Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

173 - Inverno não é desculpa para hibernar

Quando o tempo começa a ficar mais frio e desagradável sentimos, quase todos, um abrandamento da nossa energia e vontade de agir. Sim, o calor forte de alguns dias de verão pode ter o mesmo efeito, mas nessa época do ano a noite e a manhã proporcionam quase sempre algum alívio e com ele a vontade de fazer, sair, enfim, ter vida fora de casa. Mas no inverno...

Bom, não admira, durante milhares de anos fomos programados para fazer o mínimo possível durante esse período de escassez alimentar e muito frio e em que muitas atividades paravam – não esqueçamos que o setor agrícola era dominante nas sociedades da época. Sem esquecer que mexermo-nos consome calorias e estas não eram exatamente abundantes numa época do ano em que se vivia, na maior parte, do que se conseguira armazenar.

Mas os tempos mudaram e devíamos mudar com eles. Ou seja, em vez de passarmos o máximo de tempo sentados “à lareira” a fazer pouco ou nada, sobretudo quem vai para novo e não tem obrigações fora de casa, temos, isso sim, de fazer um esforço para nos mexermos e estar parados o mínimo possível.

E há várias razões para isso, físicas e psicológicas. Comecemos pelas primeiras.

Como bem sabemos e tenho dito em vários posts, à medida que os anos se vão somando a inatividade física torna-se cada vez mais nociva. É, de facto, um daqueles casos em que “quanto menos se faz, menos se consegue fazer.” E se passarmos uma boa parte do dia num cadeirão ou na cama, garanto que quando nos quisermos mexer – ou precisarmos de o fazer – isso se torna cada vez mais difícil. E lembre-se, perder a forma física acontece muito rapidamente e sem o menor esforço (obviamente), já recuperá-la é bem mais complicado.

Mexa-se, pois, aproveite os dias maus, leia-se, chuvosos e cinzentos, para fazer limpezas e arrumações, para encher o congelador de refeições para quando não apetece cozinhar, enfim, o que quiser, o importante é não estar parado. Nem que seja para dar umas voltinhas pela casa, levante-se periodicamente e estique os músculos – acredite, acabará por ficar grato por tê-lo feito quando vir que continua a levantar-se e a mexer-se com facilidade.

Mais ainda, se passar muito tempo perto de um aquecedor e sem se mexer, quando tiver de ir a outra parte da casa irá, certamente, estranhar a diferença de temperatura – a menos que tenha um bom aquecimento central e a casa toda aquecida, nesse caso, cuidado com a conta da luz! No próximo post falarei mais dos inconvenientes de estar muitas horas parado junto a uma fonte de calor, para já digo apenas que não é boa ideia.

Resumindo, em termos físicos, tente manter alguma atividade diária, dei, inclusive, em posts anteriores indicações sobre como exercitar-se no inverno, nomeadamente em Exercícios no Inverno, em que realcei, precisamente, a grande necessidade de não parar – é mau em qualquer idade, mas sobretudo em quem vai para novo e cujo corpo já não tem a mesma capacidade de recuperação rápida.

Passemos, agora, ao aspeto psicológico de hibernar durante períodos mais ou menos longos.

Como bem sabemos, muitos dos que já têm uns bons aninhos têm tendência para se verem como uns inúteis, ideia essa transmitida, há muito, pela sociedade e que interiorizamos desde bem cedo – o célebre idadismo. Ora passar dias a fio enfiado num sofá ou, pior ainda, na cama, só porque estamos no inverno e não apetece fazer nada, só irá reforçar essa ideia – o célebre “estou para aqui parado, não sirvo para nada”. Faça, pois, um esforço para “sair da sua concha”.

Em Preparemos o inverno dei uma série de sugestões, desde atividades de acordo com o seu gosto a outras de preparação do futuro – planear uma viagem com todos os detalhes, por exemplo. E se fez “o trabalho de casa” já terá uma listinha pronta para ser ativada agora que chegou o inverno. Mas se não a tem, não se preocupa, ainda está muito a tempo – bom, o inverno até só chega oficialmente daqui a umas duas semanas...

Pense, sobretudo, em aproveitar os dias de sol – e no nosso país são até bastantes nesta época do ano, sob esse aspeto somos, de facto, uns grandes felizardos. Esqueça o frio, os agasalhos fizeram-se precisamente para isso, e saia, passeie, divirta-se. Mesmo que tenha outros planos, a contar com chuva ou mau tempo, se vir que o dia afinal está bom, mude-os imediatamente.

E nestas próximas semanas não faltam coisas para ver e fazer. São cada vez mais as cidades e vilas com Aldeias de Natal e muitas outras atividades relativas a esta época festiva e que se prolongam até janeiro. Aproveite-as, mesmo se é dos que acham que “Natal é para os miúdos.” Sempre é uma coisa diferente e que só acontece uma vez por ano.

Se tem parques e jardins perto de si, vá até lá, nem toda a natureza hiberna, há sempre plantas vivas e, talvez por serem menos numerosas, “brilham” mais nesta estação. E, sobretudo nas cidades, há cada vez mais aves supostamente de arribação que optam por passar o ano todo no mesmo local – onde eu vivo há várias andorinhas que o fazem. Mesmo se a natureza não é a sua onda, aproveite, é uma distração e, quem sabe, poderá até descobrir que gosta.

Tire, também, proveito de ser uma altura do ano muito menos turística e vá visitar monumentos, museus e outros locais que estão sempre a abarrotar nos meses mais quentes. E com o novo passe verde da CP, poderá, até, com alguma facilidade, explorar locais fora da sua terra.

Lembre-se, a partir de uma certa idade, “parar é morrer” deixa de ser uma mera expressão, passa a tratar-se uma verdadeira constatação da realidade.

Para a semana: Maleitas invernais. Para muitos, o inverno traz consigo, ou agrava, muitas maleitas, pequenas ou não.

172 - Voltemos à segurança

Falei anteriormente sobre este tema, nomeadamente em Fraudes – onde mencionei algumas das causas dos longevos serem alvos preferenciais e descrevi algumas fraudes comuns – e em Segurança – um post mais virado para manter a sua casa segura de assaltos e precauções a tomar na rua.

Irei repetir aqui alguns desses pontos, é que infelizmente as situações vão-se repetindo ou, no caso das fraudes, “refinando” e há avisos contínuos sobre novas táticas – algumas bem sofisticadas – para nos separar do nosso dinheiro.

Comecemos pelas fraudes por e-mail. Se não o usa, leia à mesma, poderá ser útil para quando fala com alguém que o faz.

Uma das mais populares consiste no envio de e-mails supostamente da polícia, bancos, etc., a alertar para problemas diversos e com um link para os resolver. Ainda esta semana saiu um aviso das Finanças a alertar para e-mails fraudulentos supostamente enviados por esse serviço relativos a impostos por pagar – pois é, estamos no mês do pagamento do IMI...

Repito aqui o conselho já dado anteriormente, por mim e por milhentas pessoas e entidades: NUNCA clicar em links destes. Se tiver dúvidas sobre o assunto citado – uma falta de pagamento às Finanças, por exemplo – vá diretamente ao site desse serviço e procure ali as informações de que precisa. E sim, se for uma dívida ao fisco, estará assinalada na sua página pessoal.

Lembre-se, também, de que bancos, Segurança Social, Finanças e similares nunca, mas mesmo nunca pedem dados pessoais por e-mail, só o fazem no respetivo site a que só se acede após inserir senhas e quejandos – os melhores nem permitem que os navegadores guardem a senha e estão sempre a arranjar formas adicionais de identificação.

