro, a alimentação. Mais uma vez, cada um de nós é diferente e o que é bom para uns pode não o ser para outros. Mais ainda, não é boa ideia seguir uma dieta restritiva – a menos que seja por razões médicas, claro está. É que comer sempre a mesma meia dúzia de coisas causa tédio e acaba, inevitavelmente, por levar a excessos.
Já todos sabemos que devemos comer fruta, saladas, verduras em geral e outras coisas “boas” e evitar doces, fritos, etc. Mas a ênfase deve estar em tentar criar, aos poucos, hábitos mais saudáveis, sempre sem exageros, uma “facadinha” de vez em quando não faz mal... E nunca, mas mesmo nunca, seguir a dieta da moda ou outra que uma amiga recomendou – repito, cada caso é um caso e temos é que encontrar o que resulta para nós, em qualidade e, sobretudo, variedade, mais ainda, o que se coaduna com o nosso estilo de vida.
Passemos à mente, outro dos grandes setores do rejuvenescimento. Já falei várias vezes que mantê-la ativa atrasa os sintomas de doenças como Alzheimer e outras similares. Além disso, o facto de termos uma mente ágil faz-nos, por certo, sentir bem mais jovens. Por isso estude, aprenda coisas novas, saia e veja coisas, na sua terra ou mais longe, enfim, não se deixe reduzir à rotina do seu emprego, muitas vezes nada estimulante, ou, se já está reformado, a hábitos muito pouco saudáveis, física, psicológica e mentalmente, como passar o dia todo no sofá a ver televisão.
É claro que quanto mais cedo começarmos a adotar estas medidas melhor será, como sabemos é bem mais fácil atrasar os sintomas do envelhecimento do que revertê-los. Mas nunca é tarde para começar. E lembre-se, poderá não viver até aos 200 (ou eternamente) mas não deixe que nada o impeça de preencher muito bem a duração, longa ou curta, da sua vida.
Para a semana:A próstata. Com o avanço dos anos, acaba quase sempre por dar problemas...
Já tratei anteriormente deste tema – daí ter referido que seria um pouco um resumo da matéria dada. Em Viver bem o inverno falei um pouco de tudo, do aquecimento da casa à roupa de cama e pessoal, calçado, exercício, alimentação e muito mais. Em Exercícios no inverno mencionei alguns modos de nos exercitarmo-nos um pouco quando só apetece estar no quente.
Preparemos o inverno teve mais a ver com passatempos e com encarar este período como uma época de preparação para um renascimento na primavera. O texto Alimentos de inverno foi, como o nome indica, dedicado à alimentação numa época do ano em que o nosso corpo precisa das calorias “certas” para manter a temperatura corporal. Finalmente, em Pensemos no frio dei algumas ideias para começar a apreciar esta estação do ano em vez de a odiar, como muitos de nós fazemos.
Mas volto ao tema porque é uma época particularmente má para quem vai para novo, com os seus riscos associados de surgimento / agravamento de doenças respiratórias e não só, uma vez que o frio aumenta, também, a sensação de dor nas articulações em quem sofre de artrites e similares. Lembro, também, que, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), as complicações de saúde aumentam 30 % no inverno – e com o estado em que está o nosso SNS, não é mesmo altura de ficar doente...
Comecemos pela sensação de frio. Com a teoria de que Portugal é um país de clima brando, as nossas casas não estão devidamente isoladas. Mesmo quando têm vidros duplos, as paredes exteriores não possuem isolamento, ao contrário do que se passa em países bem mais frios, gélidos, até, em que se está muito bem “no calor do lar”. E, infelizmente, com o aumento da idade aumenta, também, a sensibilidade ao frio.
Nos posts acima citados falei em usar camadas de roupa – retêm mais o calor, lençóis de flanela, aquecer a cama antes de se deitar, não sair sem tapar a cabeça (é por onde perdemos mais calor) e, também, de aquecimento. E é precisamente a este tópico que quero voltar aqui.
