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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

73 - Eu gostava...

Apesar de este post ser basicamente sobre desejos para o próximo ano, como hoje é Véspera de Natal relembro o que escrevi há um ano em Família não há só uma. Sem me repetir demasiado, digo apenas que é altura de evoluirmos no nosso conceito de família, passando de algo meramente biológico – os tais laços de sangue – para uma ideia bem mais alargada. E se não pôs em prática nada do que eu então disse e está perante mais um Natal passado a sós, não desespere, lembre-se, para o ano há mais e terá 366 dias para se converter...

Passemos, agora, aos tais desejos. Serão, obviamente, dirigidos à sociedade em geral e virados para quem vai para novo ou já lá chegou há muito.

Eu gostava... que os “bem-pensantes” que tanto berram e barafustam contra as más condições em que vivem os imigrantes que trabalham na agricultura no Alentejo dedicassem o mesmo esforço e atenção às péssimas habitações em que muitos idosos portugueses vivem – isto quando não vão parar à rua por a renda ter aumentado para lá do que a sua parca pensão permite.

Já agora, quando se indignaram por haver paquistaneses enfiados numa casa com um quarto de banho para 20, bom, se calhar até era uma situação de luxo a sua presença e com água quente e fria! Sem contar que são, na sua maioria jovens, ao contrário dos tais idosos que, após uma vida de trabalho, vivem num local a cair aos bocados, onde entra o frio e se calhar a chuva e que muitas vezes nem podem aquecer como deve ser porque isso fica caro.

Eu gostava... que o chamado rendimento mínimo – que o não é, chama-se, de facto, rendimento social de reinserção – passasse a ter um limite de atribuição, 2-3 anos no máximo, e que o dinheiro poupado fosse para um complemento de pensão para quem aufere as mais baixas. Mais ainda, em vez da proposta absurda de dar a esse rendimento o mesmo valor do salário mínimo – belo incentivo a que essas pessoas arranjem trabalho! – se proponha, isso sim, não haver nenhuma pensão abaixo do dito salário. Ou antes, como há quem tenha uma reforma baixa mas outros rendimentos, que o que se aufere mensalmente, por pensão e outros meios, não seja inferior ao salário mínimo.

Eu gostava... que quando se fala de inclusão, o grande tema da moda, os idosos estivessem incluídos. Como expliquei em Idadismo I, Idadismo II e Idadismo na Medicina, a discriminação pela idade continua a ser ignorada, ou antes, a ser aceite sem problemas pelos mesmos que passam a vida a falar em exclusão, inclusão e quejandos.

Já agora, em vez de enfiarem pela garganta das criancinhas conceitos sexuais que não têm idade para compreenderem e fazerem marchas com a bandeira arco-íris a caminho do parque infantil – algo a que assisti recentemente – que tal levarem as turmas a passar umas horas num lar de terceira idade ou num centro de dia? Ou encorajar os alunos a “adotarem” um avô ou uma avó que se comprometiam a visitar periodicamente?

Eu gostava... que em vez de andarem a dar benesses cegas a pessoas com bons contactos – e sim, refiro-me às célebres gémeas brasileiras – houvesse antes a preocupação de garantir que todos os idosos deste país têm os medicamentos de que precisam. É que mesmo comparticipados, estão muitas vezes acima do que um pensionista pode pagar, isto se quiser continuar a comer. É claro que se morrer de fome já não precisa da medicamentação. Já pensaram em quantos medicamentos poderiam ser totalmente pagos com os 4 milhões de euros gastos de uma pernada?

Eu gostava... que certos partidos de esquerda dessem aos idosos a mesma proteção que conferem aos animais. Passo a explicar. Maltratar um animal é agora um crime grave, com pena de prisão, graças a uma lei promovida pelo PAN. E estou totalmente de acordo. Mas agredir, física e / ou verbalmente um idoso não é uma categoria especial, cai na generalidade de agressões.

O argumento desses partidos é que os animais não se podem defender e precisam, pois, que olhem por eles. E um idoso, que ferramentas de defesa tem ao seu dispor, sobretudo sabendo-se, como sabemos, que o agressor é quase sempre um cuidador ou um membro da família, muitas vezes um filho ou uma filha? Pior ainda, é muitas vezes o único amparo que têm, por muito má que a situação seja. Não mereciam também um tratamento especial, com decisões judiciais rápidas e apoio para o idoso?

Eu gostava... que pelo menos uma fatia, mesmo pequenina, do que se quer gastar com o TGV entre Lisboa e Porto fosse gasto a proporcionar transportes a idosos. E não falo apenas dos que vivem nas grandes cidades onde, apesar de poucos e nem sempre muito convenientes, há transportes públicos. Mas já pensaram nos muitos que vivem em aldeias e que para as coisas mais simples têm de chamar um táxi, despesa que nem sempre podem pagar?

Resultado, evitam consultas médicas, idas à farmácia e outras, acabando por viver um isolamento quase total. Que tal um autocarro semanal que fizesse a ronda por esses povoados e terminasse – e começasse – a carreira na vila mais próxima?

Bom, e já chega de desejos... não tenho grande esperança de os ver concretizados, mas nunca se sabe... é Natal!

E é tudo, só me resta voltar a desejar-vos um Feliz Natal.

Para a semana: Comecemos bem! Entremos no novo ano com a “garra” toda.

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