100 - O AVC
É um dos “papões” de quem vai para novo, apesar de, curiosamente, cerca de 25 % dos casos ocorrerem em pessoas jovens. Mas é verdade que o risco de se ter um duplica a cada década acima dos 55 anos e, embora ocorra mais nos homens, há mais casos fatais entre as mulheres, talvez porque estas não prestam tanta atenção aos seus sintomas ou não pedem logo ajuda. É, também, a principal causa de morte em Portugal.
Mas o que é um AVC? Bom, o Acidente Vascular Cerebral resulta da lesão de células cerebrais por falta de oxigénio e nutrientes devido a um bloqueio do fluxo de sangue que as alimenta – o AVC isquémico, o mais comum, cerca de 4/5 dos casos – ou por ficarem inundadas de sangue devido à rotura de uma artéria – o AVC hemorrágico. Há ainda o chamado Acidente Isquémico Transitório, AIT, um entupimento da artéria cerebral que pode durar uns minutos ou horas e que desaparece por si, mas que pode ser o primeiro sinal de um AVC, devendo, pois, ser levado muito a sério.
As consequências de um AVC – antigamente muito conhecido como “trombose” – podem ser muito variados, dependem muito da área do cérebro que foi afetada, uma vez que zonas diferentes controlam aspetos diferentes do nosso corpo e mente.
É muito comum afetar a zona direita do corpo, em maior ou menor grau, indo de uma pequena deformação da cara à paralisia total ou parcial de toda essa parte. Mas como o cérebro controla processos complexos como raciocínio, emoções, comunicação, etc., tudo isto pode ser afetado em maior ou menor grau.
Pior ainda, como surge subitamente, os seus efeitos são também imediatos. Mas o ponto principal é que cada caso é um caso e as consequências podem variar imenso, desde o quase impercetível a problemas gravíssimos ou, até, a morte.
Antes de falar das causas e o que podemos fazer para tentar reduzir, dentro do possível, as hipóteses de se ter um AVC, vamos aos sintomas e ao que fazer perante a suspeita de que tivemos – ou alguém que está connosco teve – um.
Os sintomas mais comuns são:
- A face fica subitamente assimétrica, com uma das pálpebras descaída, nota-se sobretudo ao tentar sorrir.
- Um braço ou uma perna perdem de repente a força ou há uma falta de equilíbrio repentino.
- A fala torna-se estranha ou incompreensível, a pessoa parece não entender o que lhe dizem.
- Falta súbita de visão num dos olhos ou em ambos ou visão dupla.
- Uma forte dor de cabeça que surge de repente, sem causa aparente e que é diferente do habitual.
E ainda:
- Sensação súbita de náusea, vontade de vomitar.
- Breve período de perda ou diminuição da consciência.
Se alguém consigo se queixar de algum destes sintomas, faça uns pequenos testes:
- Diga-lhe que sorria ou ria e observe se um dos lados da boca ou da face está descaído.
- Diga-lhe que levante os braços e veja se um deles cai, simplesmente, por não ter força.
- Peça-lhe que repita uma frase simples que lhe disse e veja se consegue falar bem e com coerência.
Caso algum destes testes dê positivo, ligue logo para o 112. Mais ainda, se suspeitar que pode estar a ter um AVC – repito, a pessoa em si ou alguém com quem está – ligue à mesma para esse serviço, mais vale prevenir do que remediar... Lembre-se, um AVC é sempre uma emergência médica.
Passemos agora às causas. Infelizmente, nem todas estão sob o nosso controlo, como a parte genética. Mas há alguns fatores que podem contribuir muito para que se venha a ter um AVC. Por exemplo:
- Má alimentação, sobretudo um excesso de consumo de gorduras, sal, açúcares, levando a um “entupimento” das artérias – aterosclerose.
- Colesterol elevado, uma vez que favorece a acumulação de placas de gordura nos vasos sanguíneos e reduz o fluxo de sangue.
- Tensão alta, porque pode levar a um AVC hemorrágico pelo rompimento de uma artéria.
- Tabagismo, é considerado um fator de risco para ambos os tipos de AVC.
- Diabetes, pode alterar vasos sanguíneos, aumentando a sua rigidez e a sua inflamação.
- Obesidade, obviamente, porque está muitas vezes associada a colesterol elevado e a diabetes tipo 2.
- Sedentarismo, uma vez que pode resultar em colesterol elevado, obesidade, tensão alta ou doenças que aumentam o risco de um AVC.
Há, também, a possibilidade de ocorrer devido a um aneurisma cerebral que, infelizmente, só é normalmente detetado acidentalmente durante um exame para outros fins ou, pior ainda, quando rebenta.
Para terminar, vamos ao que acontece após um AVC. Como disse acima, cada caso é um caso e o tratamento posterior varia, claro, com a gravidade e tipo das suas consequências.
Se houver sequelas físicas mais ou menos grave, há vários tipos de fisioterapia que ajudam a melhorar ou, no mínimo, a minorar os problemas deixados por um AVC devastador.
Há também terapia ocupacional, para tentar melhorar não só a parte física mas também a mental, caso esta tenha sido afetada.
E terapia da fala, caso esta tenha sido afetada.
Lembremo-nos, também, que muitas tecnologias modernas permitem avanços que até há bem pouco tempo eram considerados impossíveis, nomeadamente em termos de comunicação – por exemplo, uma pessoa que não consegue falar poderá recorrer a um ecrã tátil ou, até, a um teclado virtual acionado pelo seu olhar.
Resumindo, mesmo que não haja grandes melhorias, há bastantes modos de melhorar a qualidade de vida de uma pessoa que teve um AVC com gravíssimas consequências – e a das pessoas que cuidam dela.
Para a semana: Superalimentos. Algo muito na moda, mas que afinal até nem é nada esotérico.