181 - Minorar os problemas
À semelhança do que fiz no meu outro blogue, Luísa Opina, decidi alterar o tema anunciado para esta semana devido à verdadeira catástrofe que se está a viver em várias zonas do nosso país e à péssima resposta que está a ter por parte de quem devia zelar pelos portugueses. Ainda há aldeias isoladas de que nada se sabe, pessoas já nada novas que morreram quando tentavam arranjar o telhado de casa para a tornar mais habitável, enfim, inúmeras situações que, atendendo aos muitos problemas gerais que temos tido – como os incêndios e o apagão – já deviam ter respostas e soluções mais organizadas.
E apesar de a situação em cidades como Leiria serem terríveis, sem luz, sem comunicações e em muitos casos sem água, acho bem mais preocupante o que poderá estar a passar-se em aldeias e locais similares que, como muito bem sabemos, são habitados maioritariamente por pessoas nada novas.
Atendendo a tudo isto, irei dar aqui algumas indicações que talvez possam minorar os problemas surgidos após uma catástrofe, seja ela natural ou não (como o apagão). É que temos que ter em mente que há problemas de difícil resolução a curto prazo – como a queda de postes de alta tensão – e, pelo que temos visto, as populações ficam, muitas vezes, entregues a si mesmas.
Já falei deste tema em A propósito dos incêndios e Falemos do apagão e tudo o que ali disse continua válido. Mas, com a repetição de situações deste tipo, vale sempre a pena relembrar alguns detalhes.
Primeira recomendação, ter em casa um mínimo de coisas para sobreviver uns dias caso haja uma catástrofe. A recomendação oficial é ter o bastante para 72 horas, mas esse valor baseia-se numa certa rapidez – e organização, acima de tudo – na resposta dada.
Já falei anteriormente do assunto, sobretudo do chamado “kit de emergência”, que não passa de uma mochila ou saco com alguns artigos considerados essenciais para a sobrevivência nessas tais 72 horas. Se quiser ter uma ideia do que deve incluir, esta página da DECO tem a sua listagem, incluindo, também, artigos para quem tem animais de estimação.
Lembro, também, que a União Europeia recomendou, recentemente, a implementação de um kit destes – veja aqui o que o chamado “kit europeu” deve conter. Curiosamente, ou talvez não, esta recomendação foi muito mal recebida por comentadores, políticos e jornalistas com o usual argumento de que falar nisso iria fazer as pessoas entrarem em pânico. Ao que parece é bem melhor as pessoas serem apanhadas desprevenidas!
Há kits à venda, mas não há nenhuma razão para não fazer o seu, adaptando-o melhor às suas necessidades pessoais. E é, de facto, imprescindível para ajudar caso haja uma catástrofe que nos obrigue a sair rapidamente de casa.
Mas isso nem sempre acontece, como é o caso desta tempestade Kristin em que pouquíssimas pessoas foram evacuadas. Sendo assim, o ideal seria ter em casa o necessário para aguentar alguns dias caso não chegue ajuda. E sim, isto é particularmente importante para quem vai para novo, sobretudo caso viva sozinho ou na companhia de alguém da mesma faixa etária.
Em primeiro lugar, água. Lembro que um corte total do abastecimento elétrico poderá levar à falta de água, uma vez que as estações de bombagem não conseguem funcionar. Tenha, pois, sempre alguma de reserva – se o garrafão ou garrafas estiverem selados, ou seja, se não tiverem sido abertos, podem durar muito tempo. E se vive numa aldeia ou numa casa com jardim / quintal, pense em ter um ou mais recipientes para recolha da água da chuva – não dá para beber ou cozinhar, mas pode ser usada para outros fins e, caso tenha animais domésticos, serve perfeitamente para eles.
Tenha, também, alguns enlatados, bolachas e outras coisas que se possam comer sem cozinhar. Mas vá vigiando as datas de validade, de nada servirá ter uma boa despensa se nada puder ser comido. Opte por coisas que alimentem, como as chamadas barras energéticas. E há agora flocos de aveia instantâneos que podem ser preparados até com água ou leite frios.
Num post anterior dei a indicação de que seria útil ter em casa um pequeno fogão de campismo, aqueles que dão só para um tacho e que funcionam com uma pequena botija à venda em todo o lado. Não digo que faça grandes cozinhados – ou o gás pouco durará – mas sempre servirá para aquecer água para bebidas quentes ou comidas “instantâneas.
Procure, também, uma boa fonte de luz, velas (escolha-as duradouras), lanternas LED (de preferência com uma base para as poder pousar), etc. Bem basta nada se poder fazer, pior ainda estar às escuras.
Mas há outras coisas, não materiais, que se podem fazer caso aconteça uma tragédia como esta. Uma delas tem a ver com solidariedade. É que enquanto não chega ajuda externa, seria ideal que as pessoas de um prédio, de um bairro, unam os seus conhecimentos e recursos para melhorar um pouco a situação de quem ali vive. Por exemplo, se há indicações de que o corte de luz será duradouro – mais de dois dias – o que houver nos congeladores irá estragar-se. Sendo assim, porque não ver se alguém tem uma churrasqueira a carvão que possam usar para cozinhar alimentos diversos a distribuir por todos?
Ou garantir que quem tem casas mais afetadas e sem condições de habitabilidade possa arranjar onde ficar umas horas ou uns dias. E lembre-se, o que para alguém jovem é apenas um incómodo, poderá ser muito grave ou até fatal para quem já tem uns aninhos em cima, sobretudo se o seu estado de saúde for frágil.
Finalmente, se vive numa aldeia isolada, com fortes probabilidades de ficar ao abandono durante algum tempo, aqui vai uma sugestão. Nem todas as casas ali são iguais, haverá umas em melhor estado do que outras. E, passados os piores momentos, poderá ser difícil sair para ir ver como estão os outros habitantes da localidade.
Sendo assim, quando há um aviso de tempestade forte, que tal organizarem uma “dormida” conjunta nas habitações mais resistentes? Poderá ser uma precaução excessiva, mas, caso a situação seja bem pior do que se esperava, estarão mais juntos e com melhores probabilidades de sobreviverem.
Acima de tudo, lembrem-se do seguinte: os desastres dos últimos anos ensinaram-nos que, apesar da imensa boa vontade e esforços de pessoas no terreno (bombeiros, GNR, etc.), muitas vezes estes são insuficientes perante a dimensão da catástrofe. E se podermos tomar conta de nós, bom, libertaremos recursos para acorrerem a situações mais graves.
Para a semana: Cansaço. Pode haver uma boa razão para existir, mas pode ser também um indício de outras coisas