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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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166 - A propósito das Autárquicas

Bom, as Autárquicas já passaram, é altura de falar delas. O que aqui digo é também válido para as Legislativas, só que, atendendo a que estas últimas eleições envolviam Juntas de Freguesia, o órgão político que está, teoricamente, mais perto das respetivas populações, decidi falar só agora desta questão.

Só acompanhei por alto a campanha eleitoral, uma vez que já não tenho grande paciência para politiquices. Mesmo assim, houve algo que me chamou a atenção: a total ausência da camada etária mais “avançada”, ou seja, os denominados idosos.

E não me refiro às listas de candidatos, apesar de achar curioso que numa sociedade sempre a berrar por quotas para tudo e mais alguma coisa não haja uma para quem tem mais de 65 anos – é que já somos 23,4 % da população, ou seja, quase um quarto! Mas não vou falar disto porque, a) não faço ideia da composição etária de muitas listas e b) sou totalmente contra a existência de quotas.

A questão, para mim, está nos programas eleitorais. Com tanta conversa a toda a hora sobre o envelhecimento da população seria de esperar que isso fosse um tema em destaque, sobretudo nas muitas freguesias em que a média etária da população é bastante elevada. E são mesmo muitas, sobretudo em zonas mais rurais, mas também nas grandes cidades.

Há Câmaras com alguns projetos interessantes, como a de Cascais e a do Porto, por exemplo, mas este é um daqueles casos em que as Juntas de Freguesia deviam agir mais e em inúmeros campos de ação, do isolamento (continuam a surgir notícias de idosos que são encontrados mortos meses depois) ao chamado envelhecimento ativo e muitos outros. Lembro que há locais onde até o acesso ao Centro Médio da zona é totalmente inadequado para quem já não tem muita estabilidade.

Muito francamente, acho que a única solução é a chamada “brigada grisalha” começar a agir por conta própria nas áreas do seu interesse, pressionando, também, as entidades governativas locais para que ajam. Mas atenção, não sou a favor de manifestações e protestos de rua, o seu efeito real acaba por ser quase sempre nulo ou resumir-se a meia dúzia de promessas ocas.

É claro que a primeira ideia que vem à mente é criar associações de pessoas locais para lidar com determinadas questões. E já há algumas interessantes, que dão apoio a muitos “idosos” em situação menos boa.. Só que... pois, um colega meu dizia que o lema do nosso país é “para quê simplificar se podemos complicar”.

E, inevitavelmente, a criação de uma associação é uma tremenda complicação – ver aqui. Até mesmo a chamada criação de uma associação na hora, que é, segundo dizem, a mais rápida e simples. De qualquer dos modos, são estruturas muito pesadas e cheias de regras e estatutos, feitas mesmo à medida de um país altamente burocrático.

Sendo assim, que tal criar antes um grupo informal de pessoas que partilham as suas ideias e necessidades? Não se esqueça de que o Facebook, Instagram e outras redes sociais permitem a criação facílima de grupos, sendo, também, plataformas ótimas para os divulgar.

A grande questão aqui é ter uma causa clara. É muito bonito dizer que querem “melhorar a vida dos idosos”, só que isso soa a mensagem política, de tão vaga que é. Foque-se, pois, em problemas específicos. Por exemplo, melhoria dos acessos a edifícios públicos e não só na Freguesia de... Ou reduzir a solidão e isolamento dos idosos de... (uma zona específica).

Decidida a missão, escolha um título apelativo. Mas não basta: indique um programa, ou seja, exatamente qual é a intenção do grupo e alguns dos modos como vão tentar alcançá-lo. Mais uma vez, nada de frases vagas, entre em especificidades.

Bom, já estou a ouvir os comentários, pois, tudo isso é muito bonito, mas a Internet está cheia de grupo, de que serve eu criar mais um?

Pois bem, pense em todas as vezes em que esteve com amigas e se queixaram disto e daquilo. Ou foi a um centro médico local e os muitos ali presentes acabaram a trocar queixumes. Ou seja, se estiver atento, acabará por ver quais são as queixas mais comuns que ouve e, caso sejam também as suas, aí está um tema e, melhor ainda, potenciais aderentes.

Uma vez criado o seu grupo, não se coíba de o divulgar o mais possível. Se está num café ou loja, por exemplo, e houve falar de um assunto abrangido pelo seu grupo, publicite-o – já agora, sabia que é agora muito barato imprimir folhetos pequenos (10,5 x 14,8 cm) a cores ou cartões do género cartões de visita? Mais ainda, divulgue o seu grupo nos centros de dia e similares da sua zona, muitas instituições e locais públicos têm painéis para divulgação de eventos.

Pequeno detalhe, mesmo que o grupo tenha sido criado em torno de um problema enfrentado por quem tem uma idade mais avançada isso não significa que restrinja a adesão ao dito, muito pelo contrário, os jovens são, usualmente, muito bons a lidarem com redes sociais e a aparecerem com ideias inovadoras para ações de divulgação – mas, repito, nada de protestos de rua, acho-os uma ação negativa e não positiva.

E se o tema do seu grupo disser respeito a algo com que podem lidar diretamente, comecem a agir. Por exemplo, se o parque público da zona está um matagal e sem nada que o recomende para passar umas horas, informem-se sobre o que podem fazer por conta própria para o melhorar. Se é uma questão de minorar a solidão dos idosos ali residentes, tentem contactá-los, diretamente ou através de vizinhos e conhecidos, para organizar visitas periódicas de “chá e conversa” – e qualquer outro tipo de apoio necessário.

E mesmo que o seu grupo seja pequeno, não se coíba de contactar a sua Junta de Freguesia sobre os problemas com que lidam – aqui para nós, dizer que se representa o Grupo X ou Y tem mais peso do que falar a título individual... Mas, mais uma vez, faça uma abordagem pela positiva, ou seja, para além da questão indique algumas soluções possíveis e ofereça os préstimos do seu grupo para as ajudar a implementar.

Último detalhe, para não estar a “reinventar a roda”, veja que associações ou grupos já existem na área que lhe interessa – a pesquisa no Facebook é bastante fácil – e adira. Mesmo que não lhe agradem totalmente, poderão servir de inspiração.

Para a semana: Os problemas dos cuidadores. Das poucas vezes que se fala deste assunto, a "solução" é sempre a mesma: dinheiro. Mas será mesmo isso que faz mais falta?