Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

161 - Anemia

A anemia é um problema de saúde que afeta toda a nossa população (e a mundial, também) – 15 %, segundo a OMS, 20 % de acordo com a Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia – mas que aflige, sobretudo as camadas mais idosas. Chegou-se, aliás, a pensar que a redução de hemoglobina no sangue era uma consequência normal de envelhecer. Mas estudos mais recentes vieram desmentir essa ideia, uma vez que na maioria dos idosos com níveis baixos da dita há causas subjacentes para isso e que nada têm a ver com a idade.

Mas o que é a anemia?

É, muito simplesmente, uma contagem de glóbulos vermelhos no sangue inferior ao normal. Pequeno detalhe, os glóbulos vermelhos têm uma vida curta, apenas 100 a 120 dias, ou seja, o nosso corpo está – ou deveria estar – a produzi-los continuamente. Já agora, a sua cor vermelha vem do facto de conterem ferro, sendo este recuperado pelo sangue após a sua morte para produzir novos glóbulos vermelhos. Quanto ao seu papel no nosso organismo, transportam oxigénio dos pulmões para todos os tecidos do nosso corpo, daí a sua importância.

diversas causas para a anemia, como perdas de sangue, quimioterapia, baixos níveis da hormona eritropoietina (que estimula a produção de glóbulos vermelhos na medula) e muitas outras, mas a causa mais comum em idosos é uma deficiência de ferro e também de vitamina B12. Curiosamente, passámos de uma situação em que a anemia era quase ignorada – vista como normal ao envelhecer, como disse acima – para o oposto em que se receita um suplemento de ferro a pessoas acima de uma certa idade de um modo quase automático (ver os inconvenientes mais abaixo).

Passemos aos seus sintomas, mas antes com uma pequena ressalva. A sua deteção está bastante condicionada à rapidez com que surge a anemia. Ou seja, se a diminuição do número de glóbulos vermelhos ocorrer lentamente ao longo de semanas ou meses, mal damos por isso. Mas se for rápida, numa questão de dias, então o cenário é totalmente diferente. Isto para além de o seu nível de gravidade variar muito, de ligeira a intensa. Daí a sua deteção ter de ser feita por meio de análises ao sangue.

Sendo assim, os sintomas mais comuns da anemia são os seguintes:

- Sensação permanente de cansaço, sem uma razão real para tal.

- Falta de ar.

- Fraqueza.

- Frequência cardíaca elevada.

- Dores de cabeça.

- Palidez, sobretudo nas gengivas e parte interna inferior dos olhos.

Como disse acima, uma causa muito comum acima de uma certa idade é uma deficiência em ferro, que pode estar conjugada com uma deficiência de vitamina B12. Caso se confirme que há, de facto, uma deficiência de ferro, é importante verificar se não é devida a qualquer hemorragia interna lenta, microscópica. Estas são bastante comuns no estômago e cólon de idosos, sobretudo nos que tomam um comprimido diário de ibuprofeno – daí haver versões melhores, digamos, para quem tem de o tomar devido a problemas cardíacos, por exemplo.

A boa notícia é que a anemia é totalmente tratável, em si ou nas causas que lhe podem dar origem. Um suplemento de ferro é o tratamento mais usual, mas atenção, a sua toma diária pode ter efeitos secundários, como os seguintes:

- Dores de estômago, desconforto e inchaço.

- Náuseas.

- Gases.

- Prisão de ventre, diarreia (pois, varia de pessoa para pessoa).

E, pequeno detalhe, altera a cor das fezes, tornando-as muito escuras, quase negras, o que pode provocar algum alarme para quem não sabe que isso é apenas um resultado normal da toma de ferro.

Sendo assim, talvez seja boa ideia investir numa alimentação saudável e rica em ferro para prevenir o aparecimento de uma anemia ou para ajudar a minorá-la mais rapidamente, caso já a tenha. Há inúmeros alimentos ricos em ferro, mas os de origem animal têm o chamado ferro hémico, de absorção mais rápida, ao passo que os de origem vegetal contêm ferro não hémico, que é absorvido muito mais lentamente.

Alimentos de origem animal ricos em ferro:

- Gema de ovo.

- Carnes vermelhas – sim, bem sei que se recomenda evitá-las...

- Vísceras: fígado, coração, moelas, rins.

- Peixe, sobretudo carapau, sardinha, cavala e chicharro.

- Marisco, sobretudo amêijoa, berbigão e ostras.

Alimentos de origem vegetal ricos em ferro:

- Grão-de-bico.

- Lentilhas.

- Feijão, todos, incluindo a soja.

- Ervilhas.

- Espinafres.

- Brócolos.

- Beterraba.

- Salsa.

- Coentros.

- Agrião.

- Couve portuguesa.

- Acelgas.

- Sementes.

- Quinoa.

- Tofu.

- Chocolate negro.

Pequeno detalhe, a vitamina C ajuda na absorção de ferro pelo organismo. E aqui estão alguns alimentos ricos nela – note que alguns coincidem com os da lista acima e estão, por isso, sublinhados:

- Pimentos.

- Brócolos.

- Couves (lombarda, portuguesa, galega, roxa).

- Agrião.

- Coentros.

- Salsa.

- Couve-flor.

- Couves-de-bruxelas.

- Grelos de nabo.

- Citrinos: laranja, limão, lima, clementina, toranja.

- Melancia, melão, meloa.

- Kiwi.

- Morango.

- Papaia.

Último detalhe, aconselha-se não ingerir cafeína (café, chás, certos refrigerantes) perto das refeições ou com elas, uma vez que inibem a absorção de ferro pelo nosso organismo. E pensa-se, também, que o mesmo pode acontecer com alimentos ricos em cálcio, como o leite e seus derivados. Por isso, se sofre de anemia, consuma estes produtos no intervalo das refeições ditas normais.

Para a semana: O dilema dos “idosos” atuais. Estaremos preparados para as  mudanças no paradigma da velhice?