Passando ao Multibanco, há várias formas de o adulterar para obter cartões para clonar e dados de acesso. Muitas passam pela colocação de um teclado falso, uma câmara disfarçada e similares. O conselho dado é que examine bem o terminal antes de o usar e evite os que estão na rua e em locais isolados – é bem mais difícil adulterar uma máquina instalada num banco, por exemplo, ou num local com bastante vigilância e que está fechado uma parte do dia.

A burla mais recente usa, precisamente, a tendência das pessoas em clicarem em links desconhecidos. Recebem no telemóvel uma mensagem aparentemente do banco, clicam e, sem o saber, instalam uma aplicação maliciosa, NGate, capaz de recolher os dados dos cartões associados a esse telemóvel. E há até casos em que essa transferência de dados foi feita apenas por contacto de um leitor NFC à carteira ou mochila da vítima. Resultado, levantamentos sem precisarem de ter os nossos cartões físicos.

Lembre-se, apesar de a segurança do uso de cartões e do Multibanco estar sempre a aumentar, este é um caso típico de “corrida aos armamentos”: um “tanque” melhor dá origem a um “canhão” melhor, este obriga a melhorar o “tanque”, o que leva a melhorar o “canhão”...

Há outro tipo de fraudes, ou antes, burlas, que atingem sobretudo quem vai para novo, fiando-se os burlões no desconhecimento que muitos têm de vários assuntos, sobretudo em zonas mais rurais.

Por exemplo, a já velha mas aparentemente ainda popular troca de notas “desatualizadas”, o caso de que penso já ter falado da troca de televisores, etc. porque iam deixar de funcionar – troca essa que exigia, claro está, um pagamento adiantado.

Outro esquema muito na moda é o das “contas por pagar”. A vítima é contactada, por e-mail, telefone ou até em casa porque não terá pago a conta da luz, gás, etc. e terá de o fazer de imediato ou cortam-lhe o fornecimento. Perante isto, muitos pagam o exigido e só depois descobrem a mentira – pequeno detalhe, todos esses serviços enviam inúmeros avisos antes de cortarem o fornecimento, mais ainda, perante uma situação destas procure uma fatura e ligue para o apoio deles para saber o que se passa.

E como o Natal se aproxima, há que falar dos donativos para instituições de beneficência / causas. Infelizmente, há quem se aproveite da boa vontade das pessoas para as burlar. E também aqui, as verdadeiras instituições não mandam e-mails em massa a pedir dinheiro. Mesmo que seja “cliente” habitual, não clique no link, vá, isso sim, ao respetivo site procurar os dados para um donativo. E se nunca ouviu falar da organização ou causa, pesquise-a antes de doar, por muito boa que lhe pareça a iniciativa.

Já agora, e como é uma época em que muitos recebem encomendas, não caia na burla do e-mail supostamente dos CTT com a indicação de que têm uma encomenda que não podem entregar porque é preciso pagar direitos alfandegários – se fosse verdade, receberia um aviso “físico” em casa, se têm uma encomenda para si então têm o seu endereço!

Esta parte final poderá ser um pouco polémica, mas continua a haver muitos casos destes. E começo por dizer que não tomo, aqui, qualquer posição sobre o assunto, cada um acredita no que quer e desde que não exijam que eu faça o mesmo, tudo bem.

Refiro-me a bruxos / bruxas e às avultadas burlas que cometem e de que só conhecemos uma pequeníssima parte uma vez que muitas das vítimas não fazem queixa por terem vergonha de terem sido enganadas.

Repito, não julgo as crenças de ninguém e tenho, até, lido bastante sobre o assunto. Mas há um sinal de alerta claro: o pedido de quantias avultadas ou de joias. O pretexto é, muitas vezes, precisarem disso para duplicar o seu valor. Pois bem, se é capaz disso, porque não o faz para si? Ou fá-lo pelos outros por pura bondade do coração?

Há, também, questões de saúde que prometem resolver a troco de quantias mais ou menos avultadas. Ora isso sempre me meteu confusão, curar pessoas denota bondade, acha, então, que isso se coaduna com a exigência de uma fortuna para o fazerem?

Por isso, lembre-se, se um suposto bruxo / bruxa diz que lhe resolve tudo e mais alguma coisa a troco de muito dinheiro – ou diz que precisa disso para fazer o seu feitiço – lamento, mas não passa de um burlão.

Para a semana: Inverno não é desculpa para hibernar. A menos que haja um temporal, não faltam atividades e saídas nesta época do ano.

171 - Comida conforto

Agora que estamos a entrar num período de dias frios, cinzentos, chuvosos e ventosos, que criam – ou exacerbam – depressões e uma sensação generalizada de desconforto, está na altura de falar da chamada comida de conforto.

Basicamente, a comida de conforto – ou comida reconfortante – é, como o próprio nome indica, um tipo de refeições que melhoram o nosso bem-estar físico e também psicológico pelas suas ligações nostálgicas ou emocionais. E, apesar de se poder pensar que é uma expressão relativamente moderna, já se encontra uma referência a alimentos reconfortantes no livro Dom Quixote de 1615! Mas a sua grande divulgação arrancou em meados do século 20 e só foi registada em dicionários (americanos) na década de 1990.

Apesar de ser, muitas vezes, uma escolha pessoal – ou seja, o que me reconforta a mim pode nada fazer por si – este tipo de comida é, em geral, substancial e rica em gordura e / ou açúcares. Daí ser frequente o uso de chocolate, gelados, guisados, sopas grossas e similares para esse fim. Quem não se lembra das inúmeras vezes em que, em filmes e séries, a protagonista – sim, é quase sempre uma ela – vai buscar uma caixa de gelado por se estar a sentir deprimida ou ataca o seu stock de chocolates e doces?

Tem havido, até, estudos sobre este assunto e que dividem este tipo de comidas em quatro tipos:

- Nostálgicas, normalmente associadas à nossa infância ou a períodos felizes da nossa vida.

- Indulgentes, no sentido de esquecer dietas e alimentação saudável e comer aquilo que apetece mesmo, por muito mal que faça.

- De conforto físico, em que a sua composição gera bem-estar, emocional e físico, como o café ou o chocolate, por exemplo.

- De conveniência, bom, como o nome indica, já estão preparadas ou são de fácil obtenção – sobretudo agora, com as entregas ao domicílio – e cuja componente “conforto” vem, precisamente, de não ser preciso fazer nada (ou quase nada).

Resumindo, há várias vertentes na comida de conforto, muitas delas viradas para momentos da nossa vida em que nos sentimos felizes. Mas algumas contêm, também, nutrientes importantes para a nossa saúde mental, como vitaminas B e magnésio, por exemplo, que produzem neurotransmissores que regulam o nosso humor.

E, precisamente porque muita dela está associada a recordações muito nossas, varia muito, não só de pessoa para pessoa mas também de país para país. Já agora, se estiver interessado, encontra aqui uma lista das comidas de conforto de alguns países – infelizmente, Portugal não está incluído...

Mesmo assim, algumas das favoritas dos portugueses incluem as sopas tradicionais, muito fortes e com batata e outros legumes, os guisados de todos os tipos, incluindo feijoadas e similares, as açordas, o empadão, que não tem de ser só de carne, favas com várias carnes de porco, o velhinho rancho e, claro está, o cozido à portuguesa, isto para só falar em salgados. Quanto aos doces, bom, os tradicionais caem quase todos neste critério.

Mas há outros aspetos nem sempre referidos quando se fala de comida de conforto e que eu acho igualmente importantes para o reconforto da nossa alma: os aromas e as cores.