Lemos todos os anos notícias trágicas de mortes de idosos devidas a lareiras, braseiras e até aquecedores, com ou sem incêndio associado. Lembro que em zonas mais rurais as casas continuam a ser aquecidas a lenha, muitas vezes em dispositivos sem grande nível de segurança. E as chaminés, quando existem, são raramente limpas, acabando por não funcionar devidamente.
Pior ainda, como muitas dessas casas estão em mau estado, há a tentação de chegar a braseira o mais possível para junto da cama, por exemplo, com consequências trágicas. Quanto aos aquecedores, muitas pessoas não novas têm-nos há muitos anos e já não se encontram em muito bom estado, quer sejam a gás ou elétricos.
Se vai para novo ou tem familiares idosos, verifique cuidadosamente todo o seu sistema de aquecimento. Há atualmente inúmeras opções boas e bastante baratas, pense muito a sério em substituir equipamento antigo – além disso, os aparelhos recentes consomem muito menos, ou seja, compensam em pouco tempo. E se tenciona continuar a usar a lareira ou braseiras, verifique o seu estado e, acima de tudo, se existe um escape para os gases produzidos.
E não se esqueça de ter cuidado ao posicionar um aquecedor, é muito fácil ficar em contacto, sem que nos apercebamos disso, com cortinas ou outro material inflamável – e nada de os usar para secar roupa, a menos que esta seja posta um pouco afastada.
Já agora, se investir em lençóis de flanela e um bom edredão e aquecer a cama antes de se deitar, poderá, à vontade, desligar o aquecimento durante a noite, uma vez que estará bem quentinho no seu casulo, sobretudo se não precisar de se levantar para ir ao quarto de banho (fraldas!). Será bem mais seguro, muitos dos casos que lemos ocorrem precisamente durante a noite.
Passando à saúde, convém reforçar o sistema imunitário com uma boa alimentação. Lembro aqui que deve incluir muita fruta, vegetais, grãos e feijões, peixe e frutos secos. E atenção ao consumo de fibras, a regularidade intestinal ajuda o nosso organismo a detetar mais rapidamente qualquer problema. É também uma época do ano em que apetece a chamada comida de conforto, como guisados, sopas e outros pratos mais substanciais.
Não esquecer, também, a hidratação. Há um pouco a ideia de que isso é uma coisa de verão, mas acontece que no inverno o nosso corpo perde água sem darmos por ela, sobretudo quando transitamos entre ambientes a temperaturas diferentes. E a desidratação pode tornar-se um problema grave ou agravar condições existentes. Relembro que não tem de ser necessariamente água, pode-se variar com chás de vários tipos ou, até, tisanas, que podemos pôr num termos ou num copo térmico para manterem a temperatura mais tempo.
É também muito importante não ficar parado. Apesar de ser recomendável não sair quando está mau tempo, isso não significa ficar quietinho no sofá ou na cama. Levante-se pelo menos uma vez de hora a hora e ande pela casa durante uns minutos. E sempre que estiver um dia bom, ou seja, sem chuva e vento, vá dar uma voltinha lá fora, nem precisa de ser muito grande, apanhar sol faz bem – lembre-se, no entanto, de usar calçado adequado, ou seja, antiderrapante, é uma época do ano muito propícia a quedas.
E se ainda não o fez, investigue opções para se exercitar em casa. Há mil e um vídeos de ginástica no sofá (ou na cama), ioga para idosos (também na cadeira), Tai Chi, em fim, um nunca acabar de opções de que tenho dado alguns links – por exemplo, no post acima indicado, Exercício no inverno. O importante é mexer-se, seja ou não de um modo organizado, por muito pouco que apeteça sair do “ninho”.
Finalmente, é particularmente importante criar uma rede de apoios, no mínimo pessoas que contacta regularmente ou que a contactam. É que mesmo que costume sair muito, se estiver mau tempo as pessoas que o costumam ver deduzirão que não saiu por causa disso e nem pensarão que algo possa estar mal consigo.
Para a semana:Inovar no combate à solidão. Projetos inovadores e usar novas tecnologias para minorar este verdadeiro flagelo de quem vai para novo.
