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Ir para novo

Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

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Considerações gerais, ideias, projetos e muito mais para quem está a "ir para novo". E para quem tem em casa alguém avançado nesta viagem. Todos os domingos. Alternarei posts gerais e específicos.

178 - Dermatites e similares

Como já referi anteriormente, com a idade a nossa pele vai ficando mais fina e frágil. Todos sabemos que é bem mais fácil aparecermos com nódoas negras sem sequer saber porquê e, de um modo geral, a pele fica com um ar mais seco, quase escamosa. Junte-se a isso uma certa diminuição da imunidade do nosso corpo e a toma frequente de medicamentos e não é de admirar sermos muito suscetíveis a dermatites.

Mas o que é uma dermatite? Bom, não é uma doença única, engloba, isso sim, qualquer estado que inclua uma inflamação da pele. Não são doenças graves, mas podem provocar um grande desconforto, sobretudo porque envolvem, em muitos casos, comichão mais ou menos intensa. E com uma pele já de si fragilizada, coçar pode abrir feridas que permitirão a entrada de bactérias e todo o tipo de coisas más.

Vou descrever brevemente as principais, deixando para o fim as mais comuns em idosos.

Dermatite atópica: também chamada dermatite alérgica. Surge sob a forma de lesões avermelhadas, comichão e pele grossa. Mais frequente em quem já sofre de asma ou rinite alérgica, por exemplo. Pode piorar devido ao stress.

Dermatite seborreica: a vulgar caspa, pouco comum em idosos uma vez que depende dos níveis das hormonas sexuais, que são baixos a partir de uma certa idade.

Dermatite de contacto: trata-se de uma reação a substâncias irritantes ou alergénicas, por exemplo, certos cremes e pomadas, produtos de limpeza, certos tecidos, como lã e materiais sintéticos e, até, alguns antibióticos. Surge sob a forma de comichão, borbulhas (algumas sob a forma de bolhas de água), vermelhidão, crostas ou pequenas feridas na pele.

Dermatite das fraldas: a célebre “assadura” dos bebés. Só que agora, com o uso mais ou menos espalhado de fraldas e similares para adultos, há muitos casos neste setor etário. Tal como com os bebés, evitá-la exige uma boa limpeza regular da zona em questão – com toalhetes suaves, por exemplo – e hidratar a pele. E para os homens há uma pasta em bisnaga a aplicar quando se muda a fralda.

Xerose senil: também chamada pele seca, uma vez que a pele fica com um aspeto muito seco, a escamar, até, podendo haver, também, comichão mais ou menos intensa, afetando, assim, bastante a qualidade de vida das pessoas. É a mais comum em pessoas já com uma certa idade, merecendo, por isso, mais detalhes.

Há dois tipos de fatores para a sua existência, extrínsecos (ambientais) e intrínsecos (fisiológicos). Os fatores extrínsecos são, por exemplo, a presença de produtos irritantes como sabão ou produtos de limpeza, certos materiais em contacto com a pele, como a lã, uso excessivo de ar condicionado ou aquecimento, viver num clima muito frio e seco, exposição excessiva ao sol – a famosa “pele de lagarto” que se vê em certos idosos grandes fãs do “bronze” – e outros.

Os fatores intrínsecos têm a ver com a composição da nossa pele. Esta está coberta por uma espécie de película protetora que contém água, sebo e substâncias gordas. O sebo limita a evaporação da água e protege a pele de agentes agressores extremos, sendo produzido pelas glândulas sebáceas. Ora a sua produção diminui com a idade, sobretudo no caso das mulheres pós-menopausa. Assim, a água contida na pele evapora-se mais facilmente e ela fica bem mais seca.

Os cuidados a ter para minorar a xerose senil são, também, válidos, para outras dermatites, sempre com a “cláusula” de consultar um médico se os sintomas forem extremos ou se só tiverem surgido após iniciar uma determinada medicamentação. Já referi alguns anteriormente, nomeadamente quando falei nos cuidados com a pele, mas este é um daqueles casos em que alguma repetição é, até, desejável.

Primeiro, e como sempre, uma alimentação equilibrada faz bem, não só à saúde em geral mas também à nossa pele. O mesmo é válido para o consumo diário de água – lembre-se, se a sua pele está a permitir uma maior evaporação, é bem necessário ir repondo os seus níveis.

E, claro, evitar uma exposição excessiva ao sol, sobretudo nas horas em que ele está mais alto – entre o meio-dia e as 4 da tarde. Se sair, não se esqueça de pôr protetor solar, mesmo se tiver o tipo de pele que não queima, bronzeia – acredite, a sua pele agradecerá.

Se continua a maquilhar-se, olhe como deve ser para os produtos que usa. É que os que eram bons aos 20, 30 ou até mesmo 50 anos podem não ser desejáveis mais tarde. Ou seja, escolha produtos adequados a uma pele mais envelhecida, mas não perca a cabeça e compre tudo e mais alguma coisa. Basicamente, a sua pele precisa apenas de andar limpa e bem hidratada – mas atenção, evite, na sua limpeza, produtos com álcool e não abuse de exfoliantes.

Quanto ao corpo, evite banhos demasiado longos e opte por água morna ou, no mínimo, não demasiado quente. Use de preferência sabonetes gordos e sem perfume ou um gel de banho suave – há-os muito bons, especificamente para crianças e idosos e nem são caros – ou alterne o seu uso. Não use, também, luvas ou outro material áspero para esfregar o corpo – a menos que tenha tido uma atividade particularmente suja não há necessidade de grandes esfregadelas.

Após o banho, use uma toalha macia para se secar e, mais uma vez, seque o corpo sem esfregar. E aplique uma boa camada de um creme gordo – não tem de ser caro, o importante é que alimente bem a pele. Em Cuidados pessoais pus a foto de uma engenhoca que improvisei para aplicar creme em zonas mais difíceis, como as costas. E como a pele dos braços tem tendência a secar mais e a ficar com um ar mais escamoso, vá-lhe aplicando creme durante o dia.

Evite o uso de roupa muito justa, a fricção pode causar irritação na pele. E esteja atento à reação do seu corpo a certos materiais, isso pode mudar com a idade – se vir que uma certa blusa ou camisola lhe causam comichão, descarte-a de imediato.

Última recomendação, NUNCA, mas mesmo nunca, coce a sua pele com violência. Se a comichão for muito forte, aplique creme ou, caso não seja suportável, vá à farmácia ver o que recomendam. Lembre-se, se fizer uma ferida à força de coçar – o que até nem é difícil para quem tem alguns aninhos em cima – isso pode ser a porta de entrada para infeções e doenças de todo o tipo.

Para a semana: Estatuto da Pessoa Idosa. Foi aprovado recentemente na Assembleia da República, mas o que significa?

177 - Voltemos aos cuidados com o frio e mau tempo

Já falei anteriormente sobre este assunto, mais do que uma vez, até, mas com as previsões meteorológicas adversas para os próximos tempos e o caos cada vez maior nas Urgências dos hospitais achei que talvez fosse boa ideia voltar a este tema sazonal.

