25 - Viver bem o inverno
Somos todos suscetíveis aos problemas que o inverno traz, sobretudo quando é muito inconstante ou rigoroso, mas os não muito novos sentem-nos mais. Não podemos controlar o tempo, mas podemos – e devemos – tomar o máximo de precauções para evitar que as coisas se compliquem.
A maior parte do nosso país não tem as temperaturas negativas incríveis de outras partes do mundo, mas não deixa de haver regiões bem “geladinhas”. Se vive numa delas ou se tem familiares idosos que ali residem, atenção aos perigos de deixar baixar muito a temperatura corporal numa excursão para ir buscar lenha ou dar de comer aos animais, por exemplo. É que a nossa resistência à hipotermia diminui com a idade e se a sua temperatura corporal baixar dos 35 graus, há um grande risco de problemas cardíacos ou de danos no fígado.
Comecemos por falar da casa, que é onde os que “vão para novos” passam muito do seu tempo.
Com os aumentos no preço da eletricidade e do gás, a tentação é não aquecer a residência em que se habita, para poupar dinheiro. Mas há outras medidas que podem reduzir essa conta e manter-nos quentinhos.
Por exemplo, se passa a maior parte do tempo num compartimento, a sala, por exemplo, feche as portas para o resto da casa – assim o aquecimento que tiver a funcionar será bem mais eficaz e não precisa de estar tanto tempo ligado. Já agora, se tem um aquecedor antigo, pense muito a sério em substituí-lo. Há muitos modelos pequenos, portáteis (ou pelo menos com rodas) e com uma muito maior eficiência energética – ou seja, aquecem mais por bem menos dinheiro! E são também mais seguros.
A partir do meio da tarde, feche persianas e cortinas, sobretudo se estas forem grossas. Isso ajuda a impedir que o calor que tanto lhe custou a conseguir saia e que o frio entre à vontade. Mesmo se tiver vidros duplos, uma camada adicional calha sempre bem, sobretudo em regiões mais frias. Mas não passe os dias com a casa totalmente fechada, mesmo que o tempo esteja mau tente abrir uma janela um bocadinho, nem que seja por uns minutos, para arejar a casa.
E se usar uma lareira ou um braseiro para se aquecer, invista num alarme de monóxido de carbono – é que não lhe chamam à toa o assassino invisível! Isto é ainda mais pertinente se tiver familiares idosos a viverem em zonas rurais, onde este é o método usual para cozinhar e aquecer a casa.
Quanto às noites, pois bem, invista em lençóis de flanela. Duram imenso tempo e, acredite, fazem uma tremenda diferença. Sobretudo se os associar com um cobertor elétrico ou, caso não o tenha ou não queira ter, por razões de segurança, um simples saco de água quente – ou um daqueles sacos que se ligam uns minutos à eletricidade – fazem maravilhas. Nem precisará de um pijama muito forte! Ou de aquecer o quarto...
Já agora, se dorme toda a noite sem precisar de ir ao quarto de banho, parabéns, este detalhe não é para si. Mas se não for esse o caso, pense em usar uma daquelas cuecas para incontinência ou até uma fralda de adulto. Escolha o tamanho certo para si – atenção, o mesmo tamanho “oficial” pode ter dimensões diferentes consoante a marca – e evitará assim arrefecer enquanto se levanta e se desloca a uma divisão que, pelos seus materiais, é sempre das mais frias.
E por falar em quarto de banho, caso não o tenha, invista num daqueles pequenos aquecedores de pôr na parede. Se o ligar um bocadinho antes de se despir, verá a diferença no seu conforto ao evitar choques térmicos. E, ao contrário do que se poderia pensar, evite tomar banhos muito quentes – é que o nosso corpo reage à água muito quente tentando arrefecer...
Falemos agora de roupa.
Se vai sair – ou se a sua casa é fria – cubra a cabeça e o pescoço. Sim, mesmo dentro de casa. É que perdemos muito calor corporal através dessas zonas.
Prefira camadas de roupa mais leve e confortável a uma única peça mais grossa e pesada. Invista, acima de tudo, numa boa camisola interior de inverno e em meias quentinhas, mesmo se usar calças. E em casa, bom, não faltam botas e meias forradas a material próprio para aquecer os pés!
O que nos leva ao ponto seguinte, precauções a tomar quando se sai – e deve sair, se o puder fazer, como verá a seguir. Mesmo que não viva numa zona com gelo e neve, use calçado com uma boa sola aderente. E, como mencionei num post anterior, uma bengala é muitíssimo útil para evitar escorregadelas e quedas, que podem ter consequências muito más.
Outra precaução geral a tomar é a hidratação, sobretudo quando se sai. É que ao entrarmos e sairmos de edifícios aquecidos ou quentes, como uma loja ou supermercado, perdemos água sem sequer darmos conta disso. E mesmo em casa, seria boa ideia ter um termos ou um daqueles copos térmicos com tampa perto de si com a sua bebida quente favorita – mas atenção, tal como com os banhos, não demasiado quente.
E sei que no inverno, sobretudo se está mau tempo, só nos apetece ficar quietos, bem aninhados no nosso cantinho. Só que é ainda mais importante que se mova, nem que seja em casa. Não se esqueça, a partir de um certa idade, aquela expressão “parar é morrer” aproxima-se muito da realidade. Bom, morrer, talvez não, mas quanto menos nos mexemos mais difícil se torna fazê-lo, é de facto um círculo vicioso.
Manter também uma boa alimentação, rica em fruta, legumes, vegetais e leguminosas, mesmo que com o frio a fruta não seja o que mais apetece... E as comidas pesadas tão em uso no inverno, devem ser consumidas com moderação, é que o nosso metabolismo abranda nos meses mais frios. Se gosta de uma bebidazinha de vez em quando, tudo bem, só que não se esqueça que o álcool pode fazer perder calor corporal, exatamente como um banho ou bebida demasiado quentes.
Só um último ponto. Se vive isolado ou tem familiares idosos que vivem sós, não se esqueça de organizar contactos periódicos para garantir que qualquer problema que venha a surgir será rapidamente detetado.
E bom inverno!
Para a semana: A função social dos idosos. Quase tudo mudou na nossa sociedade e a função dos idosos não escapou à regra.