23 - Quedas e outros perigos
Comecemos bem este ano de 2023 com uma série de conselhos para evitar alguns dos muitos perigos que enfrentamos no dia a dia e que são particularmente graves para quem já não é muito novo. Quedas, por exemplo.
Até há bem pouco tempo, uma queda que levasse à fratura da anca ou de ossos das pernas era frequentemente fatal, sobretudo nas mulheres. E, com a falta de cálcio que mencionei num outro post, uma queda, mesmo aparentemente menor, podia causar uma grave fratura.
As coisas melhoraram muito nos últimos tempos, mas não deixa de ser grave uma fratura que obrigue a um período mais ou menos longo de imobilidade a partir de uma certa idade. É que se entra num círculo vicioso, quanto mais parados estamos mais nos custa começar a mexer-nos o que nos leva a um sedentarismo ainda maior.
Acredite, neste caso é bem verdadeira a expressão “parar é morrer”.
Vamos pois a algumas dicas.
A primeira, é evitar tapetes soltos em casa. Sim, são muito estéticos, compõem a decoração (e escondem algumas mazelas...), mas podem ser uma armadilha letal. Até mesmo os tão vulgares tapetes de quarto. Guarde-os ou dê-os, enfim, desfaça-se deles. E se gosta de ter um tapetinho junto à cama, opte pelos que têm uma base aderente: por exemplo, tapetes de exterior. Sim, não são estéticos, mas poderão poupar-lhe grandes dissabores.
Dê também uma boa olhadela à decoração da sua casa. Há muitas mesas, mesinhas e outros móveis que criam uma verdadeira corrida de obstáculos? Tente libertar o mais possível os percursos que faz mais frequentemente no seu dia a dia. É que para além do perigo de tropeçar, há também a questão de que, a partir de uma certa idade, criamos hematomas com mais facilidade, muitas vezes mesmo sem dar por ela. Sim, sei que gosta da sua casa tal como está, mas a segurança acima de tudo!
Se é proprietário da casa em que habita, pense em trocar a banheira por um chuveiro quase rente ao chão. Como os banhos de imersão até nem são um hábito muito nacional, acredite, não perde nada, muito pelo contrário – as suas pernas ficar-lhe-ão muito gratas.
Muito cuidado com cera ou água no chão. Lembre-se, já não tem as reações dos seus vinte anos, um pequeno desequilíbrio e... bumba!
O que me leva ao ponto seguinte, o calçado. Mesmo que use chinelos ou pantufas quando está em casa, escolha modelos com uma boa sola aderente e que lhe deem um andar seguro. O mesmo se aplica ao calçado de sair, ponha a segurança e estabilidade acima da estética! E até já há modelos bem bonitinhos e que tornam bem mais difícil escorregar.
Já agora, não tenha vergonha de usar uma bengala. Mesmo que não precise dela para caminhar, dão uma segurança extra – pelo menos psicológica – ao andar em pisos escorregadios, como a nossa bela, mas perigosa, calçada. E sabia que há inúmeros modelos dobráveis? Pois é, pode guardá-la na carteira e, quando precisar é só tirá-la e esticá-la.
Já agora, os andarilhos foram feitos para ajudar, não espere até ter dado várias quedas para começar a usar um mesmo dentro de casa. Não é vergonha nenhuma, trata-se apenas de um auxiliar, nada mais. E, mais uma vez, há modelos para “todos os gostos e feitios”.
Passemos agora a outro assunto, fugas de gás. Em muitos fogões modernos, não há fuga de gás mesmo se nos esquecermos de desligar um bico depois de o usarmos. Se não é o seu caso, pense muito seriamente em investir num detetor de gás. Até nem são muito caros e podem salvar-lhe a vida. Tal como um detetor de fumo... É que um descuido acontece a qualquer um mas, infelizmente, tornam-se mais frequentes com o andar dos anos.
Falemos agora de medicamentação. Já lhe aconteceu ficar parado sem saber se já tomou ou não os medicamentos que deve tomar a determinada hora? E ou se arrisca a tomá-los duas vezes ou a não os tomar, duas opções igualmente más para o seu futuro. É aqui que entram as célebres caixinhas de medicamentos com compartimentos para três ou quatro doses diárias, sete dias por semana. Assim, basta olha para a dita e fica a saber se os tomou ou não.
O meu último conselho não se aplica a toda a gente, depende do modo como recebe a reforma. Se costuma levantá-la mensalmente no banco, Correios ou outro sítio, tente evitar fazê-lo numa data em que é sobejamente conhecido que esses pagamentos estão a ser feitos. É que também ladrões e aspirantes a larápios sabem perfeitamente disso e arrisca-se a perder o seu dinheiro e, até, a sofrer danos físicos.
Sei que com o valor de muitas reformas não falta gente a contar os dias até receber, mas tente ir adiando um dia de cada vez até acabar por fazê-lo numa data neutra, digamos.
É claro que a melhor solução seria depositar o dinheiro e ir levantando aos poucos, via cartão Multibanco, por exemplo, mas cada um sabe de si.
Bom, é tudo por hoje, só me resta desejar que comece o ano com uma boa e firme resolução: tornar o seu ambiente mais seguro!
Para a semana: Novo paradigma de vida. O usual cá na terra é vivermos na mesma casa até morrermos ou irmos para um lar. Porquê?