Comecemos pela atividade física – ou falta dela. Para muitos dos que vão para novos o inverno é uma boa desculpa para se enfiarem em casa e passarem os dias enfiados num cadeirão ou, até, na cama, sem fazer nada. Mas, como bem sabemos, isto pode ser altamente prejudicial, podendo-se chegar a um ponto em que nos queremos mexer mas não conseguimos.

É claro que quando chove e há vento forte não é boa ideia andar na rua sem necessidade. Mas há muitos dias de sol em que até sabe bem ir espairecer um bocadinho. E quando está desagradável, não se esqueça de se levantar várias vezes – a recomendação é de hora a hora – e dar uns passinhos pela casa, esticar as costas (espreguiçar-se), enfim, mexer-se. Ou, melhor ainda, fazer algum exercício em casa.

Passemos, agora, à casa em si. Com o pretexto de que somos um país de clima ameno, as nossas casas raramente estão devidamente isoladas. As mais antigas, então, podem tornar-se, realmente, gélidas. Felizmente, há agora uma enorme variedade de aquecedores leves e que não pesam demasiado na conta da luz. Pode, pois, ter mais do que um para manter aquecidas as divisões onde passa a maior parte do tempo.

Se vive só, pense, até, em manter fechados os compartimentos não usados, assim concentrará melhor o calor. Mas não se esqueça de aproveitar os dias e horas de sol para abrir janelas e arejar um pouco a casa.

Tenho recomendado, também, a colocação de um aquecedor de parede no quarto de banho. Ligue-o um pouco antes do banho, assim não estranhará tanto a diferença de temperatura. E para a cama, há botijas elétricas muito baratas e que a aquecem bem, sobretudo se tiver lençóis de flanela – que recomendo vivamente, fazem uma diferença enorme no conforto noturno.

Tente evitar um amontoado de cobertores, o peso pode ser desagradável e dar a sensação de se estar preso na cama, dificultando, também, muito, o levantar e o deitar. Lençóis de flanela, botija, um bom edredão, pijama e meias quentinhos e pronto, tem tudo para uma noite confortável.

 Caso costume levantar-se muito durante a noite para ir ao quarto de banho, pense muito a sério em usar uma cueca para incontinência – há-as para todos os preços e servem para homem e para mulher. Evitará, assim, passar do quente da cama para o frio do quarto de banho, na maior parte das vezes para quase nada...

Quanto à roupa que usa, lembre-se do conselho usual: camadas! Sobretudo quando sai e, acima de tudo, se tenciona ir a lojas. Estas estão sempre muito aquecidas – bom, muitas nem usam aquecimento, é só por ser um ambiente fechado e com muita gente – e os agasalhos que são confortáveis no exterior poderão ser demasiado quentes lá dentro. Mas se tiver levado as tais camadas, pode sempre ir tirando um ou mais casacos.

Em casa, use o mesmo princípio e tenha sempre à mão uma mantinha ou algo similar. A temperatura varia muito durante o dia e às vezes acabamos por ficar enregelados porque vamos adiando ir buscar um agasalho extra.

E não se esqueça do calçado, escolha-o com solas não derrapantes, até mesmo em casa – cozinhas e quartos de banho demoram mais a secar quando são lavados, por exemplo. Dê, também, preferência a umas boas meias quentinhas, podem não ser tão estéticas como as de verão mas dão muito mais conforto.

Finalmente, o abastecimento. Já falei anteriormente na vantagem de ter algumas coisas em casa para o caso de o tempo estar realmente muito mau e não ser boa ideia sair.

Os medicamentos, por exemplo. Não deixe os usuais chegarem ao fim, veja se os tem, no mínimo, para uma semana. E adquira também um bom xarope, pastilhas para a garganta, etc. É que se se começar a estar engripado ou com tosse, acha boa ideia sair para ir buscar medicamentos que pode perfeitamente já ter em casa?

O mesmo é válido para a alimentação. Tenha sempre alguns produtos básicos, como leite e pão, por exemplo. E aproveite os dias de mau tempo para fazer umas sopas e alguns pratos para congelar e ter assim refeições quando não é de facto boa ideia ir à rua.

Basicamente, planeie as coisas de modo a poder estar uma ou duas semanas sem sair, caso o tempo esteja mesmo muito mau – felizmente, no nosso país vai sempre havendo uns dias de bonança por entre os de temporal. Não se esqueça, também, de ter velas e uma boa lanterna (e pilhas) para o caso de a luz ir abaixo – já tem acontecido. E uma reserva de água, apesar de esta faltar, habitualmente, muito menos.

E como irá, certamente, “hibernar” nos dias maus, planeie algumas distrações e ocupações para esses dias – falei disso, entre outros, em Ultrapassemos o Inverno.

Último detalhe, se por acaso tem um cão que tem de ir à rua duas vezes por dia, que tal ver se há alguém mais novo no seu prédio ou perto de si, também com um cão, que o possa levar por si quando o tempo está mau? Era capaz de lhe evitar alguns resfriados e outras complicações...

Não quero que fique com a ideia de que tem de se tornar uma “flor de estufa” durante esta época do ano, a questão é que, do modo como as coisas estão no SNS, a velha expressão “mais vale prevenir do que remediar” nunca foi tão verdadeira.

Para a semana: Dermatites e similares. Com a idade, a pele fica mais fina e qualquer problema com ela torna-se mais grave

176 - Ano Novo, VIda Nova

Ao contrário do que fiz no meu outro blogue, Luísa Opina, não irei fazer um apanhado do que mais me chamou a atenção – infelizmente, sempre pela negativa – neste ano que está quase no fim. Não por falta de assunto mas, simplesmente, porque vimos apenas mais do mesmo: idosos maltratados em casa ou em lares, idosos descobertos mortos em casa ao fim de algum tempo, nenhuma melhoria nas condições de vida dos ditos, sobretudo nos cuidados médicos e até, atendendo a que foi ano de Eleições Autárquicas, zero referências dos nossos “estimados” políticos a este setor cada vez mais numeroso da nossa população, pelo menos em termos positivos ou de anúncio de mudanças.

E, para culminar, o discurso do senhor de Belém – felizmente para o ano já não será ele a fazê-lo – em que referiu o “envelhecimento da população” como uma tragédia, opinião de que discordo totalmente, como bem sabe quem tem lido este blogue, e que espanta ainda mais por vir de alguém que, apesar da idade, ocupa o que é suposto ser o cargo mais alto do nosso país.

Mas passemos ao tema deste blogue. Já falei anteriormente nos usuais desejos e resoluções de Ano Novo, precisamente em Resoluções de Ano Novo e também em Comecemos bem e Fazer antes que seja tarde, este mais dedicado à célebre “bucket list” – coisas a fazer antes de morrer – em que dou algumas dicas sobre o cliché que é tudo isto e de que aconselho a releitura.