No recente post A depressão do outono / inverno referi, precisamente, como os cheiros podem ajudar a melhorar a nossa disposição. E isso é sobretudo verdade quando estão associados à comida. Por exemplo, o cheirinho que fica na casa quando se faz um bolo – ou pão. Sobretudo para quem vai para novo e cresceu antes das “modernices” da comida que basta pôr no micro-ondas, o cheiro que invade a nossa habitação quando cozinhamos pode ser muitíssimo reconfortante – bom, também pode ser mau, como o célebre cheiro a couves que se entranha em tudo e não é particularmente agradável.

Não é, aliás, um mero acaso existirem à venda velas com cheiro a canela, por exemplo, ou a baunilha. De um modo geral, o aroma de especiarias quando estão a ser cozinhadas é muito reconfortante – daí a indicação de as colocar logo na fase inicial, a seco ou quase, para libertarem os respetivos aromas.

Nesta área, ainda mais do que na dos sabores, o fator “reconfortante” é mesmo uma opção pessoal. Vá, pois, experimentando até encontrar os que resultam melhor consigo. E repito aqui o que disse no post citado, evite os ambientadores em spray ou similares, dê preferência a óleos essenciais. E na cozinha, introduza novos sabores, a variedade de condimentos à venda é cada vez maior e encontrará, certamente, alguns do seu agrado em termos culinários e de aroma.

Passemos, agora, às cores. Sobretudo em dias cinzentos, tente dar algum colorido aos seus pratos, através dos ingredientes ou da guarnição. Abóbora e cenoura, por exemplo, uma ver que a cor laranja está associada ao conforto e é, também, estimulante. Ou elementos vermelhos, como tomate ou pimentos. E há ainda o amarelo, pode sempre usar aqueles pimentos miniatura.

Decore, também, o produto final, um pouco de salsa ou coentros fica sempre bem, ou, para variar, vá experimentando com outros verdes E já há misturas de ervas – ou só cebolinho – vendidas em frasco para incluir em saladas e que são ótimas por cima da comida, dando-lhe um toque verde que lembra o renascer da primavera. O importante é não ter à sua frente um prato monocromático, para isso bem basta o cinzento exterior em muitos dias de inverno.

Último detalhe, como a chamada comida de conforto tem, normalmente, ingredientes muito ricos – leia-se, calóricos – ou usa modos de confeção não exatamente saudáveis, tente não abusar dela. Ou, melhor ainda, crie para consumo mais corriqueiro, versões mais leves – como uma feijoada de peixe, por exemplo, ou uma jardineira em que usa curgete ou nabo em vez da batata. Para além de estar a proteger a sua saúde, transformará o consumo da “verdadeira” num evento especial para aquelas ocasiões em que precisa mesmo de um empurrãozinho para se sentir um pouco mais animado.

Para a semana: Voltemos à segurança. Há cada vez mais "truques" para lesar pessoas, sobretudo idosos, e outros, bem velhinhos, que voltaram a aparecer.

170 - Menopausa

Apesar de ser algo totalmente natural e inevitável, a menopausa continua a ser vista com temor por muitas mulheres. Só que, tal como o envelhecimento, o único modo de a evitar é... não viver até ela chegar!

Como penso que todos sabemos, a menopausa consiste no fim da existência da menstruação e marca o término dos anos férteis de uma mulher. Não há uma idade certa para o seu aparecimento, podendo ocorrer, em geral, entre os 40 e os 58 anos – no mundo ocidental a idade média é de 51,4 anos e em Portugal ronda os 48. Mas pode aparecer mais tarde, por volta dos 60 anos. E há, também, a menopausa precoce que surge por volta dos 30 anos.

Facto curioso, apesar do aumento brutal da esperança de vida das mulheres nas últimas décadas, por mim referida em vários posts, a idade média da menopausa tem-se mantido constante.

Basicamente, a menopausa surge devido à redução – e eventual paragem – da atividade dos ovários, que deixam de soltar óvulos todos os meses, acompanhada de uma redução na produção de estrogénios. E, para ser definitivamente declarada como estando presente, é preciso que a mulher em causa tenha ausência da menstruação normal há pelo menos um ano, sem que haja outros motivos para tal.

Já agora, há algumas causas que podem provocar uma menopausa precoce, como tabagismo, hipertiroidismo, quimioterapia, radioterapia, epilepsia, exposição a químicos tóxicos e, até, a toma de antidepressivos.

A intensidade e tipo de sintomas podem variar muito de mulher para mulher, é definitivamente uma daquelas situações em que cada caso é um caso. Dito isto, os sintomas mais usuais são:

- secura vaginal, devido à atrofia da mucosa vaginal;

- afrontamentos, ou seja, ondas de calor que surgem de repente sem que haja uma razão ambiental;

- suor excessivo, também sem razão para a sua presença;

- enxaquecas, dores de cabeça;

- aumento de peso, acumulação de gordura na barriga;

- mudanças bruscas de humor, irritabilidade, ansiedade;

- palpitações cardíacas.

Como disse, varia muito de pessoa para pessoa, exceto a secura vaginal que surge sempre e muito frequentemente, uma maior suscetibilidade para infeções urinárias.

A boa nova é que há modos de minorar estes sintomas. Mas, um pequeno conselho com base na minha experiência pessoal, não corra logo para o médico a pedir tratamentos hormonais – aguarde um tempinho para poder avaliar a sua intensidade, quem sabe, poderá ser, até, uma das sortudas que entra na menopausa quase sem dar por ela. Mesmo assim, esteja preparada para a ideia de que os ditos sintomas poderão surgir intermitentemente durante alguns anos.

Um dos tratamentos mais usuais consiste no uso de contracetivos de baixa dosagem para reduzir os chamados afrontamentos e diminuir a irritabilidade e a secura vaginal. Mas há estratégias de vida que pode adotar, em termos de dieta, exercício e redução do stress, que ajudam bastante. E, mais uma vez, parar de fumar...

Há também, alguns suplementos que podem ajudar com os sintomas da menopausa, como a isoflavona de soja e a vitamina E. E alguns chás também podem miorá-los, como o de amoreira, gengibre, verbena, camomila, sálvia.

Em termos de alimentos, recomendam-se:

- alimentos ricos em vitamina E, como legumes de folhas verdes e óleo de gérmen de trigo;

- alimentos ricos em cálcio, como laticínios, soja e sardinhas;

- alimentos ricos em ómega-3, como cavalas, salmão, atum, truta, nozes, gérmen de trigo e óleo de linhaça;

- evitar alimentos muito condimentados ou ácidos, bebidas alcoólicas, café, alimentos com alto teor em açúcar e gorduras.

E o aumento de peso associado à chegada da menopausa pode ser combatido com uma alimentação mais cuidada e, acima de tudo, com a prática de exercício físico, que ajude a converter as tais gordurinhas em músculo.

Mas para muitas mulheres o grande problema da entrada na menopausa é psicológico. Mesmo que não queiram, há anos, ter mais filhos – ou nunca os tenham querido ter – o fim da idade fértil fá-las, muitas vezes, sentirem-se “menos mulheres”. Junte-se a isso a secura vaginal acima citada, que pode causar problemas em termos de relações sexuais, e ainda uma certa redução do desejo sexual (sim, é um dos sintomas) e temos a tempestade perfeita.

Até há alguns anos, isso não era grande problema, com a grande diferença de esperança média de vida entre homens e mulheres havia fortes probabilidades de entrarem na menopausa já viúvas. Mais ainda, atendendo a que a atitude reinante era que o desejo sexual era exclusivamente masculino, a sua diminuição não era, exatamente, um transtorno. E socialmente, o percurso de vida de uma mulher estava demarcado em três fases: jovem, mulher e velhota... ou seja, a menopausa era apenas a passagem de um escalão ao seguinte.

