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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

75 - Pensemos no frio

Este não é o meu primeiro post sobre o inverno, curiosamente não fiz nenhum em 2022 mas o ano passado “compensei” com três: Viver bem o inverno, Exercício no inverno e, o mais recente, Preparemos o inverno. Como não irei, pelo menos na maior parte, repetir o que ali disse – pelo menos sob o mesmo ponto de vista – talvez não seja má ideia dar-lhes uma olhadela ou até relê-los.

Uma boa parte da população odeia o inverno, não é por acaso que lhe chamam a estação morta. E pode ser, realmente, desagradável, com o frio, chuva, vento, dias cinzentos e curtos ou, até, neve e gelo.

Como disse anteriormente, prefiro pensar nele como uma época de hibernação, de armazenamento de energia para um novo recomeço. Apesar disso, não sou, confesso, grande fã do frio, até porque passei uma boa parte da minha vida sem o ter. Mas com uma mudança de atitude – e também de hábitos – pode tornar-se uma época do ano bastante agradável, mesmo para quem “vai para novo” e tem, portanto, mais tendência para o enregelamento.

A primeira dica tem a ver, claro está, com a roupa. Esqueça a moda, o mais importante é ficarmos quentinhos e confortáveis. Invista, pois, em boa roupa interior térmica, é mais de meio caminho andado. Não é barata, mas também não é precisa uma grande quantidade e, bem tratada, dura imenso tempo – sim, isso também é verdade com roupa de outro tipo e calçado, o que é barato pouco dura e acaba-se por gastar mais ao fim de uns anos do que investindo em peças de qualidade e mais intemporais.

E, tal como disse anteriormente, camadas, para além de serem melhores para conservar o calor corporal têm a enorme vantagem de as podermos ir tirando ou pondo conforme a temperatura. Não se esqueça das meias, há cada vez mais opções e muitas delas até bem bonitas, mas o mais importante é que aqueçam ou mantenham quentes os pés, é que se estes arrefecem é muito difícil sentirmo-nos confortáveis.

Mas não é só a roupa pessoal ou a de cama – sim, lençóis de flanela, como indiquei anteriormente. Arranje também umas mantas bonitas onde se possa aconchegar quando está a ver televisão ou a ler – não é só pelo calor, é também pela sensação psicológica de conforto que nos dá estarmos assim aninhados. E se tem almofadas na sala onde passa uma boa parte do dia, que tal umas coberturas diferentes para o inverno, com cores e tecidos que lhe “aqueçam a alma”?

E quando sair, não se esqueça de levar luvas quentinhas e que não deixem entrar o vento, um bom cachecol e um gorro ou chapéu. Já agora, tente sair sempre que o tempo esteja melhor, aproveite os dias de sol para apanhar um pouco de ar fresco, mas cuidado com o calçado, solas boas para pisos escorregadios e sapatos ou botas que não deixem entrar água.

A ideia é manter o máximo de atividade possível, como disse nos posts anteriores, nesta época em que não apetece mesmo nada sair. Mas mesmo que fique em casa, mexa-se, tente caminhar um pouco pela casa pelo menos uns cinco minutos em cada hora – pode até pôr, ou pedir que lhe ponham, um alarme no telemóvel.

Para além do que tenho dito sobre a alimentação – e sim, esta é a altura ideal para sopas, guisados e outras das chamadas comidas de conforto – há também as bebidas. Nada melhor do que uma bebida quentinha para nos sentirmos logo mais aconchegados. Mas, fazendo jus à minha teoria de apreciar a vida o mais que se possa, que tal investir numa coleção de chás, por exemplo? Para além de variar os sabores que ingere terá ainda o prazer da escolha quando lhe apetece tomar um.

E se gosta de fazer de vez em quando um chocolate quente, aproveite a ideia muito americana de lhe pôr marshmallows – atenção, são doces, por isso reduza ou elimine o açúcar que costuma adicionar.

Mas um dos conselhos mais importantes, psicologicamente, tem a ver com a luz. Ao contrário dos países nórdicos, por exemplo, temos bastantes dias de sol. Mas o tempo cinzento e o facto de amanhecer tarde e anoitecer cedo podem contribuir para a sensação depressiva que muitos sentem nesta época.

Está provado que uma luz amarelada dá uma sensação de mais conforto do que uma luz muito branca – ou fria, como lhe chamam. Por isso, quando comprar lâmpadas, escolha as que indicam uma temperatura de cerca de 2700 graus Kelvin – pequena dica, quanto mais alto for este valor mais branca é a luz. No mínimo, tenha lâmpadas destas para usar no inverno nos compartimentos onde passa mais tempo.

As velas também dão uma grande sensação de conforto no tempo frio e cinzento. Há agora uma grande gama de velas elétricas, a pilhas, algumas dão até um efeito de bruxuleio, muito agradável. Mas se usar das verdadeiras, nunca as deixe a arder sozinhas – pelo menos durante muito tempo – e areje a casa todos os dias.

Como nota final, se tem a sorte de viver numa zona onde neva, tente tirar o máximo proveito disso, sobretudo se já passou da fase em que tem de sair todos os dias para ir trabalhar... Lembre-se, há muita gente no nosso país para quem a neve é algo que só se vê na TV e no cinema, eu incluída. Tente recordar a sua reação em criança quando nevava – mas, ao contrário do que certamente fazia então, tome as devidas precauções se a quiser ver mais de perto.

E nos dias de chuva e vento, cinzentos e desagradáveis, em vez de se pôr a suspirar e a maldizer o tempo, enrosque-se numa manta quentinha, ligue um candeeiro com uma bonita luz amarelada, ponha um chá ou outra bebida quente à mão e leia, veja televisão ou faça qualquer atividade manual com a satisfação de quem está muito confortável e no quente e não lá fora no meio do temporal – sim, não ser obrigado a sair de casa por obrigação é uma das muitas vantagens de quem vai para novo, tema a que voltarei futuramente.

Para a semana: Cuidado com a saúde Com as Urgências como estão e a falta de alternativas, tentemos não adoecer...