Basicamente, sou contra a criação de uma longa lista de resoluções mais ou menos utópicas e, acima de tudo, do hábito de se ir adiando tudo para “depois do fim do ano”. Sim, os seres humanos sempre gostaram de dividir o tempo que passa e, acima de tudo, de assinalar certas datas como importantes. E a própria expressão “Ano Novo” dá aquela sensação de recomeçar do zero, de fazer tábua rasa de tudo o que se fez até agora, algo sempre muito apetecível numa espécie que cunhou a célebre expressão “errar é humano”.

Infelizmente, todos sabemos que esse ímpeto pouco dura e, às vezes, nem sequer começa. É que nos esquecemos que a inércia não afeta só objetos físicos mas também coisas imateriais como hábitos e modos de pensar. Refiro-me, claro, ao conceito da física em que “inércia é a propriedade dos corpos que não podem, só por si, alterar o seu estado de repouso ou de movimento”. Ou seja, só conseguiremos mudar algo na nossa vida se fizermos um esforço a sério para que isso aconteça.

A boa nova é que, com o passar do tempo, o esforço exigido diminui imenso e torna-se, até, mais fácil, manter o novo rumo do que voltar ao anterior. Se já tentou empurrar um carro, sabe bem que para o fazer começar a mover-se é preciso fazer muita força mas mal começa a andar o esforço que se lhe aplica é mínimo – a dificuldade está, até, em fazer com que pare rapidamente!

Entremos, pois, no próximo ano com uma listinha de coisas que queremos alterar em nós ou na nossa vida – relembro que nos posts acima citados mostro como criar listas possíveis de concretizar. Mas façamo-lo com os olhos bem abertos, sabendo que nada acontecerá magicamente ao soarem as 12 badaladas da Passagem do Ano, sobretudo para quem já tem uns bons aninhos em cima e hábitos bem arreigados.

Sendo assim, que mudanças são mais importantes para si nesta fase da sua vida? É que se escolher “comer de modo mais saudável, fazer exercício todos os dias, conviver e sair mais, viajar” e sabe-se lá que mais, tudo de uma só vez, garanto que não irá alcançar nenhuma dessas alterações por muitos Anos Novos que venha a viver com esta mesma “resolução”.

Isto não impede que crie uma lista destas para começo. Mas depois analise-a muito bem tendo em vista a sua praticabilidade. E não só, há algumas mudanças que, uma vez iniciadas, facilitam muito a realização de outras. Por exemplo, se começar a comer de um modo mais saudável, há fortes probabilidades de lhe ser bem mais fácil começar a exercitar-se e vice-versa. Se começar a sair mais, a ideia de fazer uma viagem pode começar a parecer-lhe algo muito mais viável.

Basicamente, comece devagar, não tente, em circunstância alguma, ir dos 0 aos 100 só porque começou um Ano Novo – já agora, marcar o dia 1 de janeiro como o início de uma alimentação mais saudável poderá não ser a melhor ideia do mundo...

Acima de tudo, analise bem a razão porque não faz essas coisas que diz desejar fazer. Aposto que descobrirá que na maior parte dos casos isso se deve à sua mentalidade – o idadismo que interiorizamos e que nos diz que “na minha idade já não vale a pena”, a opinião dos célebres “outros” – “vais viajar com a tua idade?!” – e, até, hábitos adquiridos em mais novos que nunca questionámos – por exemplo, fazer exercício sem ser por obrigação não era exatamente um hábito português.

Tente, também, entender porque quer fazer essas alterações ou introduzir essas coisas na sua vida. É por gostar? Por achar que será mais feliz, viverá melhor? Ou é apenas porque “todos” dizem que o deve fazer?

Se tentar, apenas, alterar coisas “à força”, sem entender porque o quer fazer e, acima de tudo, porque nunca o fez, as suas hipóteses de êxito não serão muito grandes – a compreensão ajuda a que o tal esforço para vencer a inércia pareça menor ou, no mínimo, que vale mesmo a pena.

Como detalhe final, que tal remar contra a maré e em vez de definir o dia 1 de janeiro como sendo o início do “Ano Novo” das mudanças que quer na sua vida escolher uma outra data? Sei lá, o 5 de janeiro! E este ano até dá jeito, calha a uma segunda-feira, o usual início da semana!

Enfim, uma boa Passagem do Ano, cheia de esperança para 2026!

Para a semana: Voltemos aos cuidados com o frio e mau tempo. Com o estado atual dos hospitais, não é mesmo boa altura para adoecer!

175 - Há que festejar o Natal

Como bem sabemos, a época natalícia pode ser particularmente má para pessoas de uma certa idade e por variadas razões. A mais falada é, claro, a solidão a que muitos dos nossos longevos estão votados pelas mais diversas razões, como não terem família ou esta estar longe ou não terem boas relações com os filhos, por exemplo. E é mais uma vez notícia o grande número de casos de doentes idosos com alta e que são deixados num hospital durante a época festiva com todo o tipo de “desculpas esfarrapadas” por parte da família – ainda este mês o Hospital Curry Cabral disse que tem, anualmente, 15 a 20 casos destes.

Mas também pode acontecer a pessoa sentir-se desmotivada para qualquer tipo de celebração, mesmo tendo a família à sua volta – sim, pode parecer absurdo, mas garanto que acontece, quanto mais não seja por o longevo em questão estar deprimido ou ter interiorizado a ideia de que a sua vida já acabou e está, apenas, à espera da morte.

Em Família não há só uma (Natal de 2022) falei precisamente de como combater a solidão, dando grande realce à criação – ou manutenção – de outras relações. Reforcei um pouco esta ideia, desta vez com ênfase no voluntariado, em Preparemos o Natal (Natal de 2024) – alguns dos cenários que indiquei ajudariam bastante a minorar a solidão de muitos “não novos”, quer a de quem recebe quer a de quem dá.

Quanto ao desinteresse por festejar – que não se restringe ao Natal – só posso dizer que compete a cada um de nós fazer um esforço para apreciar a vida, por muito má que nos pareça, e tenho feito inúmeros posts sobre este assunto. È que, e falo por experiência própria, é muitíssimo difícil, quase impossível, até, levar uma pessoa que se sente assim a animar-se, a menos que ela faça uma boa parte do trabalho.

Penso que uma parte deste desinteresse vem de trás, com a teoria que se foi espalhando, sobretudo nos últimos anos, de que “o Natal é para as crianças”. E quem o diz refere-se, claro, à componente dos presentes. Só que acho que já vai sendo altura de recuperar o verdadeiro sentido do Natal, uma festa tão tradicional e importante no nosso país, sobretudo numa época em que alguns “iluminados” tudo fazem para o cancelar por medo de ofender...

Para os crentes é fácil, se não querem pensar em árvore de Natal, presentes e tudo isso, podem celebrar, à mesma, uma das duas datas anuais importantes para o Cristianismo. Para muitos, crentes ou não, há também a componente familiar, o estarem todos juntos no jantar (ou ceia) de Natal, o convívio e tudo isso.