Penso que seria importante nas consultas médicas sobre a menopausa dedicar um tempinho a esta vertente, ajudaria muito com a saúde mental desta fatia da população. Sobretudo porque muitas mulheres ainda se acanham para falar de questões destas. Mas como solução “caseira”, aqui ficam algumas dicas:

- pense no dinheiro que vai passar a poupar por não precisar de comprar pensos ou tampões; e quando viaja, é menos uma preocupação e menos uma coisa a meter na bagagem;

- acabou-se, também, o incómodo mensal da menstruação, o inchaço que traz a muito boa gente e, em muitos casos, o fim das cãibras menstruais;

- fim da toma de contracetivos ou da necessidade de tomar outras precauções para evitar engravidar (sim, nunca se sabe, já tem havido surpresas para muitas mulheres que se achavam demasiado velhas para isso).

Ou seja, pense na menopausa não como um fim mas como um início de uma época de mais liberdade em termos do seu corpo, sem estar sujeita aos ditames dos ciclos menstruais – curiosamente, as mesmas pessoas que durante anos lhe chamaram vários nomes nada abonatórios passam a lamentar o seu fim! E quanto aos possíveis problemas que a secura vaginal possa trazer para uma vida sexual plena e confortável, informe-se, não faltam soluções por aí!

Para a semana: Comida conforto. Com o tempo a arrefecer e a ficar mais cinzento, é altura de falar de comida reconfortante e cheia de cor.

169 - A depressão do outono / inverno

Toquei anteriormente neste assunto em vários posts, nomeadamente em Acabaram as férias, em que sugeria usar o período pós-férias de verão para planear ocupações para os meses mais frios e desagradáveis do ano. E disse, também, ali que, “Do meu ponto de vista, o outono é a estação em que a natureza, tendo-se expandido nas duas estações anteriores, começa a concentrar os seus recursos para preparar o ciclo seguinte”, um exemplo que devíamos seguir nas nossas vidas.

Mas hoje irei concentrar-me mais no desânimo, depressão, até, que os dias menos bons associados a estas duas épocas trazem a muito boa gente. Sim, sei que há quem adore o outono – eu, por exemplo – com a mudança de cor das folhagens e o fim do calor por vezes excessivo do verão. Ou o inverno, sobretudo se há neve e sol ou, no mínimo, frio seco e soalheiro, em que até apetece ir dar uma voltinha lá fora.

O problema é que há também muitos dias cinzentos, com ou sem chuva, em que não apetece mesmo nada sair de casa a menos que sejamos obrigados a fazê-lo e em que acabamos por nos sentir tão lúgubres como o tempo lá fora. E os dias cada vez mais curtos também não ajudam, se acordamos cedo esperamos uma eternidade até que surja o sol – caso surja, claro – e ainda mal estamos a meio da tarde e já está a escurecer. Pequeno detalhe, há mesmo um tipo de depressão associada à falta de luz diurna, foi detetada, como não podia deixar de ser, nos países nórdicos.

Que fazer, então, para nos ajudar a ter melhor disposição, sobretudo quando o mau tempo se estende por vários dias?

Bom, uma primeira medida que podemos tomar é usar o tipo de lâmpadas certas. Já repararam, certamente, que as há com luz mais branca ou mais amarelada. Pois bem, essa é uma característica chamada “temperatura da luz” e que, diga-se de passagem, nada tem a ver com a temperatura física mas sim com a tonalidade da cor da luz.

Há basicamente três tipos: quente (amarelada), neutra (branca) e fria (azulada). Mas aqui só nos interessa a primeira, uma vez que cria um ambiente mais acolhedor e confortável, próximo do criado pelas antigas lâmpadas de incandescência. Para saber se está a comprar essa tonalidade, procure na embalagem a indicação da temperatura, deve ser entre 2700 e 3000 K (graus Kelvin) – quanto mais baixa, mais amarelada é. Ponha essas lâmpadas nos locais onde costuma passar mais tempo durante o dia e verá que se sente um bocadinho mais animada.

Outra proposta que já dei anteriormente é ter capas bem coloridas para as suas almofadas decorativas – já agora, se não as usa, invista em algumas, há-as muito baratas e não faltam, também, coberturas para todos os gostos. Escolha tons quentes e que chamem logo a atenção quando entra nessa divisão e, melhor ainda, compre várias para ir variando com frequência, criando assim um efeito de surpresa quando as vê. É, também, um modo barato de ir alterando a decoração da sua casa.

Passemos às flores. Como todos sabemos, alegram imenso qualquer ambiente, mas nem sempre é possível termos flores frescas. Ora isso não deveria ser um impedimento a decorarmos a casa com elas, há, agora, flores artificiais de muito boa qualidade. Quando as escolher, não se esqueça de incluir algumas com cores bem vivas, a ideia aqui é fazer esquecer o cinzento do tempo que faz no exterior. Inclua, também, alguns verdes – aliás, como estes duram bastante, pode usar dos verdadeiros.

Mas não se limite a fazer uns arranjos para espalhar pela casa e em que não volta a tocar! Não, trate estas flores artificiais como se fossem frescas e crie novos arranjos todas as semanas. Para além de ser uma ocupação terá assim sempre algo novo e vibrante no seu espaço doméstico.

E quando surgem dias a fio com chuva e vento, sabe o que é agradável? Passar umas horas na cozinha. Aproveite para experimentar receitas novas, abasteça o seu congelador com sopas e todo o tipo de comida de conforto, tente até, porque não, fazer pão de vários tipos – o cheirinho que deixa na casa é imbatível. Para além de ser uma atividade útil, o calor e os cheiros produzidos alimentar-lhe-ão a alma, fazendo-a esquecer o mau tempo.

E por falar em cheiros, todos temos alguns que nos trazem boas recordações e que nos enchem a alma de calor. Mas não use e abuse de ambientadores de compra, não são necessariamente bons para a saúde e é bastante fácil produzir os seus. Neste site encontra boas indicações sobre como fazer vários tipos deles mas, como primeira indicação, experimente varetas de incenso: há-as disponíveis para todos os gostos e feitios, como jasmim, alfazema e outros mais complexos, e são muito fáceis de usar.

Os óleos essenciais também são muito úteis para criar um ambiente caloroso e agradável, já lá vão os tempos em que eram difíceis de encontrar. Basta um pequeno “queimador”, também à venda em muitos sítios, e poderá rodear-se dos seus aromas preferidos.

Finalmente, a sua roupa e a da casa. Os dias mais sombrios são ideais para usar alguma cor, uma echarpe, por exemplo, ou uma blusa mais animada. Ou, se costuma cobrir as pernas com uma manta quando está sentada, escolha uma colorida, garrida, até. E, se puder, tenha mais do que uma para, mais uma vez, não entrar na monotonia de ver sempre o mesmo ambiente à sua volta. Faça o mesmo com a toalha de mesa ou panos de tabuleiro que usa para as suas refeições – já agora, tente incluir um elemento de cor no seu prato, nem que seja, simplesmente, um pouco de alface ou umas rodelas de tomate.

Resumindo, uma vez que o exterior é cinzento e lúgubre, tente tornar o interior colorido, animado e caloroso – pode parecer uma coisa de somenos, mas anima bastante o espírito.

Para a semana: Menopausa. Como já falei da próstata, é justo dedicar um post só às mulheres,

168 - Escrever as memórias

Não deixe que o título o impeça de ler este post, é que “escrever” tem aqui vários significados, ou seja, não quer dizer necessariamente usar papel e caneta – ou um computador, claro. Mas antes de passarmos ao “como”, falemos do “porquê”.

