52 - Fraudes
É claro que todos podemos ser vítimas de fraudes e em qualquer idade, mas as viradas para a chamada terceira idade estão em crescimento e há cada vez mais vítimas. O seu número é incerto uma vez que os que “vão para novos”, bem mais do que pessoas mais novas, envergonham-se muitas vezes de mostrar que se deixaram enganar e nem queixa apresentam.
Há várias razões para as pessoas desta faixa etária serem especialmente visadas e, infelizmente, muitas têm a ver com o uso da Internet – sim, sou uma sua grande apologista, mas com as devidas precauções que muitos ignoram ou não aplicam, apesar de as conhecerem.
Ora acontece que, quando usam redes sociais, os não muito novos partilham as suas preocupações de saúde, despesas com medicamentos, pensões baixas, etc., permitindo, assim, campanhas de phishing que visam estes temas.
Há ainda a questão do isolamento, de que já tenho falado várias vezes. Sentindo-se sós e isolados, estão mais abertos a propostas de amizade e outras e, por outro lado, não têm com quem discutir o esquema “fabuloso” que lhes foi apresentado.
E há também uma certa perda de acuidade mental que nos leva a tomar decisões que, uns anos antes, nunca tomaríamos por serem arriscadas ou muito simplesmente más.
Há vários tipos de praticantes destas fraudes, que podem ir de familiares e cuidadores a pessoas desconhecidas, e muitos tipos de fraude.
As de familiares e cuidadores envolvem, em geral, desvio de dinheiro e bens, abertamente ou às ocultas, ou a chamada influência indevida na distribuição dos mesmos.
Já há países em que os bancos criaram um sistema de alerta para as contas destes seus clientes, que os alertam para transferências repetidas – sobretudo para contas de não familiares – e baixas nos saldos diferentes do habitual. É claro que pode haver uma explicação totalmente legítima para estes casos, mas este sistema de alerta permite, no mínimo, dificultar a vida a quem comete a fraude e alertar a sua vítima. Seria, pois, bom que as nossas instituições bancárias fizessem o mesmo. Poderiam, até, criar um sistema personalizado de alertas consoante o tipo e capacidades do cliente, não só para cartões de crédito mas também para os de débito e para as contas em geral.
Passemos, agora, às fraudes em si.
Há as puramente financeiras, de que o que disse acima é apenas uma pequena parte, uma vez que temos muitas outras que envolvem a participação direta ou indireta do lesado, desde o roubo de dados bancários quando se fazem compras online (e não só) aos velhos esquemas de “ganhou a lotaria, pague esta taxa e mandamos o prémio” e muitos outros de que o mais célebre é o príncipe nigeriano.
Uma versão atual envolve e-mails supostamente da Polícia – ou até da Interpol – em que exigem dinheiro para “esquecer” uma determinada acusação. Atendendo à sua extensão e duração, só podemos concluir que rende dinheiro. E uma pessoa idosa é mais propensa a entrar em pânico e a pagar porque, mesmo sabendo que não cometeu aqueles atos, tem pavor das complicações que lhe possam advir caso a acusação em causa seja um engano – e, atendendo ao estado da nossa Justiça, quem os pode criticar?
Há ainda os vigaristas que se fazem passar por agentes do Governo ou de alguma instituição estatal a fazer um levantamento exaustivo dos dados das pessoas. Ou que afirmam ser das Finanças ou da Segurança Social e que querem a devolução imediata de dinheiro pago a menos ou a mais. Em qualquer destes casos, a abordagem pode ser pessoal – e neste caso são sempre pessoas bem vestidas e bem falantes, de que não se desconfia – ou por email.
E o também muito moderno telefonema de apoio técnico em que, a pretexto de problemas com um sistema operativo, levam o utente a aceitar um programa de utilização remota do computador para poderem vasculhar tudo à vontade – e sim, há imensas pessoas e de todas as idades que mantém ali (ou no telemóvel) imensos dados sensíveis.
Mas vamos aos conselhos para evitar, o mais possível, cair em fraudes.
Em primeiro lugar, ter muito cuidado com o que se partilha online e com as “amizades” que se criam ali. Nunca revelar dados pessoais, como morada, nome completo, telefone ou, pior ainda, dados bancários – sim, há quem o faça! Cuidado também com fotos, lembre-se de que com o Google Earth é possível encontrar uma determinada casa ou prédio... E não se esqueça de que as pessoas que “conhece” online podem não ser o que aparentam, por isso não se deixe levar em histórias de “empréstimos” ou de “investimentos fabulosos”.
Vigie sempre cuidadosamente a sua conta bancária e os extratos dos cartões de crédito, caso os use. Se tiver alguma dúvida, contacte de imediato o seu banco, sem receios de “incomodar” – tudo isso faz parte do serviço que prestam (ou que deviam prestar) ao cliente.
Nunca faça uma compra imediata a quem lhe bate à porta – bom, o melhor seria até nem deixar entrar... Bem sei que todos dizem que se tem um mês para cancelar, mas na prática há muitas vezes complicações e atrasos quando o queremos fazer. E nunca, mas mesmo nunca, assine um contrato ou outro documento sem o ler primeiro – e caso o ache confuso, não o faça sem antes consultar alguém de confiança que lho possa explicar.
Se receber e-mails supostamente das Finanças, Segurança Social ou banco com um conteúdo credível ou que o deixe em dúvida e quiser informar-se, faça-o na página dessa instituição e NÃO a partir do link incluído no dito e-mail. Já agora, se pedem que envie na sua resposta dados pessoais isso é de imediato um sinal de alerta, uma vez que nenhuma instituição credível o faria através de um meio tão pouco seguro como é o email.
Quanto a compras online, faça-as só em sites credíveis – a sua verificação é um tema demasiado vasto para este post. Mas há soluções de pagamento mais seguras como Paypal, MBNet (uma espécie de cartão de crédito temporário e com limite definido por nós), Moneybookers (também chamado Skrill) e Paysafecard (só até 100 euros e comprado nos CTT) que muitos sites já aceitam e que evitam que seja preciso introduzir dados do cartão de crédito.
Quanto ao tal “apoio técnico”, bom, desligue, simplesmente a chamada.
Para a semana: Família. A “real” e as outras...