Como disse anteriormente, o menor problema de memória torna-se preocupante a partir de uma certa idade porque paira, sempre, sobre nós o espetro de ser um prenúncio de Alzheimer. Voltarei a esta doença noutra altura, limitar-me-ei a repetir aqui que, ao contrário do que acontecia até há bem pouco tempo, já há como diagnosticá-la em vida e, apesar de ainda não ter cura, existem medicamentos que atrasam bastante a rapidez da sua evolução.
Para além de Alzheimer e de outros tipos de demências, fora do âmbito deste post, temos, ainda, dois outros tipos de problemas de memória, esquecimento benigno e insuficiências cognitivas, que nos podem afetar quando os anos começam a pesar.
A primeira é a mais comum e, apesar de irritante, não é grave. Basicamente, são pequenos esquecimentos, onde deixámos o carro ou as chaves, o nome de uma pessoa, etc. Sim, tudo isto pode acontecer em qualquer altura da vida, mas torna-se mais frequente à medida que se vai para novo.
A boa notícia é que basta um pouco de concentração e esforço para a ultrapassar. Por exemplo, deixar as coisas sempre no mesmo sítio, anotar onde se deixou o carro ou escrever uma lista de compras. Acima de tudo, nada de pânico, é apenas inconveniente, chato, para falar depressa e bem, mas não é grave e, melhor ainda, não tem tendência para ir piorando.
A insuficiência cognitiva é um pouco mais grave, implica esquecer um determinado evento. Por exemplo, ter ido a uma festa e depois afirmar que não se esteve presente, por não haver a menor recordação disso. Deve ser diagnosticada por um médico, melhora com certos medicamentos, mas pode também ser a primeira fase de Alzheimer.
Atenção, se só for uma vez, tudo bem, pode haver outras razões para esse esquecimento – bebida, por exemplo... Mas a repetição pode indiciar algo mais grave.
Mas falemos agora de como tentar adiar o mais possível problemas de memória. Isso implica exercitar o cérebro, alimentar o cérebro e proteger o cérebro.
Vamos por partes.
Sobre exercitar o cérebro pouco direi, já tratei deste assunto anteriormente, por exemplo, em Tratar a mente como um músculo. Lembrarei, apenas, que, ao contrário do velho ditado “burro velho não aprende línguas”, um cérebro idoso beneficia, e de que maneira, de novas aprendizagens, sejam elas de que tipo forem. Como exemplos, ler, aprender uma língua ou algo como o uso da internet, aprender a dançar algo novo, escolher um novo passatempo, etc.
Pequeno detalhe, fazer palavras cruzadas, apesar de útil, pode não ser uma atividade ideal se forem do tipo que só usam termos que já conhecemos... Ou seja, há que aumentar o grau de dificuldade para sermos forçados a fazer um pouco de pesquisa.
Passemos, agora, a alimentar o cérebro. Pois bem, para o seu funcionamento normal, o cérebro precisa de glucose e de oxigénio – pensem nas muitas séries televisivas em que alguém entra em morte cerebral por ter estado sem oxigénio demasiado tempo, ou seja, o corpo recupera, a atividade do cérebro não.
Como seria de esperar, ambos, glucose e oxigénio, são levados até ao cérebro pelo sangue. Ou seja, vemos, de imediato, que tudo o que diminua o fluxo de sangue é mau para a atividade cerebral, logo, para a memória. Coisas como bloqueios em artérias, pressão arterial demasiado alta ou baixa e também o colesterol, pelo risco acrescido de um AVC, por exemplo. Para quem tem diabetes, tentar manter esta doença sob controlo, entra outras coisas pode também afetar o funcionamento do cérebro pelo decrescimento de glucose no sangue.
Também como referi anteriormente, estudos provam que uma atividade física regular ajuda a manter a memória a funcionar devidamente. Atenção, não se trata de “suar até mais não poder” um dia e depois parar duas semanas, pouco e todos os dias deve ser o nosso objetivo. Para algumas dicas, Exercitemo-nos e Exercício no inverno.