Há várias razões para anotar momentos do seu passado. A primeira é, claro está, poder proporcionar-lhe alguns momentos agradáveis e uma distração. Bem sei que as nossas vidas nem sempre correram “sobre rodas”, mas, com a passagem do tempo, às vezes recordar os maus momentos pode, até, ser terapêutico.

Mas atenção, quando falo em “escrever” as memórias, não me refiro a remoer quezílias, ódios de estimação e todas essas coisas negativas. Bem basta o peso que muitas delas já tiveram na nossa vida, não precisamos de lhes dar uma nova força nos anos que nos restam.

Refiro-me, isso sim, a tentar recordar momentos da nossa existência, mas não a seco, digamos, ou seja, isolados da sociedade e do ambiente em que vivíamos na altura. Ou seja, se for, por exemplo, algo passado durante a instrução primária, que tal pintar o cenário em que isso se passou? Como era a escola, a turma, a professora, os colegas, as atividades depois da escola, caso existissem? Pense em si como uma espécie de historiadora amadora, tendo sempre em mente que o contexto é importantíssimo, ou seja, um ato pode mudar totalmente de significado se tivermos em conta a época e local onde decorreu.

E, acredite, a dificuldade está em começar, é um daqueles casos em que uma recordação puxa outra que puxa, por sua vez, mais uma (ou várias).

Mas há uma outra razão para que quem vá para novo “escreva” as suas memórias. Pelo que tenho visto e lido, há agora muito interesse entre os mais novinhos em descobrir coisas sobre a sua família. Há até escolas que põem os alunos a fazerem projetos de genealogia e não faltam sites onde se podem descarregar modelos de árvores genealógicas.

Só que muitos acham-nas um pouco “secas”, ao fim e ao cabo não passam de uma mera listagem de nomes e das relações familiares entre eles. Há, pois, quem tenha bastante interesse em saber mais sobre essas pessoas com quem têm laços familiares. Que tal antecipar-se e criar a sua própria árvore genealógica, mas com pequenas biografias das pessoas ali indicadas? Lembre-se, em muitos casos será a única a recordar ainda uma bisavó, um tio-avô, uma trisavó, até.

Há também gerações mais jovens que querem saber como era “antigamente” – apareceu, até, recentemente um jogo que trata precisamente disso, chama-se, claro, “Como era antigamente”. Não sei se é bom ou mau, mas não englobará, certamente, todas as vivências possíveis e muito menos todos os períodos dos últimos cem anos, por exemplo.

Sei que estará a dizer, mas os meus filhos nunca mostraram o menor interesse pelas minhas histórias. Pois, este é um daqueles casos em que muitas vezes o interesse salta uma geração. Ou até mais, quem sabe, os seus bisnetos poderão querer saber mais sobre si e já não haver ninguém para lhes contar como era.

Passemos agora ao “escrever” em si.

Pode ser, claro, escrita a sério, manual ou via computador. Mas se adotar esta solução, não tente escrever uma autobiografia e muito menos uma obra-prima, garanto que desistirá em menos de nada. A melhor opção é ir escrevendo coisas à medida que as recorda, sem uma ordem específica.

E se quer evitar que fique uma confusão, cronologicamente falando, bom, a solução é simples, use vários cadernos – ou ficheiros no computador – e destine-os a épocas diferentes. Assim, os episódios anotados poderão não estar na ordem certa, mas estarão, certamente, no período correto.

Uma opção mais simples para quem não gosta de escrever – ou tem dificuldades físicas para o fazer – consiste em ditar as suas memórias. Para além do telemóvel, não faltam pequenos gravadores portáteis, alguns até com a opção de pararem a gravação nos períodos de silêncio. Ou pode, muito simplesmente, usar opções online como o Google Docs.

E para passar o áudio para texto escrito, há vários programas, gratuitos ou a pagar que fazem essa transcrição – pequeno aviso, há sempre um período de “aprendizagem” do programa e nem sempre funcionam bem na nossa língua, lembremo-nos de que foram criados para o inglês e os que dizem que aceitam português referem-se, muitas vezes, ao do Brasil. Ou, caso tenha um computador com um Windows mais recente, pesquise as suas capacidades, pode ter o programa Acesso por Voz que lhe permite ditar o que quer escrever.

Mas há outras coisas que pode fazer. Por exemplo, tem certamente em casa álbuns antigos cheios de familiares que as gerações mais novas já não sabem quem foram – se calhar também já são desconhecidos para si...

Que tal ir desfolhando esses álbuns e anotando nomes e alguns dados sobre as pessoas e ocasiões ali representadas? Pode, por exemplo, atribuir números às fotos, anotar o nome por trás e escrever o que recorda sobre a pessoa ou ocasião em folhas que pode, até, inserir no álbum.

Outra maneira divertida de unir genealogia e recordações é criar álbuns que incluam fotos, textos e outros elementos – no post Distrações dei alguns links sobre scrapbooking, uma técnica muito popular em vários países e que permite criar álbuns específicos para inúmeras ocasiões. Mesmo sem fazer uso das suas técnicas decorativas, que tal adicionar informações adicionais às suas fotos e míni biografias? Como algo sobre a aldeia / cidade / país onde essa pessoa viveu.

Enfim, há inúmeras possibilidades de “escrever” as suas memórias. E apesar de eu ter falado em partilhá-las com as novas gerações, nada o impede de as fazer apenas para si, como distração e como um modo de recordar momentos da sua vida que se destacam na sua memória no bom ou no mau sentido.

Pode, até, “atacar” em duas frentes e criar álbuns / textos para partilhar e outros só para consumo interno.

Para a semana: A depressão do outono / inverno. Sim, existe e pode ser pior em quem vai para novo.

167 - Os problemas dos cuidadores

Já mencionei, de passagem, este tema no post Ajudar a geração sanduíche, em que falava dos problemas de quem, já estando na idade da reforma, tem a seu cargo familiares ainda mais idosos. Referi, então, que das pouquíssimas vezes em que este assunto era tratado a nível governamental, a solução era sempre a mesma: atirar dinheiro ao problema.

Criou-se, finalmente, a figura do “cuidador informal”, mas, lendo alguns dos requisitos, fica-se a pensar que não abrange muitos casos. Por exemplo,

- Saúde: ter condições de saúde adequadas para cuidar da pessoa.

Hum... e os muitos casais em que um deles tem problemas graves e o outro tem de cuidar dele apesar de também não estar nada bem? E filhas, etc., que, apesar de terem todo o tipo de maleitas têm a seu cargo pessoas idosas?

É claro que, conseguido este estatuto, o que até nem é nada fácil e muito menos rápido, o subsídio sempre dá algum alívio financeiro. Mas, como referi no post acima citado, essa ajuda, apesar de importante sobretudo para quem tem poucos ou nenhuns rendimentos, peca por não cobrir aspetos que podem ser cruciais para os cuidadores.

Andei à procura e até encontrei alguns cursos – quase todos online – para cuidadores informais. Analisei os seus programas e, francamente, pareceram-me muito teóricos e demasiado virados para o tema “onde arranjar subsídios e apoios”, sem grande componente prática aplicável às questões do dia-a-dia. Este site governamental anuncia alguns manuais que, pelo título, até parecem bons, infelizmente a maior parte deles não abre. Num outro site encontrei este, em PDF, que se pode descarregar – fi-lo, mas ainda não o consegui ler todo.

Numa outra altura entrarei em mais detalhes sobre o papel de um cuidador de idosos, o que deve e não deve fazer e como otimizar as coisas para lhe facilitar o trabalho, mas limitar-me-ei aqui aos seus problemas.