Para os outros... bom, que tal regressar ao passado? Recordemos que a data em que se celebraria o Natal foi escolhida pelo Papa Júlio I no século 4 para cristianizar uma festa pagã muito importante, o solstício de inverno (21 de dezembro), a noite mais longa do ano, uma tradição existente um pouco por todo o mundo, da Ásia às Américas. Basicamente, festejava-se o regresso da luz, ou seja, do Sol, uma vez que a partir dessa data os dias começavam a ficar mais longos.

Ou seja, adaptando esta ideia à sua vida, pense no Natal como um ponto de viragem, o início da passagem da escuridão invernal para a claridade primaveril, de dias monótonos para outros cheios de atividade.

Passemos agora aos presentes, tema de que tratei em Miminhos... presentes não são só no Natal. Para começar, sempre achei curioso os “nuestros hermanos” darem presentes não no Natal mas no Dia de Reis – bom, até faz sentido... E concordo totalmente que esta data anda demasiado comercializada, para muitos reduz-se, pura e simplesmente, ao pesadelo de tentar arranjar prendinhas para todos ou à ânsia de os receber.

Também isto pode ser um problema para quem vai para novo. Muitos até gostariam de dar bons presentes aos familiares e não o podem fazer por razões financeiras ou, pior ainda, ficam descoroçoados por não saber o que dar atendendo à má receção de anos anteriores. E para quem já tem uns aninhos, bom, dar dinheiro ou cheques de oferta não tem o mesmo sabor.

Voltando ao tema do post citado acima, falemos de presentinhos para sim. É que mesmo que tenha família, acredite, é sempre bom mimar-se um bocadinho e comprar para si alguma coisa especial. E se estiver só, então faça-o, sem hesitar, esqueça o “não vale a pena”.

E aqui fica uma sugestão de um presente diferente para si. Escolha algumas coisas pequenas, umas 12, um livro, chocolates, enfim, um miminho, nada de muito caro. Embrulhe todos estes presentes usando o mesmo papel e coloque-os num saco, misturando-os muito bem. E durante o próximo ano, quando se sentir mais em baixo e a precisar de algo bom na sua vida, remexa, sem olhar, o saco e tire um deles. Acredite, será uma surpresa, duvido que se lembre de tudo o que comprou. Ou seja, será um presente de Natal que irá continuar a dar-lhe prazer todo o ano.

Quanto ao Natal em si, não importa se está só, celebre-o. Faça o jantar / ceia que costumava ter – ou comece uma tradição nova, o importante é não ser uma noite e um dia como todos os outros. Ponha uma mesa bonita, mesmo que costume comer no sofá o resto do ano. E se não lhe apetecer cozinhar ou não tiver grandes condições para isso, há cada vez mais sítios onde pode encomendar uma refeição completa – e alguns até entregam em casa.

Seja o Natal cristão, a festa da família, o solstício de inverno ou apenas uma data que em tempos foi importante para si, não a deixe passar em branco só porque os anos pesam ou está só. Celebre o melhor que puder e não se esqueça de repetir mentalmente este mantra, “Eu valho a pena!”

E pronto, Feliz Natal!

Para a semana: Ano Novo, Vida Nova. Uma frase muito ouvida nesta época, só que raras vezes se concretiza.

174 - Maleitas invernais

Como todos sabemos, o inverno está associado a gripes e constipações, daí a campanha de vacinação que começa umas semanas antes, sobretudo para os menos novos, digamos. Já agora, dediquei este ano todo um post a este tema, intitulado, precisamente, Gripes e constipações – sim, são diferentes...

Também as outras doenças respiratórias tendem a agravar-se com a chegada do frio, mas não são as únicas. E há várias razões para isso. Primeiro, os vírus sobrevivem e multiplicam-se bem mais facilmente com ar frio e seco. Mas este irrita, também, as vias respiratórias e diminui, em maior ou menor grau, as defesas naturais do nosso organismo. Depois, a descida das temperaturas leva a uma permanência mais prolongada das pessoas em ambientes fechados, pouco arejados, o que facilita a transmissão de vírus e bactérias.

Falemos, pois, dos vários tipos de doenças que se agravam – ou surgem – nesta época do ano, começando, claro está, pelas respiratórias.

Doenças respiratórias:

O grupo principal consiste, claro, em constipações e gripes – a chamada gripe sazonal – pelas razões acima citadas. Para além da vacina, que, lembro, nunca é 100 por cento eficaz uma vez que é criada com base na estimativa do tipo de gripe que irá ser mais prevalecente nesse ano, há outros cuidados a tomar para evitar ser contagiado. Os mais comuns são evitar estar próximo de pessoas afetadas, cobrir o rosto e manter uma higiene impecável das mãos, tudo isto para evitar contágios (ver o post acima citado).

Mas o inverno também é mau para quem sofre de asma ou é atreito a bronquites, uma vez que o ar frio e seco irrita as vias aéreas, como dissemos, agravando inflamações já existentes. Rinites e sinusites também pioram nesta época do ano porque a baixa humidade do ar resseca as mucosas e há uma maior exposição a alérgenos devido aos ambientes fechados. Se padece de uma destas doenças de modo crónico, consulte o seu médico para saber as precauções que deve tomar e o que fazer caso tenha um ataque.

Artrite:

Já falei anteriormente desta doença em Artrites e similares. Lembro apenas que envolvem uma inflamação das articulações. E apesar de não haver uma ligação comprovada entre o tempo que faz e as dores que se sentem, há bastantes indícios que apontam para a sua existência – o célebre “dói-me o joelho, vai haver tempestade”. Mas uma coisa é certa, passar muitas horas imóvel quando o tempo está frio e húmido irá agravar as dores e / ou a rigidez das articulações. Ou seja, mexa-se!

Dermatites:

Com o tempo frio a pele tende a secar mais, sobretudo em quem vai para novo, agravando-se, por isso, qualquer dermatite de que se sofra. Ainda não falei deste tema, será para um post futuro, mas trata-se, muito simplesmente, de uma inflamação da pele e há-as de vários tipos. Alimente, pois, a sua pele.

Doenças cardiovasculares:

Se sofre de alguma, lembre-se que o frio contrai os vasos sanguíneos, reduzindo, assim, a circulação do sangue. Isto pode levar a uma obstrução súbita desses vasos sanguíneos por placas de gordura, provocando um AVC (acidente vascular cerebral, de que tratei em O AVC.

Dores de ouvidos:

Provocadas, em geral, por vírus e bactérias que se sentem “em casa” com tempo frio.

Depressão sazonal:

Já me referi anteriormente a isto em posts sobre o inverno. Deve-se à diminuição de serotonina no nosso organismo – um neurotransmissor cerebral que afeta o humor e não só – devido à redução do número de horas diárias com luz solar. Não é tão grave no nosso país como o é mais a norte (Noruega, por exemplo), mas pode ter efeitos adversos em quem já tem algumas tendências depressivas. Já dei, anteriormente, vários conselhos sobre o assunto, sendo o principal o uso de lâmpadas de luz “quente” (amarela) em casa.