E repousar, dormir como deve ser – dei alguns conselhos em Dormir bem é preciso.
Há, também, a alimentação, acima de tudo, garantir que estamos a receber um fornecimento adequado de vitaminas e minerais. Fiz vários posts sobre este assunto tão importante, nomeadamente Falemos de alimentação e Voltemos à alimentação, mas há outros. E como há a tendência de “carregar” em suplementos de todos os tipo, será esse o tema do próximo post.
E temos, finalmente, proteger o cérebro.
Bom, em primeiro lugar, tentar evitar quedas – ver, entre outros, Quedas. É que há sempre o perigo de batermos com a cabeça e isso nunca é bom, sobretudo para quem vai para novo. Temos de nos lembrar que a memória é uma das funções do nosso cérebro, por isso tudo o que afeta este pode muito bem afetá-la.
Depois, evitar excessos de álcool. Como muitos de nós bem sabemos, por experiência própria ou de pessoas chegadas, a tolerância ao álcool vai diminuindo e o que nos deixava meramente “alegres” aos 20 anos pode ter consequências más aos 70. Atenção, sobretudo, à mistura de álcool e medicamentos. É que, muito francamente, acham mesmo que bebedeiras frequentes são boas para a memória?
Por último, recordo que há certas doenças que provocam confusão cerebral e que nada têm a ver com Alzheimer e outras demências. Por exemplo, uma infeção urinária – custa a crer, mas sei por experiência própria que é bem verdade, a pessoa afetada confunde tudo, parece mesmo estar a sofrer de uma perturbação mental grave!
Por isso, e apesar de na situação atual do nosso país não ser fácil, tentar obter o mais depressa possível o diagnóstico e tratamento de qualquer doença que dure mais do que um ou dois dias ou que tenha sintomas graves. Para além de isso ser sempre aconselhável, em termos de saúde geral, evita muitos pânicos desnecessários, tipo, “É Alzheimer, de certeza”.
Uma última nota, tem havido posts – e este é um deles – em que cito outros posts meus. A razão é simples, há temas de que há muito a dizer, como memória, alimentação e outros, e eu tento limitar cada texto a cerca de mil palavras. Sendo assim, o mesmo assunto é tratado diversas vezes e com enfoques variados, mas os respetivos textos complementam-se.
Para a semana:Suplementos alimentares Há usar e abusar...
Somos todos suscetíveis aos problemas que o inverno traz, sobretudo quando é muito inconstante ou rigoroso, mas os não muito novos sentem-nos mais. Não podemos controlar o tempo, mas podemos – e devemos – tomar o máximo de precauções para evitar que as coisas se compliquem.
A maior parte do nosso país não tem as temperaturas negativas incríveis de outras partes do mundo, mas não deixa de haver regiões bem “geladinhas”. Se vive numa delas ou se tem familiares idosos que ali residem, atenção aos perigos de deixar baixar muito a temperatura corporal numa excursão para ir buscar lenha ou dar de comer aos animais, por exemplo. É que a nossa resistência à hipotermia diminui com a idade e se a sua temperatura corporal baixar dos 35 graus, há um grande risco de problemas cardíacos ou de danos no fígado.
Comecemos por falar da casa, que é onde os que “vão para novos” passam muito do seu tempo.
Com os aumentos no preço da eletricidade e do gás, a tentação é não aquecer a residência em que se habita, para poupar dinheiro. Mas há outras medidas que podem reduzir essa conta e manter-nos quentinhos.
Por exemplo, se passa a maior parte do tempo num compartimento, a sala, por exemplo, feche as portas para o resto da casa – assim o aquecimento que tiver a funcionar será bem mais eficaz e não precisa de estar tanto tempo ligado. Já agora, se tem um aquecedor antigo, pense muito a sério em substituí-lo. Há muitos modelos pequenos, portáteis (ou pelo menos com rodas) e com uma muito maior eficiência energética – ou seja, aquecem mais por bem menos dinheiro! E são também mais seguros.
