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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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57 - Segurança

Já falei de outras facetas deste tema em Quedas e outros perigos – os perigos à espreita dentro de casa e como evitá-los – e em Fraudes – as da Internet e também as da vida real, muitas vezes perpetradas por familiares ou outros cuidadores.

Neste post falarei da segurança na aceção usual do termo, ou seja, em relação a ataques de terceiros, mas de um modo físico, digamos.

Começo por dizer que não acho que os idosos sejam mais fracos ou menos capazes de se defenderem do que a restante população. O grande problema é que são vistos como sendo-o, o que os torna muito mais suscetíveis a ataques e roubos de todos os tipos. E, não sei se por causa das penas ridículas aplicadas neste país, ultimamente muitos não se limitam a roubar, fazem-no com um nível de violência que nada justifica.

Falarei pois em como melhorar a sua segurança em casa e na rua, lembrando, no entanto, que nada é cem por cento garantido, mas sempre é melhor não contribuir para sermos atacados. É claro que o que aqui digo é válido também para quem ainda não “vai para novo”...

Comecemos pela casa.

O primeiro passo será inspecionar a sua habitação, especialmente se vive num piso térreo ou mais baixo. As janelas fecham bem? E a porta ou portas? Valerá a pena colocar umas grades, caso o possa fazer financeiramente e pelas regras do condomínio?

Não se esqueça, também, de investir no chamado óculo visualizador na porta de entrada, caso ainda não tenha um. Ou de o substituir se já for antigo e não muito bom. Mas coloque-o a uma altura que seja boa para si, ou seja, para a sua altura – é que de nada vale tê-lo se estiver alto de mais...

Seguem-se agora alguns conselhos que pareceriam óbvios, infelizmente são muitas vezes esquecidos ou ignorados.

Basicamente, se vai sair, verifique se portas e janelas ficam todas bem fechadas.

Caso batam à porta, comece por verificar – e confirmar – quem é e não a abra se não reconhecer a pessoa. Mais vale passar por mal-educado do que ser vítima de um ataque ou roubo.

Tente conhecer pelo menos alguns dos seus vizinhos, assim terá a quem recorrer caso aconteça alguma coisa. E, com um pouco de sorte, serão o género de pessoas que se manterão atentas a quem anda pela vizinhança e ao que se passa, ou seja, serão um pouco os seus “guardiões”.

Nunca, mas mesmo nunca, tenha muito dinheiro em casa e faça questão de mencionar isso repetidamente em público. Infelizmente, o hábito de guardar as poupanças – ou até o valor inteiro da reforma, ver mais abaixo – em casa é um costume antigo mas que pode vir a custar muito caro.

Passemos à rua, ou seja, ao comportamento desejável quando sai.

A menos que seja absolutamente necessário, evite andar por locais mais isolados depois do escurecer. Sim, é agradável dar um passeiozinho, infelizmente nos tempos que correm isso pode vir até a ser fatal. E a qualquer hora do dia, esteja atento a quem o rodeia – caso ache que está a ser seguido, entre numa loja, café ou outro local público durante algum tempo.

Evite também trazer objetos de valor bem à vista, como joias antigas ou relógios que dão nas vistas. Sim, é agradável arranjarmo-nos bem, mas se o resultado for um ataque na via pública, bom, não vale francamente a pena.

Já agora, cuidado ao levantar dinheiro. Dê preferência a uma máquina dentro de um centro comercial ou outro local com bastante espaço junto a ela. E já sabe a regra, nada justifica que alguém se ponha encostado a si – se isso acontecer, cancele de imediato a operação e, caso já tenha metido o PIN nessas circunstâncias, trate de o alterar o mais depressa possível.

Já agora, ainda há muitos que levantam mensalmente a sua reforma por inteiro, em dinheiro, e sempre no mesmo dia. Pois bem, se tiver mesmo de o fazer, por não ter outro modo de pagar as suas despesas do dia-a-dia – vive, por exemplo, numa pequena povoação visitada por vendedores ambulantes a quem vai comprando o necessário – então tente, no mínimo, alterar o dia desse seu levantamento. Ou, se puder, organize-se com pessoas da mesma zona para o fazerem em conjunto.

O ideal será, claro, ter a reforma depositada na sua conta e ir usando um cartão para levantar pequeninas quantias, só mesmo as indispensáveis. E faça questão que se saiba que nunca traz dinheiro consigo, ficaria espantado ao saber como ladrões profissionais andam atentos a esse tipo de comentários.

Se usa transportes públicos, evite entrar em carruagens vazias do Metro e num autocarro quase vazio, sente-se o mais possível perto do motorista. E não se esqueça de, sentado ou em pé, manter a carteira fechada e à sua frente, com pelo menos uma mão sobre ela – sem esquecer que, homem ou mulher, um lugar público não é o sítio certo para investigar o porta-moedas ou carteira, sobretudo se têm bastante dinheiro. O ideal é até manter o título de transporte numa zona totalmente separada da carteira ou do seu corpo.

E num café ou loja, mantenha-se atento ao que o rodeia, tal como na rua. Sobretudo nunca abandone a carteira em cima de uma mesa ou balcão enquanto “vai só ali ver uma coisa” ou, pior ainda, ao quarto de banho – sim, acontece e bem mais vezes do que seria de esperar.

Finalmente, caso seja assaltado, não resista: por muita falta que lhe faça o seu rico dinheirinho, a sua vida e integridade física são bem mais importantes. Apesar do que disse acima, do aumento da violência desnecessária, a maioria dos assaltantes só querem despachar-se o mais depressa possível com o que possam levar. E reze para ter a sorte de ter sido vítima de um profissional, é que muitos destes ainda deixam os documentos num sítio onde possam ser encontrados, evitando-lhe assim mais despesas e incómodos.

Um último conselho: se vive sozinho, ponha em marcação rápida o 112 – sim, são só três algarismos, mas uma tecla única é bem melhor... E assim poderá pedir ajuda mais rapidamente, quer em caso de tentativa de assalto, ataque consumado ou, até, caso tenha qualquer outro problema.

Para a semana: Sejamos positivos A tremenda influência que o nosso conceito de velhice tem na nossa saúde e bem-estar