E muitos deles são de caráter prático, sobretudo tratando-se de pessoas de idade com alguns problemas de mobilidade ou até acamadas. É que, muito francamente, uma pessoa “normal” não tem formação para mudar uma fralda de um acamado ou fazer-lhe a cama sem o incomodar, dar banho a um idoso tendo em conta a fragilidade da sua pele, dar uma massagem para melhorar a circulação ou, pior ainda, levantá-lo caso tenha caído. Isto para não falar em conceitos básicos de Primeiros Socorros, acima de tudo a chamada ressuscitação cardiopulmonar.

E quando a pessoa que executa estas tarefas também está bem avançada na sua ida para nova, as dificuldades aumentam e podem criar-lhe problemas de saúde mais ou menos graves.

Já o disse anteriormente e repito, não será mais do que altura de postos médicos, juntas de freguesia e similares prestarem atenção a este problema? Seria, certamente, bem mais útil do que a usual choraminguice sobre o “envelhecimento da população”. Que tal darem uma vez por mês ou mais frequentemente, caso haja muita procura, pequenas aulas práticas sobre estas questões para a população da zona com idosos a seu cargo? Acreditem, estariam sempre lotados!

Outra questão que um subsídio – caso se consiga obter um, claro – não resolve é o stress, a sensação de ter o mundo a fechar-se à sua volta, que muitos cuidadores sentem. É que à medida que o estado físico e / ou mental da pessoa a seu cargo se deteriora passa a haver cada vez menos tempo para si, para se dedicar à sua vida e passatempos, às vezes até para uma mera saída, recorrendo-se, cada vez mais, a serviços de entrega ao domicílio ou à boa vontade de um familiar ou vizinho.

Sim, já há serviços de assistência temporária que permitiriam aliviar esse peso durante umas horas, um fim de semana, até. Mas não existem em todo o lado e, acima de tudo, não estão ao alcance de todas as bolsas. É claro que o conselho usualmente dado é o cuidador ter uma boa rede de apoio pessoal que lhe permita ser substituído de vez em quando, mas todos nós sabemos que isso nem sempre é viável.

Ou seja, como sugeri anteriormente, o ideal era, isso sim, existir uma rede pública de apoio gratuita para quem não possa pagar ou a preços acessíveis para quem possa, formada por pessoas fiáveis e com alguma formação que pudessem dar uma folga periódica aos cuidadores, sobretudo os que não têm outra alternativa.

Finalmente, falemos do próprio cuidador. É que a ênfase vai, normalmente, para a pessoa cuidada, passando ao lado do enorme esforço emocional despendido por quem cuida. Pior ainda, sobretudo quando já têm alguma idade e foram criadas “no antigamente”, muitas mulheres cuidadoras sentem-se egoístas se tirarem um tempinho para si e, muito francamente, a sociedade e os que as rodeiam nada fazem para combater essa ideia.

O resultado é termos cuidadores em estado de stress crónico, que se reflete em problemas de sono, por exemplo, o que leva a uma irritabilidade crescente. E, como não somos santos, por muito que queiramos lá bem no fundo acabamos por nos ressentirmos, de certo modo, de toda a situação em que nos vemos. Seria importante terem alguém que lhes lembrasse o que é dito nos aviões quando falam de pôr a máscara: primeiro pomos a nossa e só depois é que ajudamos outras pessoas. É que se vão abaixo, física ou mentalmente, quem cuidará da pessoa a seu cargo? Ou seja, tirar tempo para cuidar de si não é sinal de egoísmo, muito pelo contrário.

Numa altura em que há linhas de apoio para tudo e mais alguma coisa, não seria bom existir uma para cuidadores de idosos, onde pudessem desabafar à vontade? É que muitas vezes nem se trata de pedir conselhos ou opiniões, a pessoa quer, apenas, desabafar o que lhe vai na alma sem receio de julgamentos, uma vez que este tipo de chamadas é anónimo.

De todas as propostas que aqui apresentei, esta seria a mais fácil, barata e rápida de implementar e, garanto, ajudaria muitos a ultrapassarem o drama que acaba por ser cuidar de um idoso que já não consegue cuidar de si.

Para a semana: Escrever as memórias. Está na muito na moda, pelo menos em países de língua inglesa. E “escrever” não é literal, pode ser uma mera gravação áudio ou algo diferente.

166 - A propósito das Autárquicas

Bom, as Autárquicas já passaram, é altura de falar delas. O que aqui digo é também válido para as Legislativas, só que, atendendo a que estas últimas eleições envolviam Juntas de Freguesia, o órgão político que está, teoricamente, mais perto das respetivas populações, decidi falar só agora desta questão.

Só acompanhei por alto a campanha eleitoral, uma vez que já não tenho grande paciência para politiquices. Mesmo assim, houve algo que me chamou a atenção: a total ausência da camada etária mais “avançada”, ou seja, os denominados idosos.

E não me refiro às listas de candidatos, apesar de achar curioso que numa sociedade sempre a berrar por quotas para tudo e mais alguma coisa não haja uma para quem tem mais de 65 anos – é que já somos 23,4 % da população, ou seja, quase um quarto! Mas não vou falar disto porque, a) não faço ideia da composição etária de muitas listas e b) sou totalmente contra a existência de quotas.

A questão, para mim, está nos programas eleitorais. Com tanta conversa a toda a hora sobre o envelhecimento da população seria de esperar que isso fosse um tema em destaque, sobretudo nas muitas freguesias em que a média etária da população é bastante elevada. E são mesmo muitas, sobretudo em zonas mais rurais, mas também nas grandes cidades.

Há Câmaras com alguns projetos interessantes, como a de Cascais e a do Porto, por exemplo, mas este é um daqueles casos em que as Juntas de Freguesia deviam agir mais e em inúmeros campos de ação, do isolamento (continuam a surgir notícias de idosos que são encontrados mortos meses depois) ao chamado envelhecimento ativo e muitos outros. Lembro que há locais onde até o acesso ao Centro Médio da zona é totalmente inadequado para quem já não tem muita estabilidade.

Muito francamente, acho que a única solução é a chamada “brigada grisalha” começar a agir por conta própria nas áreas do seu interesse, pressionando, também, as entidades governativas locais para que ajam. Mas atenção, não sou a favor de manifestações e protestos de rua, o seu efeito real acaba por ser quase sempre nulo ou resumir-se a meia dúzia de promessas ocas.

É claro que a primeira ideia que vem à mente é criar associações de pessoas locais para lidar com determinadas questões. E já há algumas interessantes, que dão apoio a muitos “idosos” em situação menos boa.. Só que... pois, um colega meu dizia que o lema do nosso país é “para quê simplificar se podemos complicar”.

E, inevitavelmente, a criação de uma associação é uma tremenda complicação – ver aqui. Até mesmo a chamada criação de uma associação na hora, que é, segundo dizem, a mais rápida e simples. De qualquer dos modos, são estruturas muito pesadas e cheias de regras e estatutos, feitas mesmo à medida de um país altamente burocrático.

Sendo assim, que tal criar antes um grupo informal de pessoas que partilham as suas ideias e necessidades? Não se esqueça de que o Facebook, Instagram e outras redes sociais permitem a criação facílima de grupos, sendo, também, plataformas ótimas para os divulgar.

A grande questão aqui é ter uma causa clara. É muito bonito dizer que querem “melhorar a vida dos idosos”, só que isso soa a mensagem política, de tão vaga que é. Foque-se, pois, em problemas específicos. Por exemplo, melhoria dos acessos a edifícios públicos e não só na Freguesia de... Ou reduzir a solidão e isolamento dos idosos de... (uma zona específica).