A partir do meio da tarde, feche persianas e cortinas, sobretudo se estas forem grossas. Isso ajuda a impedir que o calor que tanto lhe custou a conseguir saia e que o frio entre à vontade. Mesmo se tiver vidros duplos, uma camada adicional calha sempre bem, sobretudo em regiões mais frias. Mas não passe os dias com a casa totalmente fechada, mesmo que o tempo esteja mau tente abrir uma janela um bocadinho, nem que seja por uns minutos, para arejar a casa.
E se usar uma lareira ou um braseiro para se aquecer, invista num alarme de monóxido de carbono – é que não lhe chamam à toa o assassino invisível! Isto é ainda mais pertinente se tiver familiares idosos a viverem em zonas rurais, onde este é o método usual para cozinhar e aquecer a casa.
Quanto às noites, pois bem, invista em lençóis de flanela. Duram imenso tempo e, acredite, fazem uma tremenda diferença. Sobretudo se os associar com um cobertor elétrico ou, caso não o tenha ou não queira ter, por razões de segurança, um simples saco de água quente – ou um daqueles sacos que se ligam uns minutos à eletricidade – fazem maravilhas. Nem precisará de um pijama muito forte! Ou de aquecer o quarto...
Já agora, se dorme toda a noite sem precisar de ir ao quarto de banho, parabéns, este detalhe não é para si. Mas se não for esse o caso, pense em usar uma daquelas cuecas para incontinência ou até uma fralda de adulto. Escolha o tamanho certo para si – atenção, o mesmo tamanho “oficial” pode ter dimensões diferentes consoante a marca – e evitará assim arrefecer enquanto se levanta e se desloca a uma divisão que, pelos seus materiais, é sempre das mais frias.
E por falar em quarto de banho, caso não o tenha, invista num daqueles pequenos aquecedores de pôr na parede. Se o ligar um bocadinho antes de se despir, verá a diferença no seu conforto ao evitar choques térmicos. E, ao contrário do que se poderia pensar, evite tomar banhos muito quentes – é que o nosso corpo reage à água muito quente tentando arrefecer...
Falemos agora de roupa.
Se vai sair – ou se a sua casa é fria – cubra a cabeça e o pescoço. Sim, mesmo dentro de casa. É que perdemos muito calor corporal através dessas zonas.
Prefira camadas de roupa mais leve e confortável a uma única peça mais grossa e pesada. Invista, acima de tudo, numa boa camisola interior de inverno e em meias quentinhas, mesmo se usar calças. E em casa, bom, não faltam botas e meias forradas a material próprio para aquecer os pés!
O que nos leva ao ponto seguinte, precauções a tomar quando se sai – e deve sair, se o puder fazer, como verá a seguir. Mesmo que não viva numa zona com gelo e neve, use calçado com uma boa sola aderente. E, como mencionei num post anterior, uma bengala é muitíssimo útil para evitar escorregadelas e quedas, que podem ter consequências muito más.
Outra precaução geral a tomar é a hidratação, sobretudo quando se sai. É que ao entrarmos e sairmos de edifícios aquecidos ou quentes, como uma loja ou supermercado, perdemos água sem sequer darmos conta disso. E mesmo em casa, seria boa ideia ter um termos ou um daqueles copos térmicos com tampa perto de si com a sua bebida quente favorita – mas atenção, tal como com os banhos, não demasiado quente.
E sei que no inverno, sobretudo se está mau tempo, só nos apetece ficar quietos, bem aninhados no nosso cantinho. Só que é ainda mais importante que se mova, nem que seja em casa. Não se esqueça, a partir de um certa idade, aquela expressão “parar é morrer” aproxima-se muito da realidade. Bom, morrer, talvez não, mas quanto menos nos mexemos mais difícil se torna fazê-lo, é de facto um círculo vicioso.
Manter também uma boa alimentação, rica em fruta, legumes, vegetais e leguminosas, mesmo que com o frio a fruta não seja o que mais apetece... E as comidas pesadas tão em uso no inverno, devem ser consumidas com moderação, é que o nosso metabolismo abranda nos meses mais frios. Se gosta de uma bebidazinha de vez em quando, tudo bem, só que não se esqueça que o álcool pode fazer perder calor corporal, exatamente como um banho ou bebida demasiado quentes.