Passemos, agora, a conselhos gerais para evitar adoecer ou piorar durante esta estação fria, isto para além da vacinação e de evitar contactos com pessoas potencialmente infetadas. Mas as vertentes principais para um inverno saudável são a nutrição, a hidratação e o conforto térmico.

Nutrição:

Falei deste assunto em Alimentos de inverno, por exemplo, de que recomendo a leitura / releitura. Basicamente, muita fruta e vegetais e alimentos ricos em vitaminas e em minerais. E é uma boa época para comer umas boas sopas, quentes e substanciais.

Hidratação:

Todos sabemos que no verão é preciso beber muita água, mas acontece o mesmo durante o inverno. Apesar de a sensação de sede diminuir muito, o nosso organismo precisa à mesma de repor os líquidos que perde naturalmente. Não tem de ser água, pode substituí-la por chás ou infusões diversas, mas evite o consumo exagerado de açúcar, álcool ou cafeína. Evite, também, líquidos demasiado quentes, o nosso corpo reage tentando arrefecer.

E lembre-se, hidratação não se refere apenas ao interior, o exterior – a pele – é igualmente importante. Não se esqueça, pois, de passar uma boa camada de um creme gordo pelo corpo, de preferência após o banho quando é melhor absorvido, aumentando, assim, o seu efeito.

Conforto térmico:

Também aqui temos duas vertentes, o da casa e o do corpo.

Em termos do corpo, vista-se em camadas e, sobretudo quando sai, proteja a cabeça, os pés e as mãos. Evite, também, banhos demasiado quentes – mais uma vez, o corpo reage tentando arrefecer – e aqueça a cama, usando de preferência lençóis de flanela para uma noite bem dormida.

Não aqueça demasiado a casa, recomenda-se uma temperatura entre os 19 e os 22 graus. E, acima de tudo, evite sentar-se horas a fio, imóvel, junto a uma fonte de calor.

Verá algumas dicas para tudo isto em Viver bem o inverno, Pensemos no frio e Cuidados no inverno.

Para finalizar, umas pequenas dicas.

Aproveite os dias de sol e sem vento para arejar a casa, abrindo o máximo de janelas nem que seja por pouco tempo – isto para além do conselho dado inúmeras vezes de aproveitar o bom tempo para sair e apanhar algum sol e ar fresco.

Se vai usar pela primeira vez roupas de inverno guardadas, sejam pessoais ou de casa, lave-as primeiro, por muito bem que as tenha protegido poderão, sempre, ter apanhado poeira, ácaros e sabe-se lá que mais.

E com tudo isto, tenha um bom – e saudável – inverno.

Para a semana: Há que festejar o Natal. Religiosos ou não, com família ou a sós, temos mesmo de marcar esta data.

173 - Inverno não é desculpa para hibernar

Quando o tempo começa a ficar mais frio e desagradável sentimos, quase todos, um abrandamento da nossa energia e vontade de agir. Sim, o calor forte de alguns dias de verão pode ter o mesmo efeito, mas nessa época do ano a noite e a manhã proporcionam quase sempre algum alívio e com ele a vontade de fazer, sair, enfim, ter vida fora de casa. Mas no inverno...

Bom, não admira, durante milhares de anos fomos programados para fazer o mínimo possível durante esse período de escassez alimentar e muito frio e em que muitas atividades paravam – não esqueçamos que o setor agrícola era dominante nas sociedades da época. Sem esquecer que mexermo-nos consome calorias e estas não eram exatamente abundantes numa época do ano em que se vivia, na maior parte, do que se conseguira armazenar.

Mas os tempos mudaram e devíamos mudar com eles. Ou seja, em vez de passarmos o máximo de tempo sentados “à lareira” a fazer pouco ou nada, sobretudo quem vai para novo e não tem obrigações fora de casa, temos, isso sim, de fazer um esforço para nos mexermos e estar parados o mínimo possível.

E há várias razões para isso, físicas e psicológicas. Comecemos pelas primeiras.

Como bem sabemos e tenho dito em vários posts, à medida que os anos se vão somando a inatividade física torna-se cada vez mais nociva. É, de facto, um daqueles casos em que “quanto menos se faz, menos se consegue fazer.” E se passarmos uma boa parte do dia num cadeirão ou na cama, garanto que quando nos quisermos mexer – ou precisarmos de o fazer – isso se torna cada vez mais difícil. E lembre-se, perder a forma física acontece muito rapidamente e sem o menor esforço (obviamente), já recuperá-la é bem mais complicado.

Mexa-se, pois, aproveite os dias maus, leia-se, chuvosos e cinzentos, para fazer limpezas e arrumações, para encher o congelador de refeições para quando não apetece cozinhar, enfim, o que quiser, o importante é não estar parado. Nem que seja para dar umas voltinhas pela casa, levante-se periodicamente e estique os músculos – acredite, acabará por ficar grato por tê-lo feito quando vir que continua a levantar-se e a mexer-se com facilidade.

Mais ainda, se passar muito tempo perto de um aquecedor e sem se mexer, quando tiver de ir a outra parte da casa irá, certamente, estranhar a diferença de temperatura – a menos que tenha um bom aquecimento central e a casa toda aquecida, nesse caso, cuidado com a conta da luz! No próximo post falarei mais dos inconvenientes de estar muitas horas parado junto a uma fonte de calor, para já digo apenas que não é boa ideia.

Resumindo, em termos físicos, tente manter alguma atividade diária, dei, inclusive, em posts anteriores indicações sobre como exercitar-se no inverno, nomeadamente em Exercícios no Inverno, em que realcei, precisamente, a grande necessidade de não parar – é mau em qualquer idade, mas sobretudo em quem vai para novo e cujo corpo já não tem a mesma capacidade de recuperação rápida.

Passemos, agora, ao aspeto psicológico de hibernar durante períodos mais ou menos longos.

Como bem sabemos, muitos dos que já têm uns bons aninhos têm tendência para se verem como uns inúteis, ideia essa transmitida, há muito, pela sociedade e que interiorizamos desde bem cedo – o célebre idadismo. Ora passar dias a fio enfiado num sofá ou, pior ainda, na cama, só porque estamos no inverno e não apetece fazer nada, só irá reforçar essa ideia – o célebre “estou para aqui parado, não sirvo para nada”. Faça, pois, um esforço para “sair da sua concha”.

Em Preparemos o inverno dei uma série de sugestões, desde atividades de acordo com o seu gosto a outras de preparação do futuro – planear uma viagem com todos os detalhes, por exemplo. E se fez “o trabalho de casa” já terá uma listinha pronta para ser ativada agora que chegou o inverno. Mas se não a tem, não se preocupa, ainda está muito a tempo – bom, o inverno até só chega oficialmente daqui a umas duas semanas...

