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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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66 - Preparemos o Inverno

Num post anterior, Viver bem o inverno, falei, sobretudo, da casa, das roupas e das precauções a tomar quando se sai. Mas um bom título alternativo para o post de hoje seria Preparemos a Hibernação, já verão porquê.

Nestes meses que agora começaram há muitos dias em que não apetece mesmo nada sair de casa, pelo mau tempo, chuva, vento, neve – onde a há – e, menos raramente, o simples frio. E como quem “vai para novo” não tem, usualmente, obrigações no exterior, satisfaz-se o gosto de ficar no quente.

Sabendo disto à partida, o que eu sugiro é que se preparem ocupações para os muitos dias em que o melhor é ficar mesmo em casa, para evitar gripes e outros problemas. É que os humanos são contraditórios por natureza, se podemos sair não o fazemos porque não nos apetece mas, se não o podermos fazer... é a única coisa em que pensamos. E sentimo-nos deprimidos.

Portugal tem sorte em relação ao inverno, em países nórdicos há até um tipo de depressão causado pela falta de luz durante uma boa parte do dia, mas isso não significa que não estejamos sujeitos a todas as outras.

A minha proposta é começar, desde já, a preparar atividades para fazer em casa nos dias em que não se pode sair e que podem ser dos mais variados tipos.

Por exemplo, se gosta de cozinhar, que tal preparar algumas refeições “como deve ser”? Mesmo que esteja só, faz o gostinho ao dedo e pode congelar o excedente para refeições futuras. Ou, se não é grande coisa na cozinha, talvez seja altura de aprender, não faltam livros ou, melhor ainda e, sobretudo, bem mais prático, vídeos na Internet.

Se gosta de ler, assegure-se de que tem um bom stock de livros novos ou antigos que gostaria de reler. Pense também em visitar a biblioteca da sua zona, caso ainda não o tenha feito, o prazo de empréstimo é bastante bom e costuma poder ser renovado uma vez pelo telefone.

Ou pode dedicar-se a trabalhos manuais, malha, costura, pintura, há um sem fim de coisas, algumas até aposto que nem conhecia.  Dei várias ideias nesta área em Distrações. Isto para além de estudar – aprender uma língua, aperfeiçoar-se a usar um computador, etc., também aqui há um sem número de atividades.

Pois, tudo isto parece evidente, a grande diferença é que proponho que planeie estas atividades com antecedência, fazendo listas de sugestões, arranjando o material necessário, etc. Ponha, depois, a lista num local visível e, quando tiver mesmo de ficar em casa, consulte-a e escolha uma atividade. O truque aqui é forçar-se a optar mesmo por uma coisa e perseverar nela durante algum tempinho, nada de largar ao fim de uns minutos. Já agora, evite escolher muitas vezes seguidas o mesmo tipo de atividade, a ideia é variar o mais possível.

E a lista não tem de ser “de pedra e cal”, pode sempre ir acrescentando coisas, até porque muitas vezes uma atividade sugere outra. Mas com uma listinha inicial razoável será mais fácil combater aquele sentimento, infelizmente tão comum, do “estou para aqui fechada e não sei como me ocupar”.

E se pensam que eu acho boa ideia passar os meses mais frios em casa, desenganem-se. Acho, até, mais do que aconselhável aproveitar todas as abertas para uma saída, seja curta ou longa.

Só que também aqui entra a inércia, apesar da muita vontade de sair quando não é bom fazê-lo, chega a hesitação quando o bom tempo nos convida a ir arejar um pouco. Solução? Uma outra lista!

Esta terá coisas a fazer no exterior, separadas pela sua duração. Por exemplo, se o sol chega a meio da tarde e não dá para grandes saídas, um pequeno passeio na zona, uma ida ao café mais próximo, umas compras perto de casa, enfim, o importante é ter um propósito – acredite, pode fazer toda a diferença entre sair mesmo ou ficar no “saio, não saio” até ser tarde demais.

Mas como às vezes temos bom tempo durante todo o dia, ou até durante vários dias, pôr na lista atividades que exigem mais tempo. Por exemplo, visitar um museu ou um monumento – apesar de agora haver turistas durante todo o ano, há bem menos no período invernal. Dar um pequeno passeio pela cidade em que vive ou aos arredores – falei anteriormente em viagens de autocarro e de comboio como distração. Ou, muito simplesmente, ir às compras ou, no mínimo, ver montras num sítio mais longe de si.

Também aqui o importante é ter vários programas “planeados” que possam inspirar. Já agora, não estou a sugerir que andem sempre “no arejo”, a moderação é sempre desejável e podem muito bem alternar saídas e períodos em casa, mesmo com bom tempo – quer dizer, é sempre desejável fazer um pouco de atividade, mas também a podem fazer em casa como sugeri em Exercícios no inverno.

Passemos agora à parte final, importante sobretudo para quem não pode recorrer rapidamente ao apoio de terceiros, sejam ou não familiares.

Como bem sabemos, o mau tempo pode durar vários dias e convém tomar algumas precauções para evitar ter mesmo de sair, com os riscos que isso acarreta para a saúde e integridade física (quedas).

Os medicamentos, por exemplo. Nesta época do ano convém não os deixar chegar mesmo ao fim – ou quase – antes de renovar a receita. É que no dia em que tiver mesmo de o fazer pode estar um temporal tremendo e, das duas uma, ou arrisca à mesma a saída ou fica sem medicamentação. Resumindo, vigie bem o que toma e assegure-se de que ainda tem para vários dias. Já agora, faça-o também com xarope da tosse, pastilhas para a garganta e outros produtos sem receita que lhe possam vir a fazer falta.

Faça o mesmo com a alimentação. Sim, há entregas ao domicílio, mas se não sabe como organizar isso ou não lhe agrada recorrer a esses serviços, pois bem, previna-se. Não estou a dizer que acumule coisas a esmo, mas veja se tem sempre um mínimo dos produtos que mais consome para não ter de sair de propósito, mesmo com um tempo péssimo. Não posso dar uma lista, varia de pessoa para pessoa, mas leite, cereais, pão (que pode congelar e ir gastando o fresco quando pode sair), legumes (os congelados duram), fruta mais verde, enfim, cada um sabe de si. E se só costuma comprar peixe fresco e carne no talho, talvez seja altura de “investir” nalguns congelados (no caso da carne pode separá-la em doses antes de a congelar) para as emergências.

Convém, também, ter algumas refeições congeladas, feitas em casa ou de compra, sobretudo para quem está habituado a ir periodicamente comer fora para quebrar a rotina. Bom, e se come sempre fora, será bom tê-las quando sair de casa é mesmo um sacrifício.

E não se esqueça de coisas como papel higiénico, fraldas, se as usa, pasta de dentes... enfim, ter pelo menos um sobressalente para evitar falhas.

Bem sei que não sofremos de invernos terríveis como os do norte e centro da Europa, mas terrível é um termo relativo, aquilo que seria brando para pessoas dessas zonas pode ser péssimo para nós. Mas se estivermos preparados, com distrações e as coisas indispensáveis em casa, podermos ultrapassar alegremente esta época tão deprimente para alguns. Quem sabe, até mesmo chegar à primavera em melhor estado do que quando começou o inverno!

Para a semana: Perda de memória e Alzheimer Pois, não são sinónimos...