Só um último ponto. Se vive isolado ou tem familiares idosos que vivem sós, não se esqueça de organizar contactos periódicos para garantir que qualquer problema que venha a surgir será rapidamente detetado.
E bom inverno!
Para a semana:A função social dos idosos. Quase tudo mudou na nossa sociedade e a função dos idosos não escapou à regra.
Neste post não irei falar de alimentos necessários a um bom “ir para novo”, dietas ou coisas desse género, mas sim do que acontece a muitos de nós quando os anos já pesam e acabamos a preparar refeições só para uma pessoa.
Mais ainda, destina-se sobretudo a pessoas com alguns rendimentos, o que as retira automaticamente de entrega de refeições e muitos outros apoios, destinados exclusivamente a idosos sem recursos - veja-se o meu post de Luísa Opina: Lamento os idosos com dinheiro (https://luisaopina.blogs.sapo.pt/20-lamento-os-idosos-com-dinheiro-10289).
Uma parte dos problemas que irei referir poderão já não se aplicar a gente mais nova, é que as mentalidades foram mudando. Mas para os de mais idade, criados numa sociedade em que tratar da casa e do marido era “obrigação” da mulher, manter uma alimentação razoável torna-se muitas vezes problemática com o passar dos anos.
E, mais uma ressalva, não me refiro a casos em que problemas físicos ou mentais, Alzheimer, por exemplo, impedem a pessoa de fazer a sua vida. Não, falo de mulheres, sim, sobretudo mulheres que, uma vez sozinhas, passam a andar mal alimentadas e não por falta de meios financeiros.
Enquanto são dois em casa, fazem um esforço para “cumprir o seu dever” e, quer cozinhando, quer indo buscar refeições a um supermercado ou restaurante, vão mantendo um nível adequado de alimentação.
Mas, quando ficam sozinhas, começam a ser atacadas pelo que eu chamo de síndrome do “só para mim, não vale a pena”.
Na zona onde habito, vi muitos casais que comiam regularmente fora (aqui no bairro) ou que iam buscar comida. E, de repente, deixei de os ver, vindo a saber que o marido morrera. Pois bem, quando eventualmente vejo a viúva, não tem um ar nada saudável e, se calha estar numa fila e ouvir conversas, lá vem o “agora quase nem cozinho, só para mim um chazinho e umas bolachas chegam perfeitamente.”
Pois, podem chegar esporadicamente, mas como rotina, nem pensar!
E há outros fatores contributivos. Muitas destas mulheres viveram no pavor dos congelados – e antigamente até tinham razão, a qualidade era fraquíssima – ou ainda veem o micro-ondas como algo para aquecer comida. Ora por muito que se corte nos ingredientes, é bastante difícil cozinhar só para uma pessoa, a menos que esta tenha bom apetite!
Infelizmente, é um círculo vicioso. Quanto menos se cozinha ou se vai buscar comida, menos apetece fazê-lo. Até que nos deparamos com a triste situação de pessoas com uma boa reforma e que estão pior nutridas do que outras com valores mensais miseráveis.
E é uma das áreas em que não se fala de discriminação mas onde ela existe e de que maneira! Senão, vejamos. Se um homem fica viúvo, filhos, netos, a paróquia, vizinhos, todos, enfim, se esforçam para garantir que tem refeições em abundância porque “coitado do homem, sozinho, como é que se vai governar?”
Mas se for uma mulher, bom, aí todos partem do princípio de que não precisa desse tipo de ajuda, uma vez que sabe cozinhar e “governar-se”. E até sabe, o que falta muitas vezes é a vontade de o fazer.
E, muito francamente, para quem gosta de coisas frescas, ou esquece poder ter variedade ou é um desperdício de fruta, saladas, legumes...
Além disso, até concordo que fazer um guisado, um arroz, um assado, só para uma pessoa, bom, dá mais trabalho do que vale.