Pense, sobretudo, em aproveitar os dias de sol – e no nosso país são até bastantes nesta época do ano, sob esse aspeto somos, de facto, uns grandes felizardos. Esqueça o frio, os agasalhos fizeram-se precisamente para isso, e saia, passeie, divirta-se. Mesmo que tenha outros planos, a contar com chuva ou mau tempo, se vir que o dia afinal está bom, mude-os imediatamente.

E nestas próximas semanas não faltam coisas para ver e fazer. São cada vez mais as cidades e vilas com Aldeias de Natal e muitas outras atividades relativas a esta época festiva e que se prolongam até janeiro. Aproveite-as, mesmo se é dos que acham que “Natal é para os miúdos.” Sempre é uma coisa diferente e que só acontece uma vez por ano.

Se tem parques e jardins perto de si, vá até lá, nem toda a natureza hiberna, há sempre plantas vivas e, talvez por serem menos numerosas, “brilham” mais nesta estação. E, sobretudo nas cidades, há cada vez mais aves supostamente de arribação que optam por passar o ano todo no mesmo local – onde eu vivo há várias andorinhas que o fazem. Mesmo se a natureza não é a sua onda, aproveite, é uma distração e, quem sabe, poderá até descobrir que gosta.

Tire, também, proveito de ser uma altura do ano muito menos turística e vá visitar monumentos, museus e outros locais que estão sempre a abarrotar nos meses mais quentes. E com o novo passe verde da CP, poderá, até, com alguma facilidade, explorar locais fora da sua terra.

Lembre-se, a partir de uma certa idade, “parar é morrer” deixa de ser uma mera expressão, passa a tratar-se uma verdadeira constatação da realidade.

Para a semana: Maleitas invernais. Para muitos, o inverno traz consigo, ou agrava, muitas maleitas, pequenas ou não.

172 - Voltemos à segurança

Falei anteriormente sobre este tema, nomeadamente em Fraudes – onde mencionei algumas das causas dos longevos serem alvos preferenciais e descrevi algumas fraudes comuns – e em Segurança – um post mais virado para manter a sua casa segura de assaltos e precauções a tomar na rua.

Irei repetir aqui alguns desses pontos, é que infelizmente as situações vão-se repetindo ou, no caso das fraudes, “refinando” e há avisos contínuos sobre novas táticas – algumas bem sofisticadas – para nos separar do nosso dinheiro.

Comecemos pelas fraudes por e-mail. Se não o usa, leia à mesma, poderá ser útil para quando fala com alguém que o faz.

Uma das mais populares consiste no envio de e-mails supostamente da polícia, bancos, etc., a alertar para problemas diversos e com um link para os resolver. Ainda esta semana saiu um aviso das Finanças a alertar para e-mails fraudulentos supostamente enviados por esse serviço relativos a impostos por pagar – pois é, estamos no mês do pagamento do IMI...

Repito aqui o conselho já dado anteriormente, por mim e por milhentas pessoas e entidades: NUNCA clicar em links destes. Se tiver dúvidas sobre o assunto citado – uma falta de pagamento às Finanças, por exemplo – vá diretamente ao site desse serviço e procure ali as informações de que precisa. E sim, se for uma dívida ao fisco, estará assinalada na sua página pessoal.

Lembre-se, também, de que bancos, Segurança Social, Finanças e similares nunca, mas mesmo nunca pedem dados pessoais por e-mail, só o fazem no respetivo site a que só se acede após inserir senhas e quejandos – os melhores nem permitem que os navegadores guardem a senha e estão sempre a arranjar formas adicionais de identificação.

Passando ao Multibanco, há várias formas de o adulterar para obter cartões para clonar e dados de acesso. Muitas passam pela colocação de um teclado falso, uma câmara disfarçada e similares. O conselho dado é que examine bem o terminal antes de o usar e evite os que estão na rua e em locais isolados – é bem mais difícil adulterar uma máquina instalada num banco, por exemplo, ou num local com bastante vigilância e que está fechado uma parte do dia.

A burla mais recente usa, precisamente, a tendência das pessoas em clicarem em links desconhecidos. Recebem no telemóvel uma mensagem aparentemente do banco, clicam e, sem o saber, instalam uma aplicação maliciosa, NGate, capaz de recolher os dados dos cartões associados a esse telemóvel. E há até casos em que essa transferência de dados foi feita apenas por contacto de um leitor NFC à carteira ou mochila da vítima. Resultado, levantamentos sem precisarem de ter os nossos cartões físicos.

Lembre-se, apesar de a segurança do uso de cartões e do Multibanco estar sempre a aumentar, este é um caso típico de “corrida aos armamentos”: um “tanque” melhor dá origem a um “canhão” melhor, este obriga a melhorar o “tanque”, o que leva a melhorar o “canhão”...

Há outro tipo de fraudes, ou antes, burlas, que atingem sobretudo quem vai para novo, fiando-se os burlões no desconhecimento que muitos têm de vários assuntos, sobretudo em zonas mais rurais.

Por exemplo, a já velha mas aparentemente ainda popular troca de notas “desatualizadas”, o caso de que penso já ter falado da troca de televisores, etc. porque iam deixar de funcionar – troca essa que exigia, claro está, um pagamento adiantado.

Outro esquema muito na moda é o das “contas por pagar”. A vítima é contactada, por e-mail, telefone ou até em casa porque não terá pago a conta da luz, gás, etc. e terá de o fazer de imediato ou cortam-lhe o fornecimento. Perante isto, muitos pagam o exigido e só depois descobrem a mentira – pequeno detalhe, todos esses serviços enviam inúmeros avisos antes de cortarem o fornecimento, mais ainda, perante uma situação destas procure uma fatura e ligue para o apoio deles para saber o que se passa.

E como o Natal se aproxima, há que falar dos donativos para instituições de beneficência / causas. Infelizmente, há quem se aproveite da boa vontade das pessoas para as burlar. E também aqui, as verdadeiras instituições não mandam e-mails em massa a pedir dinheiro. Mesmo que seja “cliente” habitual, não clique no link, vá, isso sim, ao respetivo site procurar os dados para um donativo. E se nunca ouviu falar da organização ou causa, pesquise-a antes de doar, por muito boa que lhe pareça a iniciativa.

Já agora, e como é uma época em que muitos recebem encomendas, não caia na burla do e-mail supostamente dos CTT com a indicação de que têm uma encomenda que não podem entregar porque é preciso pagar direitos alfandegários – se fosse verdade, receberia um aviso “físico” em casa, se têm uma encomenda para si então têm o seu endereço!

Esta parte final poderá ser um pouco polémica, mas continua a haver muitos casos destes. E começo por dizer que não tomo, aqui, qualquer posição sobre o assunto, cada um acredita no que quer e desde que não exijam que eu faça o mesmo, tudo bem.

Refiro-me a bruxos / bruxas e às avultadas burlas que cometem e de que só conhecemos uma pequeníssima parte uma vez que muitas das vítimas não fazem queixa por terem vergonha de terem sido enganadas.

