177 - Voltemos aos cuidados com o frio e mau tempo
Já falei anteriormente sobre este assunto, mais do que uma vez, até, mas com as previsões meteorológicas adversas para os próximos tempos e o caos cada vez maior nas Urgências dos hospitais achei que talvez fosse boa ideia voltar a este tema sazonal.
Comecemos pela atividade física – ou falta dela. Para muitos dos que vão para novos o inverno é uma boa desculpa para se enfiarem em casa e passarem os dias enfiados num cadeirão ou, até, na cama, sem fazer nada. Mas, como bem sabemos, isto pode ser altamente prejudicial, podendo-se chegar a um ponto em que nos queremos mexer mas não conseguimos.
É claro que quando chove e há vento forte não é boa ideia andar na rua sem necessidade. Mas há muitos dias de sol em que até sabe bem ir espairecer um bocadinho. E quando está desagradável, não se esqueça de se levantar várias vezes – a recomendação é de hora a hora – e dar uns passinhos pela casa, esticar as costas (espreguiçar-se), enfim, mexer-se. Ou, melhor ainda, fazer algum exercício em casa.
Passemos, agora, à casa em si. Com o pretexto de que somos um país de clima ameno, as nossas casas raramente estão devidamente isoladas. As mais antigas, então, podem tornar-se, realmente, gélidas. Felizmente, há agora uma enorme variedade de aquecedores leves e que não pesam demasiado na conta da luz. Pode, pois, ter mais do que um para manter aquecidas as divisões onde passa a maior parte do tempo.
Se vive só, pense, até, em manter fechados os compartimentos não usados, assim concentrará melhor o calor. Mas não se esqueça de aproveitar os dias e horas de sol para abrir janelas e arejar um pouco a casa.
Tenho recomendado, também, a colocação de um aquecedor de parede no quarto de banho. Ligue-o um pouco antes do banho, assim não estranhará tanto a diferença de temperatura. E para a cama, há botijas elétricas muito baratas e que a aquecem bem, sobretudo se tiver lençóis de flanela – que recomendo vivamente, fazem uma diferença enorme no conforto noturno.
Tente evitar um amontoado de cobertores, o peso pode ser desagradável e dar a sensação de se estar preso na cama, dificultando, também, muito, o levantar e o deitar. Lençóis de flanela, botija, um bom edredão, pijama e meias quentinhos e pronto, tem tudo para uma noite confortável.
Caso costume levantar-se muito durante a noite para ir ao quarto de banho, pense muito a sério em usar uma cueca para incontinência – há-as para todos os preços e servem para homem e para mulher. Evitará, assim, passar do quente da cama para o frio do quarto de banho, na maior parte das vezes para quase nada...
Quanto à roupa que usa, lembre-se do conselho usual: camadas! Sobretudo quando sai e, acima de tudo, se tenciona ir a lojas. Estas estão sempre muito aquecidas – bom, muitas nem usam aquecimento, é só por ser um ambiente fechado e com muita gente – e os agasalhos que são confortáveis no exterior poderão ser demasiado quentes lá dentro. Mas se tiver levado as tais camadas, pode sempre ir tirando um ou mais casacos.
Em casa, use o mesmo princípio e tenha sempre à mão uma mantinha ou algo similar. A temperatura varia muito durante o dia e às vezes acabamos por ficar enregelados porque vamos adiando ir buscar um agasalho extra.
E não se esqueça do calçado, escolha-o com solas não derrapantes, até mesmo em casa – cozinhas e quartos de banho demoram mais a secar quando são lavados, por exemplo. Dê, também, preferência a umas boas meias quentinhas, podem não ser tão estéticas como as de verão mas dão muito mais conforto.
Finalmente, o abastecimento. Já falei anteriormente na vantagem de ter algumas coisas em casa para o caso de o tempo estar realmente muito mau e não ser boa ideia sair.
Os medicamentos, por exemplo. Não deixe os usuais chegarem ao fim, veja se os tem, no mínimo, para uma semana. E adquira também um bom xarope, pastilhas para a garganta, etc. É que se se começar a estar engripado ou com tosse, acha boa ideia sair para ir buscar medicamentos que pode perfeitamente já ter em casa?
O mesmo é válido para a alimentação. Tenha sempre alguns produtos básicos, como leite e pão, por exemplo. E aproveite os dias de mau tempo para fazer umas sopas e alguns pratos para congelar e ter assim refeições quando não é de facto boa ideia ir à rua.
Basicamente, planeie as coisas de modo a poder estar uma ou duas semanas sem sair, caso o tempo esteja mesmo muito mau – felizmente, no nosso país vai sempre havendo uns dias de bonança por entre os de temporal. Não se esqueça, também, de ter velas e uma boa lanterna (e pilhas) para o caso de a luz ir abaixo – já tem acontecido. E uma reserva de água, apesar de esta faltar, habitualmente, muito menos.
E como irá, certamente, “hibernar” nos dias maus, planeie algumas distrações e ocupações para esses dias – falei disso, entre outros, em Ultrapassemos o Inverno.
Último detalhe, se por acaso tem um cão que tem de ir à rua duas vezes por dia, que tal ver se há alguém mais novo no seu prédio ou perto de si, também com um cão, que o possa levar por si quando o tempo está mau? Era capaz de lhe evitar alguns resfriados e outras complicações...
Não quero que fique com a ideia de que tem de se tornar uma “flor de estufa” durante esta época do ano, a questão é que, do modo como as coisas estão no SNS, a velha expressão “mais vale prevenir do que remediar” nunca foi tão verdadeira.
Para a semana: Dermatites e similares. Com a idade, a pele fica mais fina e qualquer problema com ela torna-se mais grave