Decidida a missão, escolha um título apelativo. Mas não basta: indique um programa, ou seja, exatamente qual é a intenção do grupo e alguns dos modos como vão tentar alcançá-lo. Mais uma vez, nada de frases vagas, entre em especificidades.

Bom, já estou a ouvir os comentários, pois, tudo isso é muito bonito, mas a Internet está cheia de grupo, de que serve eu criar mais um?

Pois bem, pense em todas as vezes em que esteve com amigas e se queixaram disto e daquilo. Ou foi a um centro médico local e os muitos ali presentes acabaram a trocar queixumes. Ou seja, se estiver atento, acabará por ver quais são as queixas mais comuns que ouve e, caso sejam também as suas, aí está um tema e, melhor ainda, potenciais aderentes.

Uma vez criado o seu grupo, não se coíba de o divulgar o mais possível. Se está num café ou loja, por exemplo, e houve falar de um assunto abrangido pelo seu grupo, publicite-o – já agora, sabia que é agora muito barato imprimir folhetos pequenos (10,5 x 14,8 cm) a cores ou cartões do género cartões de visita? Mais ainda, divulgue o seu grupo nos centros de dia e similares da sua zona, muitas instituições e locais públicos têm painéis para divulgação de eventos.

Pequeno detalhe, mesmo que o grupo tenha sido criado em torno de um problema enfrentado por quem tem uma idade mais avançada isso não significa que restrinja a adesão ao dito, muito pelo contrário, os jovens são, usualmente, muito bons a lidarem com redes sociais e a aparecerem com ideias inovadoras para ações de divulgação – mas, repito, nada de protestos de rua, acho-os uma ação negativa e não positiva.

E se o tema do seu grupo disser respeito a algo com que podem lidar diretamente, comecem a agir. Por exemplo, se o parque público da zona está um matagal e sem nada que o recomende para passar umas horas, informem-se sobre o que podem fazer por conta própria para o melhorar. Se é uma questão de minorar a solidão dos idosos ali residentes, tentem contactá-los, diretamente ou através de vizinhos e conhecidos, para organizar visitas periódicas de “chá e conversa” – e qualquer outro tipo de apoio necessário.

E mesmo que o seu grupo seja pequeno, não se coíba de contactar a sua Junta de Freguesia sobre os problemas com que lidam – aqui para nós, dizer que se representa o Grupo X ou Y tem mais peso do que falar a título individual... Mas, mais uma vez, faça uma abordagem pela positiva, ou seja, para além da questão indique algumas soluções possíveis e ofereça os préstimos do seu grupo para as ajudar a implementar.

Último detalhe, para não estar a “reinventar a roda”, veja que associações ou grupos já existem na área que lhe interessa – a pesquisa no Facebook é bastante fácil – e adira. Mesmo que não lhe agradem totalmente, poderão servir de inspiração.

Para a semana: Os problemas dos cuidadores. Das poucas vezes que se fala deste assunto, a "solução" é sempre a mesma: dinheiro. Mas será mesmo isso que faz mais falta?

165 - A morte de um cônjuge

Bem sei que esta é uma situação que pode acontecer em qualquer idade, mas quando a pessoa sobrevivente, digamos, já tem uma certa idade há complicações adicionais. Só uma pequena explicação, aqui cônjuge não tem o sentido de alguém com quem se está casado mas apenas o de um companheiro de longa data, independentemente do seu sexo ou do estatuto legal da união em causa.

Não irei falar muito da parte psicológica, uma vez que acho que cada caso é um caso e que todos reagimos de modo diferente a uma morte destas. Lembro apenas que um luto tem fases – não necessariamente as mencionadas em livros e filmes... E que embora seja perfeitamente normal e compreensível entrar em depressão após o evento, caso se passem meses e meses sem conseguir sair dela, então está na altura de pedir ajuda profissional.

Na segunda parte de Organizemo-nos referi várias medidas que podemos tomar para o caso “de nos acontecer algo”, medidas essas que facilitarão imenso a vida de quem cá fica. É que já basta ter de lidar com a morte de um ente tão chegado como é um cônjuge, a última coisa de que precisamos é de ter de andar à procura de papeladas, decidir sobre o tipo de funeral, etc., isto para além da muita burocracia ligada a tudo e mais alguma coisa em Portugal.

Passando – finalmente – ao âmago do tema deste post, a primeira coisa que tenho a dizer é repetir o conselho dado a quem ganha uma boa maquia na lotaria ou similares: não faça mudanças imediatas. E sim, sobretudo no caso de um casal não muito novo, estas serão, certamente, inevitáveis, mas tente adiá-las umas semanas ou meses até se sentir mais à vontade para tomar uma decisão mais informada e, acima de tudo, mais calma.

E este é um daqueles casos em que o caso de um viúvo – repito, legal ou não – e de uma viúva podem diferir.

Comecemos pelo caso de um homem. No nosso país, em muitos casais de idade avançada os seus papéis não mudaram nada ou quase nada desde o início da sua relação, refletindo o que era considerado um comportamento “normal” na sociedade de então. Ou seja, há fortes probabilidades de ele nunca ter tratado da lida da casa ou das refeições, sentindo-se, pois, perdido quando se vê só perante tudo isso.

E se tem família chegada, filhos, por exemplo, é muito fácil deixar-se convencer a ir para casa de um deles ou para um lar perante o argumento de “agora, sozinho, como é que se vai governar?”

É aqui que entra o conselho que dei acima. Ou seja, não decida de imediato que é incapaz de cuidar de si, pior ainda, não permita que decidam por si. Deixe passar algum tempo e faça um esforço para se adaptar às novas circunstância em que tem de viver agora. Lembre-se, está sempre a tempo de decidir que, afinal, não consegue mesmo lidar com o dia-a-dia e que estará melhor aceitando uma mudança de ambiente. Já o contrário... será certamente bem mais difícil.

No caso das mulheres, este problema específico não se põe. Não digo que são todas “fadas do lar”, a questão é que quem as rodeia parte do princípio de que cuidarem do lar não vai ser um problema. Mas estes surgem de outra parte, sobretudo em mulheres mais idosas que nunca trabalharam fora de casa.

O paradigma com que começaram a sua vida a dois era muito simplesmente este: casa e filhos competiam à mulher, ganhar dinheiro e cuidar dele era tarefa do homem. E embora os tempos tenham mudado – e de que maneira – muitas continuam a não fazer a menor ideia dos rendimentos que o casal tem nem do modo como estes estão a ser tratados. E verem-se de repente perante uma situação em que tudo isso lhes recai em cima só irá aumentar o sentimento de abandono e de depressão devido à morte do seu companheiro.

Mesmo no caso de terem tido um emprego, muitas deixavam esse tipo de decisões para o parceiro. Mais ainda, como tenho reparado nos últimos anos, há agora muitos homens reformados que, possivelmente para ocuparem uma parte dos seus dias, passaram a ser eles a irem às compras do dia-a-dia. E não uso este termo por acaso, vão mesmo todos os dias ao supermercado. Resultado? As suas respetivas esposas perderam, muitas vezes, a noção do custo das coisas e quando pensam nas pensões que recebem, caso o façam, têm uma noção muito pouco realista – isto para não dizer irrealista – do seu valor real.