Repito, não julgo as crenças de ninguém e tenho, até, lido bastante sobre o assunto. Mas há um sinal de alerta claro: o pedido de quantias avultadas ou de joias. O pretexto é, muitas vezes, precisarem disso para duplicar o seu valor. Pois bem, se é capaz disso, porque não o faz para si? Ou fá-lo pelos outros por pura bondade do coração?

Há, também, questões de saúde que prometem resolver a troco de quantias mais ou menos avultadas. Ora isso sempre me meteu confusão, curar pessoas denota bondade, acha, então, que isso se coaduna com a exigência de uma fortuna para o fazerem?

Por isso, lembre-se, se um suposto bruxo / bruxa diz que lhe resolve tudo e mais alguma coisa a troco de muito dinheiro – ou diz que precisa disso para fazer o seu feitiço – lamento, mas não passa de um burlão.

Para a semana: Inverno não é desculpa para hibernar. A menos que haja um temporal, não faltam atividades e saídas nesta época do ano.

171 - Comida conforto

Agora que estamos a entrar num período de dias frios, cinzentos, chuvosos e ventosos, que criam – ou exacerbam – depressões e uma sensação generalizada de desconforto, está na altura de falar da chamada comida de conforto.

Basicamente, a comida de conforto – ou comida reconfortante – é, como o próprio nome indica, um tipo de refeições que melhoram o nosso bem-estar físico e também psicológico pelas suas ligações nostálgicas ou emocionais. E, apesar de se poder pensar que é uma expressão relativamente moderna, já se encontra uma referência a alimentos reconfortantes no livro Dom Quixote de 1615! Mas a sua grande divulgação arrancou em meados do século 20 e só foi registada em dicionários (americanos) na década de 1990.

Apesar de ser, muitas vezes, uma escolha pessoal – ou seja, o que me reconforta a mim pode nada fazer por si – este tipo de comida é, em geral, substancial e rica em gordura e / ou açúcares. Daí ser frequente o uso de chocolate, gelados, guisados, sopas grossas e similares para esse fim. Quem não se lembra das inúmeras vezes em que, em filmes e séries, a protagonista – sim, é quase sempre uma ela – vai buscar uma caixa de gelado por se estar a sentir deprimida ou ataca o seu stock de chocolates e doces?

Tem havido, até, estudos sobre este assunto e que dividem este tipo de comidas em quatro tipos:

- Nostálgicas, normalmente associadas à nossa infância ou a períodos felizes da nossa vida.

- Indulgentes, no sentido de esquecer dietas e alimentação saudável e comer aquilo que apetece mesmo, por muito mal que faça.

- De conforto físico, em que a sua composição gera bem-estar, emocional e físico, como o café ou o chocolate, por exemplo.

- De conveniência, bom, como o nome indica, já estão preparadas ou são de fácil obtenção – sobretudo agora, com as entregas ao domicílio – e cuja componente “conforto” vem, precisamente, de não ser preciso fazer nada (ou quase nada).

Resumindo, há várias vertentes na comida de conforto, muitas delas viradas para momentos da nossa vida em que nos sentimos felizes. Mas algumas contêm, também, nutrientes importantes para a nossa saúde mental, como vitaminas B e magnésio, por exemplo, que produzem neurotransmissores que regulam o nosso humor.

E, precisamente porque muita dela está associada a recordações muito nossas, varia muito, não só de pessoa para pessoa mas também de país para país. Já agora, se estiver interessado, encontra aqui uma lista das comidas de conforto de alguns países – infelizmente, Portugal não está incluído...

Mesmo assim, algumas das favoritas dos portugueses incluem as sopas tradicionais, muito fortes e com batata e outros legumes, os guisados de todos os tipos, incluindo feijoadas e similares, as açordas, o empadão, que não tem de ser só de carne, favas com várias carnes de porco, o velhinho rancho e, claro está, o cozido à portuguesa, isto para só falar em salgados. Quanto aos doces, bom, os tradicionais caem quase todos neste critério.

Mas há outros aspetos nem sempre referidos quando se fala de comida de conforto e que eu acho igualmente importantes para o reconforto da nossa alma: os aromas e as cores.

No recente post A depressão do outono / inverno referi, precisamente, como os cheiros podem ajudar a melhorar a nossa disposição. E isso é sobretudo verdade quando estão associados à comida. Por exemplo, o cheirinho que fica na casa quando se faz um bolo – ou pão. Sobretudo para quem vai para novo e cresceu antes das “modernices” da comida que basta pôr no micro-ondas, o cheiro que invade a nossa habitação quando cozinhamos pode ser muitíssimo reconfortante – bom, também pode ser mau, como o célebre cheiro a couves que se entranha em tudo e não é particularmente agradável.

Não é, aliás, um mero acaso existirem à venda velas com cheiro a canela, por exemplo, ou a baunilha. De um modo geral, o aroma de especiarias quando estão a ser cozinhadas é muito reconfortante – daí a indicação de as colocar logo na fase inicial, a seco ou quase, para libertarem os respetivos aromas.

Nesta área, ainda mais do que na dos sabores, o fator “reconfortante” é mesmo uma opção pessoal. Vá, pois, experimentando até encontrar os que resultam melhor consigo. E repito aqui o que disse no post citado, evite os ambientadores em spray ou similares, dê preferência a óleos essenciais. E na cozinha, introduza novos sabores, a variedade de condimentos à venda é cada vez maior e encontrará, certamente, alguns do seu agrado em termos culinários e de aroma.

Passemos, agora, às cores. Sobretudo em dias cinzentos, tente dar algum colorido aos seus pratos, através dos ingredientes ou da guarnição. Abóbora e cenoura, por exemplo, uma ver que a cor laranja está associada ao conforto e é, também, estimulante. Ou elementos vermelhos, como tomate ou pimentos. E há ainda o amarelo, pode sempre usar aqueles pimentos miniatura.

Decore, também, o produto final, um pouco de salsa ou coentros fica sempre bem, ou, para variar, vá experimentando com outros verdes E já há misturas de ervas – ou só cebolinho – vendidas em frasco para incluir em saladas e que são ótimas por cima da comida, dando-lhe um toque verde que lembra o renascer da primavera. O importante é não ter à sua frente um prato monocromático, para isso bem basta o cinzento exterior em muitos dias de inverno.

Último detalhe, como a chamada comida de conforto tem, normalmente, ingredientes muito ricos – leia-se, calóricos – ou usa modos de confeção não exatamente saudáveis, tente não abusar dela. Ou, melhor ainda, crie para consumo mais corriqueiro, versões mais leves – como uma feijoada de peixe, por exemplo, ou uma jardineira em que usa curgete ou nabo em vez da batata. Para além de estar a proteger a sua saúde, transformará o consumo da “verdadeira” num evento especial para aquelas ocasiões em que precisa mesmo de um empurrãozinho para se sentir um pouco mais animado.

Para a semana: Voltemos à segurança. Há cada vez mais "truques" para lesar pessoas, sobretudo idosos, e outros, bem velhinhos, que voltaram a aparecer.