Pois bem, um dos grandes truques é esquecer o tal “pavor dos congelados”. E para quem vê programas de culinária, até muitos Chefes profissionais recorrem agora a eles.
Por exemplo, para quem gosta de comer vegetais, comprados frescos, uma couve-flor, por exemplo, ou se come várias vezes seguidas, o que, francamente, acaba por enjoar, ou estraga-se. O mesmo para feijão-verde, brócolos e muitas outras coisas. É, pois, uma área em que os congelados “dão cartas”.
Tenho, por exemplo, sempre couve-flor, brócolos, couves-de-bruxelas, cenoura bebé, alho francês e ervilhas congelados, assim, se quero acompanhar algo com legumes, tiro um bocadinho de alguns deles e tenho variedade para a minha refeição.
Outros legumes podem ser facilmente congelados, como aipo, abóbora, curgete... Não faltam vídeos no YouTube a explicar como fazê-lo. Já agora, na minha experiência, batata ou pratos com batata não congelam bem.
Já a fruta, uma solução é fazer uma salada de fruta grandinha, que dê para 3 a 4 dias – coberta com película aderente, aguenta-se lindamente. Assim, já se pode ter uma certa variedade a cada refeição.
Ou, para morangos, por exemplo, que tal um bom batido com leite a servir de jantar? Pode-se até acrescentar gelado ou até mesmo cereais tipo Corn Flakes para uma bebida mais completa.
E caso tenha uma amiga ou vizinha com quem se dá bem, pode também combinar com ela uma compra conjunta, dividindo depois as embalagens (uvas, morangos, saladas...).
Há coisas que compensa largamente fazer (ou comprar) o suficiente para mais de uma refeição. Arroz, por exemplo, é sempre bom ter algum no congelador (pode, até, ser guardado em sacos pequenos de sandes). Já agora, aqueles potezinhos de arroz quase instantâneo são bastante bons, embora eu nunca os use como dizem as instruções: ponho num recipiente com tampa, junto 1 a 2 colheres de sopa de água por embalagem e também temperos, legumes, restos de carne ou de peixe e ponho no micro-ondas pelo menos 3 minutos.
Já agora, um dos meus grandes apoios é um recipiente para cozer a vapor. Não tenho o de bambu mas sim um de duas camadas e tampa, em silicone. E sabem que mais? O arroz aquecido a vapor fica bem fofinho! O mesmo se pode dizer de pataniscas de bacalhau que tenham sobrado.
Se gosta de sopa, não faça nem compre apenas uma variedade, fartar-se-á rapidamente. Se tiver duas ou três, pode separá-las em caixinhas e congelá-las, podendo assim ir alternando.
É claro que há algumas coisas que não resultam muito bem só para uma pessoa. Se comprarmos uma daquelas embalagens de salada já feita, a menos que comamos imenso em dois dias as que contêm agrião ficam logo “meladas”.
A grande questão aqui é evitar o “chazinho e bolachas”, a menos que seja exatamente o que apetece. E o gostar de coisas frescas até pode ajudar, uma ida diária (ou quase) a uma loja para comprar um peixinho ou uma perna de galinha para o almoço até serve de distração e de exercício.
E para criar entusiasmo, que tal ver programas de culinária? São cada vez mais e em muitos deles os apresentadores são amadores. Ou destinar um ou dois dias por semana para cozinhar a sério, dividindo e congelando depois o produto dessa labuta. Assim poderá descansar nos outros e, quem sabe, ao fim de algum tempo talvez veja até esses dias com o entusiasmo de quem vai ter uma quebra na rotina!
Resumindo, os nossos grandes amigos passam a ser o congelador (ou uma geleira com uma boa secção de congelação), o micro-ondas e um dispositivo para cozer / aquecer a vapor. E, acima de tudo, o esforço deliberado para manter uma boa alimentação – não tem de ser abundante, tem, isso sim, de ser variada e com bons elementos nutritivos.
Para a semana:O tempo não é sempre o mesmo – Há o tempo interno e o tempo externo e raras vezes coincidem...