Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

168 - Escrever as memórias

Não deixe que o título o impeça de ler este post, é que “escrever” tem aqui vários significados, ou seja, não quer dizer necessariamente usar papel e caneta – ou um computador, claro. Mas antes de passarmos ao “como”, falemos do “porquê”.

Há várias razões para anotar momentos do seu passado. A primeira é, claro está, poder proporcionar-lhe alguns momentos agradáveis e uma distração. Bem sei que as nossas vidas nem sempre correram “sobre rodas”, mas, com a passagem do tempo, às vezes recordar os maus momentos pode, até, ser terapêutico.

Mas atenção, quando falo em “escrever” as memórias, não me refiro a remoer quezílias, ódios de estimação e todas essas coisas negativas. Bem basta o peso que muitas delas já tiveram na nossa vida, não precisamos de lhes dar uma nova força nos anos que nos restam.

Refiro-me, isso sim, a tentar recordar momentos da nossa existência, mas não a seco, digamos, ou seja, isolados da sociedade e do ambiente em que vivíamos na altura. Ou seja, se for, por exemplo, algo passado durante a instrução primária, que tal pintar o cenário em que isso se passou? Como era a escola, a turma, a professora, os colegas, as atividades depois da escola, caso existissem? Pense em si como uma espécie de historiadora amadora, tendo sempre em mente que o contexto é importantíssimo, ou seja, um ato pode mudar totalmente de significado se tivermos em conta a época e local onde decorreu.

E, acredite, a dificuldade está em começar, é um daqueles casos em que uma recordação puxa outra que puxa, por sua vez, mais uma (ou várias).

Mas há uma outra razão para que quem vá para novo “escreva” as suas memórias. Pelo que tenho visto e lido, há agora muito interesse entre os mais novinhos em descobrir coisas sobre a sua família. Há até escolas que põem os alunos a fazerem projetos de genealogia e não faltam sites onde se podem descarregar modelos de árvores genealógicas.

Só que muitos acham-nas um pouco “secas”, ao fim e ao cabo não passam de uma mera listagem de nomes e das relações familiares entre eles. Há, pois, quem tenha bastante interesse em saber mais sobre essas pessoas com quem têm laços familiares. Que tal antecipar-se e criar a sua própria árvore genealógica, mas com pequenas biografias das pessoas ali indicadas? Lembre-se, em muitos casos será a única a recordar ainda uma bisavó, um tio-avô, uma trisavó, até.

Há também gerações mais jovens que querem saber como era “antigamente” – apareceu, até, recentemente um jogo que trata precisamente disso, chama-se, claro, “Como era antigamente”. Não sei se é bom ou mau, mas não englobará, certamente, todas as vivências possíveis e muito menos todos os períodos dos últimos cem anos, por exemplo.

Sei que estará a dizer, mas os meus filhos nunca mostraram o menor interesse pelas minhas histórias. Pois, este é um daqueles casos em que muitas vezes o interesse salta uma geração. Ou até mais, quem sabe, os seus bisnetos poderão querer saber mais sobre si e já não haver ninguém para lhes contar como era.

Passemos agora ao “escrever” em si.

Pode ser, claro, escrita a sério, manual ou via computador. Mas se adotar esta solução, não tente escrever uma autobiografia e muito menos uma obra-prima, garanto que desistirá em menos de nada. A melhor opção é ir escrevendo coisas à medida que as recorda, sem uma ordem específica.

E se quer evitar que fique uma confusão, cronologicamente falando, bom, a solução é simples, use vários cadernos – ou ficheiros no computador – e destine-os a épocas diferentes. Assim, os episódios anotados poderão não estar na ordem certa, mas estarão, certamente, no período correto.

Uma opção mais simples para quem não gosta de escrever – ou tem dificuldades físicas para o fazer – consiste em ditar as suas memórias. Para além do telemóvel, não faltam pequenos gravadores portáteis, alguns até com a opção de pararem a gravação nos períodos de silêncio. Ou pode, muito simplesmente, usar opções online como o Google Docs.

E para passar o áudio para texto escrito, há vários programas, gratuitos ou a pagar que fazem essa transcrição – pequeno aviso, há sempre um período de “aprendizagem” do programa e nem sempre funcionam bem na nossa língua, lembremo-nos de que foram criados para o inglês e os que dizem que aceitam português referem-se, muitas vezes, ao do Brasil. Ou, caso tenha um computador com um Windows mais recente, pesquise as suas capacidades, pode ter o programa Acesso por Voz que lhe permite ditar o que quer escrever.

Mas há outras coisas que pode fazer. Por exemplo, tem certamente em casa álbuns antigos cheios de familiares que as gerações mais novas já não sabem quem foram – se calhar também já são desconhecidos para si...

Que tal ir desfolhando esses álbuns e anotando nomes e alguns dados sobre as pessoas e ocasiões ali representadas? Pode, por exemplo, atribuir números às fotos, anotar o nome por trás e escrever o que recorda sobre a pessoa ou ocasião em folhas que pode, até, inserir no álbum.

Outra maneira divertida de unir genealogia e recordações é criar álbuns que incluam fotos, textos e outros elementos – no post Distrações dei alguns links sobre scrapbooking, uma técnica muito popular em vários países e que permite criar álbuns específicos para inúmeras ocasiões. Mesmo sem fazer uso das suas técnicas decorativas, que tal adicionar informações adicionais às suas fotos e míni biografias? Como algo sobre a aldeia / cidade / país onde essa pessoa viveu.

Enfim, há inúmeras possibilidades de “escrever” as suas memórias. E apesar de eu ter falado em partilhá-las com as novas gerações, nada o impede de as fazer apenas para si, como distração e como um modo de recordar momentos da sua vida que se destacam na sua memória no bom ou no mau sentido.

Pode, até, “atacar” em duas frentes e criar álbuns / textos para partilhar e outros só para consumo interno.

Para a semana: A depressão do outono / inverno. Sim, existe e pode ser pior em quem vai para novo.

2 comentários

Comentar post