Perante tudo isto, é muito fácil aceitarem a ajuda de terceiros, sejam ou não familiares, para lidarem com tudo isto após a morte do seu cônjuge. Só que... essas pessoas podem não ter os seus melhores interesses em mente e acabarem por piorar a sua situação. Repito, não tome decisões apressadas, como passar procurações ou vender coisas, faça, isso sim, um esforço para entender o que realmente se passa de modo a poder tomar decisões informadas. E se precisar mesmo de ajuda, tente contactar um profissional, um contabilista ou um advogado, por exemplo, antes de agir.

É claro que em ambos os casos – homens e mulheres – o ideal seria começarem a preparar-se antes que a tragédia aconteça. Ou seja, no caso deles, garantirem que têm pelo menos as aptidões básicas para se poderem ir safando sozinhos, caso seja necessário. E no caso delas, “descerem à terra” no que diz respeito à sua situação financeira. Sim, bem sei que nem sempre è fácil, lembro-me de ouvir dizer muito em miúda que “uma senhora não fala de dinheiro”. Pior ainda, há homens que mantêm a ideia de que tudo isso não são “assuntos de mulheres”, não partilhando, pois, dados essenciais para o bem-estar futuro da companheira.

Voltarei a este tema, mas desta vez para sugerir estratégias e modos de seguir em frente com a sua vida, independentemente da idade com que perdeu o seu cônjuge.

Para a semana: A propósito das Autárquicas. Mais uma vez, o setor dos que vão para novos esteve ausente das várias campanhas. Como alterar isso?

164 - Osteoporose

Chamam-lhe a “doença silenciosa” porque muitas vezes só é detetada quando algo mau acontece, ou seja, uma fratura, isto apesar de já haver exames que alertam para o seu aparecimento. E, como sabemos, ataca maioritariamente pessoas acima de uma certa idade, sobretudo mulheres.

Mas o que é a osteoporose? O termo em si já é uma boa indicação, uma vez que significa “osso poroso”. Trata-se, pois, da diminuição da qualidade do tecido ósseo e também no decréscimo da densidade mineral óssea ou DMO. Os ossos ficam, pois, mais frágeis e mais suscetíveis de se fraturarem em situações que não o justificariam caso fossem normais, digamos.

Todos conhecemos, certamente, casos de pessoas de uma certa idade que deram uma pequena queda aparentemente sem grande importância e fraturaram logo a anca, ou antes, a cabeça do fémur. Era, também, muito comum vermos mulheres idosas com as costas muito curvadas à medida que os anos iam passando, numa quase representação real das imagens clássicas das bruxas.

Pois bem, a causa é a mesma, o avanço da osteoporose.

Mas porque acontece? Pois bem, o nosso esqueleto atinge o máximo de massa óssea por volta dos 20 anos. Depois disso, durante a fase adulta, passamos por uma substituição contínua do tecido ósseo antigo por novo. Ora a osteoporose surge quando a perda de massa óssea é superior à sua taxa de reposição.

E porque atinge sobretudo os idosos? Bom, é que a partir de uma certa idade a nossa eficiência em absorver minerais essenciais, sobretudo cálcio e vitamina D, diminui. Isto é particularmente verdade nas mulheres após a menopausa, devido à queda dos níveis de estrogéneo, que reduz ainda mais a capacidade de absorção de cálcio.

Há vários tipos de osteoporose:

- Primária; ocorre devido à perda óssea associada ao envelhecimento.

- Secundária; ocorre devido à presença de outras doenças ou ao uso prolongado de certos medicamentos.

- Idiopática; com origem desconhecida.

Mas há outras razões e são estes os principais fatores de risco:

- Idade; o risco aumenta a partir dos 65 anos, devido aos fatores apontados.

- Género; as mulheres têm uma muito maior predisposição, sobretudo após a menopausa.

- Medicamentação; o uso prolongado de certos medicamentos pode fazer aumentar o risco de ter osteoporose.

- Dieta deficiente em cálcio e vitamina D.

- Falta de atividade física; pode enfraquecer o tecido ósseo.

- Certas doenças crónicas, como a doença celíaca, diabetes.

- Tabagismo e consumo excessivo de álcool

A boa notícia é que a osteoporose pode ser prevenida. Aliás, se olharmos à nossa volta vemos, por exemplo, claramente que a tal curvatura da coluna em mulheres idosas é agora bem menos frequente. É que os hábitos alimentares mudaram muito e o consumo de leite e queijo, por exemplo, é algo que se mantém durante toda a vida e não apenas na infância.

A outra boa notícia é que graças aos avanços da medicina pode ser detetada cedo através de medições de densitometria óssea. E, melhor ainda, fraturas que ainda há bem pouco tempo não tinham cura a partir de uma certa idade podem agora ser tratadas – por exemplo, partir a cabeça do fémur (a anca) era praticamente uma sentença de morte há ainda bem pouco tempo, agora há até a hipótese de a substituir por uma prótese.

Mas, claro, o melhor modo de prevenir – ou atrasar – o seu aparecimento consiste em adotar, e o mais cedo possível, hábitos de vida mais saudáveis. Por exemplo:

- Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.

- Aumento da atividade física, nomeadamente caminhar e / ou pedalar.

- Exposição ao sol durante uma meia hora diária; mas atenção, no verão evitar o pico do calor e não esquecer o protetor solar.

- Consumir certos alimentos ricos em cálcio, nomeadamente laticínios (leite, queijo, iogurte, outros), vegetais de folhas verde-escuras (couve, brócolos, espinafres), ovos, leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilhas), peixes (sardinha, salmão), sementes (gergelim, chia), frutas como laranja e mamão, nozes, amêndoas e tofu. Já agora, o consumo de vitamina C ajuda a melhorar a absorção do cálcio pelo nosso organismo.

- Consumir alimentos ricos em vitamina D, nomeadamente peixes gordos (salmão, sardinha, atum), gema de ovo, óleo de fígado de bacalhau e cogumelos.

- Caso a ingestão de cálcio e vitamina D sejam insuficientes, recorrer ao uso de suplementos (há países onde receitam automaticamente vitamina D a pessoas acima de uma certa idade).

Ou seja, hábitos alimentares e de vida sobejamente conhecidos.

Mesmo assim, como mais vale prevenir do que remediar, talvez seja boa ideia adotar certos comportamentos que ajudam a evitar o risco de quedas, muitos deles tratados precisamente em Quedas e outros perigos e em Quedas. Por exemplo:

- Evitar ter tapetes soltos em casa, sim, mesmo os de sair da cama.

- Usar um tapete antiderrapante no chuveiro ou banheira.

- Usar calçado, incluindo chinelos de casa, com uma boa sola aderente.

- Caso se levante de noite, vá acendendo as luzes, é um daqueles casos em que querer poupar dinheiro poderá custar bem caro...

- Evite pisos escorregadios, por exemplo, um chão de madeira demasiado encerado ou uma cozinha ou quarto de banho acabados de lavar ou caminhe sobre eles com cuidado.

- Quando sair, preste atenção ao piso, sobretudo no nosso país onde até os passeios são, muitas vezes, uma verdadeira corrida de obstáculos.

- Ao subir e descer escadas, apoie ao de leve uma mão no corrimão, assim, caso se desequilibre, será bem mais rápido e fácil agarrar-se.

- Não receie usar uma bengala em casa ou na rua, há-as bem bonitas e, muito francamente, a sua segurança está muito acima da estética ou da vontade de parecer mais novo.

Último detalhe, é bom fazer os possíveis para a evitar, é que esta doença, para além de fragilizar os ossos, tornando-os propensos a fraturas, não apresenta sintomas prévios, ou seja, quando surgem já está instalada.

Para a semana: A morte de um cônjuge. Não importa se é casamento ou outra coisa, a morte de um companheiro, sobretudo de longa data, tem sempre consequências, emocionais ou outras