29 - Exercício no inverno
Este título pode ser um bocadinho enganador, é claro que devemos manter um certo nível de atividade física durante todo o ano se quisermos “ir para novos” com saúde e boas capacidades a todos os níveis. Mas, aqui para nós que ninguém nos ouve, quem é que não dá uma “facadinha” no período invernoso? Sim, quando o que apetece é ficar na cama ou, quando muito, bem junto ao quentinho de um aquecedor ou lareira, muitas vezes até sem fazer nada?
Mesmo para quem tem uma boa rotina física, aposto que em dias chuvosos, frios, ventosos ou tudo isso, a última coisa que apetece é sair para as usuais atividades.
Ora todos sabemos que quando se para é sempre difícil recomeçar. E se isso é verdade em todas as idades, passa a sê-lo ainda mais quando os aninhos já começam a pesar. E um ou dois dias sem fazer nada podem, até, causar graves problemas de mobilidade quando se tenta retomar a rotina.
Darei, pois, neste post, alguns conselhos para se manter razoavelmente em forma durante este período mais desagradável do ano ou, até, para começar precisamente a ter algum tipo de atividade física. Em qualquer dos casos, nada impede que continue com tudo isto quando o tempo melhorar.
Só um pequeno detalhe, como mesmo no inverno mais rigoroso há dias “bons”, faça um esforço para os aproveitar dando um pequeno passeio sempre que as coisas melhoram. Acredite, far-lhe-á bem sair do ambiente fechado da sua casa e respirar ar fresco. Mas não se esqueça de se agasalhar bem e, sobretudo, de cobrir a cabeça que, como disse anteriormente, é por onde perdemos mais calor corporal. Um simples gorro pode fazer toda a diferença entre sentir-se bem ou ficar totalmente enregelado.
Recomendo, também, que não passe horas a fio sentado. Use um conselho muito dado a quem trabalha com computadores (ou tem, simplesmente, um trabalho de secretária) e levante-se de hora a hora, mesmo que isso lhe custe. Mais ainda, aproveite estar de pé e dê uns passos pela casa antes de se voltar a sentar. Acredite, os seus músculos agradecerão. E, com a continuação, verá que lhe é cada vez mais fácil fazê-lo.
Pode, também, enquanto está sentado, ir fazendo alguns exercícios com as pernas. Pode esticá-las à vez, por exemplo, o mais que puder, mas devagar e sem movimentos bruscos. Ou, muito simplesmente, ir-se pondo em bicos de pés, um pé de cada vez – sim, sentado! Isso fará a respetiva perna elevar-se um pouco, como se estivesse a andar no lugar e sem se levantar.
Exagere, também, os movimentos que faz durante o dia. Por exemplo, se vai pegar numa coisa, mantenha-se um pouco longe para ter de esticar o braço – mas cuidado para não exagerar, sobretudo se for alguma coisa pesada! Ou, se quer tirar algo de uma prateleira e lhe chega perfeitamente, experimente fazê-lo elevando-se um bocadinho em bicos de pés.
Pode, também, exagerar os passos que dá em casa e, sobretudo, ir variando entre curtos e longos. São pequenas coisas, mas ajudam a manter os músculos ativados.
E, penso que já o disse antes, espreguice-se o melhor que puder. Sim, fomos educados a pensar que é feio fazê-lo, mas, francamente, é altura de esquecer isso a bem da nossa saúde. Além disso, está em casa... Isto é particularmente benéfico quando se levanta da cama ou após estar muito tempo sentado.
Passo agora a indicar vários sites e canais YouTube com exercícios pensados precisamente para serem feitos em casa por quem está mesmo, mas muito mesmo a ir para novo – o que não impede que sejam bons para todos os que não costumam frequentar ginásios e isso.
Para quem costuma exercitar-se, não faltam sites similares com rotinas um pouco (ou bastante) mais exigentes para que possa continuar a fazê-lo mesmo se não conseguir – ou não lhe apetecer – ir ao seu sítio usual.
Uma pequena nota, os links que indico são todos do Brasil, não consegui encontrar nada equivalente feito em Portugal.
Este primeiro site, de uma educadora física, Rachel Bártholo, de Campinas, ensina, nas suas próprias palavras, “a fazer atividades simples, com objetos da casa, que podem melhorar o equilíbrio e os movimentos dos membros superiores, inferiores, quadril e tronco.” Os objetos em causa são apenas panos ou toalhas, um cabo de vassoura e uma almofada. Recomendo.
Há também um artigo interessante dedicado mais especificamente à melhoria do equilíbrio e às razões para o fazer. Destaco, a seguir, alguns pequenos exercícios:
- caminhar lentamente, pondo um pé exatamente à frente do outro: isto faz alternar a força em cada perna (pensem na cena muito popular em filmes em que a polícia manda alguém caminhar numa linha imaginária para ver se está bêbada.
- mudar a superfície em que se caminha (também abrangido no site acima); um dos exemplos que dão é alternar entre pisar o chão da casa e uma almofada, por exemplo (mas faça-o perto de algo a que se possa agarrar caso corra mal).
- mantendo os pés juntos, fechar os olhos uns instantes – sim, ajuda.
- subir e descer escadas (podem ser só alguns degraus...)
Passamos agora a três canais do YouTube que são, curiosamente, da mesma pessoa. Trata-se de um brasileiro chamado Aurélio Alfieri e sou grande fã dos exercícios que ele mostra. E não se esqueça, não tem de fazer todos, pode escolher inicialmente só os que mais “lhe falam ao coração”.
O primeiro canal é, curiosamente, de Exercícios para fazer na cama, virados para idosos. Não podia ser mais fácil, pois não?
O segundo, também do mesmo Youtuber, é sobre Alongamentos feitos numa cadeira, também para idosos. São mesmo muito fáceis. Já agora, a cadeira em questão é uma vulgaríssima cadeira de cozinha ou de sala de jantar.
A minha terceira e última indicação, mais uma vez do senhor Alfieri, são exercícios de equilíbrio com uma cadeira e uma caixa de sapatos (vazia)!
Já agora, este senhor tem outros canais, incluindo treinos mais completos, mas optei por estes porque são, essencialmente, para quem não costuma exercitar-se, ou seja, são básicos. Pequena curiosidade, foram criados durante o malfadado confinamento...
E pronto, mantenha-se ativo para chegar ao bom tempo cheio de forças e com muita energia.
Para a semana: Expectativas... Envelhecemos com certas expectativas, mas serão reais?