170 - Menopausa

Apesar de ser algo totalmente natural e inevitável, a menopausa continua a ser vista com temor por muitas mulheres. Só que, tal como o envelhecimento, o único modo de a evitar é... não viver até ela chegar!

Como penso que todos sabemos, a menopausa consiste no fim da existência da menstruação e marca o término dos anos férteis de uma mulher. Não há uma idade certa para o seu aparecimento, podendo ocorrer, em geral, entre os 40 e os 58 anos – no mundo ocidental a idade média é de 51,4 anos e em Portugal ronda os 48. Mas pode aparecer mais tarde, por volta dos 60 anos. E há, também, a menopausa precoce que surge por volta dos 30 anos.

Facto curioso, apesar do aumento brutal da esperança de vida das mulheres nas últimas décadas, por mim referida em vários posts, a idade média da menopausa tem-se mantido constante.

Basicamente, a menopausa surge devido à redução – e eventual paragem – da atividade dos ovários, que deixam de soltar óvulos todos os meses, acompanhada de uma redução na produção de estrogénios. E, para ser definitivamente declarada como estando presente, é preciso que a mulher em causa tenha ausência da menstruação normal há pelo menos um ano, sem que haja outros motivos para tal.

Já agora, há algumas causas que podem provocar uma menopausa precoce, como tabagismo, hipertiroidismo, quimioterapia, radioterapia, epilepsia, exposição a químicos tóxicos e, até, a toma de antidepressivos.

A intensidade e tipo de sintomas podem variar muito de mulher para mulher, é definitivamente uma daquelas situações em que cada caso é um caso. Dito isto, os sintomas mais usuais são:

- secura vaginal, devido à atrofia da mucosa vaginal;

- afrontamentos, ou seja, ondas de calor que surgem de repente sem que haja uma razão ambiental;

- suor excessivo, também sem razão para a sua presença;

- enxaquecas, dores de cabeça;

- aumento de peso, acumulação de gordura na barriga;

- mudanças bruscas de humor, irritabilidade, ansiedade;

- palpitações cardíacas.

Como disse, varia muito de pessoa para pessoa, exceto a secura vaginal que surge sempre e muito frequentemente, uma maior suscetibilidade para infeções urinárias.

A boa nova é que há modos de minorar estes sintomas. Mas, um pequeno conselho com base na minha experiência pessoal, não corra logo para o médico a pedir tratamentos hormonais – aguarde um tempinho para poder avaliar a sua intensidade, quem sabe, poderá ser, até, uma das sortudas que entra na menopausa quase sem dar por ela. Mesmo assim, esteja preparada para a ideia de que os ditos sintomas poderão surgir intermitentemente durante alguns anos.

Um dos tratamentos mais usuais consiste no uso de contracetivos de baixa dosagem para reduzir os chamados afrontamentos e diminuir a irritabilidade e a secura vaginal. Mas há estratégias de vida que pode adotar, em termos de dieta, exercício e redução do stress, que ajudam bastante. E, mais uma vez, parar de fumar...

Há também, alguns suplementos que podem ajudar com os sintomas da menopausa, como a isoflavona de soja e a vitamina E. E alguns chás também podem miorá-los, como o de amoreira, gengibre, verbena, camomila, sálvia.

Em termos de alimentos, recomendam-se:

- alimentos ricos em vitamina E, como legumes de folhas verdes e óleo de gérmen de trigo;

- alimentos ricos em cálcio, como laticínios, soja e sardinhas;

- alimentos ricos em ómega-3, como cavalas, salmão, atum, truta, nozes, gérmen de trigo e óleo de linhaça;

- evitar alimentos muito condimentados ou ácidos, bebidas alcoólicas, café, alimentos com alto teor em açúcar e gorduras.

E o aumento de peso associado à chegada da menopausa pode ser combatido com uma alimentação mais cuidada e, acima de tudo, com a prática de exercício físico, que ajude a converter as tais gordurinhas em músculo.

Mas para muitas mulheres o grande problema da entrada na menopausa é psicológico. Mesmo que não queiram, há anos, ter mais filhos – ou nunca os tenham querido ter – o fim da idade fértil fá-las, muitas vezes, sentirem-se “menos mulheres”. Junte-se a isso a secura vaginal acima citada, que pode causar problemas em termos de relações sexuais, e ainda uma certa redução do desejo sexual (sim, é um dos sintomas) e temos a tempestade perfeita.

Até há alguns anos, isso não era grande problema, com a grande diferença de esperança média de vida entre homens e mulheres havia fortes probabilidades de entrarem na menopausa já viúvas. Mais ainda, atendendo a que a atitude reinante era que o desejo sexual era exclusivamente masculino, a sua diminuição não era, exatamente, um transtorno. E socialmente, o percurso de vida de uma mulher estava demarcado em três fases: jovem, mulher e velhota... ou seja, a menopausa era apenas a passagem de um escalão ao seguinte.

Penso que seria importante nas consultas médicas sobre a menopausa dedicar um tempinho a esta vertente, ajudaria muito com a saúde mental desta fatia da população. Sobretudo porque muitas mulheres ainda se acanham para falar de questões destas. Mas como solução “caseira”, aqui ficam algumas dicas:

- pense no dinheiro que vai passar a poupar por não precisar de comprar pensos ou tampões; e quando viaja, é menos uma preocupação e menos uma coisa a meter na bagagem;

- acabou-se, também, o incómodo mensal da menstruação, o inchaço que traz a muito boa gente e, em muitos casos, o fim das cãibras menstruais;

- fim da toma de contracetivos ou da necessidade de tomar outras precauções para evitar engravidar (sim, nunca se sabe, já tem havido surpresas para muitas mulheres que se achavam demasiado velhas para isso).

Ou seja, pense na menopausa não como um fim mas como um início de uma época de mais liberdade em termos do seu corpo, sem estar sujeita aos ditames dos ciclos menstruais – curiosamente, as mesmas pessoas que durante anos lhe chamaram vários nomes nada abonatórios passam a lamentar o seu fim! E quanto aos possíveis problemas que a secura vaginal possa trazer para uma vida sexual plena e confortável, informe-se, não faltam soluções por aí!

Para a semana: Comida conforto. Com o tempo a arrefecer e a ficar mais cinzento, é altura de falar de comida reconfortante e cheia de cor.

169 - A depressão do outono / inverno

Toquei anteriormente neste assunto em vários posts, nomeadamente em Acabaram as férias, em que sugeria usar o período pós-férias de verão para planear ocupações para os meses mais frios e desagradáveis do ano. E disse, também, ali que, “Do meu ponto de vista, o outono é a estação em que a natureza, tendo-se expandido nas duas estações anteriores, começa a concentrar os seus recursos para preparar o ciclo seguinte”, um exemplo que devíamos seguir nas nossas vidas.

Mas hoje irei concentrar-me mais no desânimo, depressão, até, que os dias menos bons associados a estas duas épocas trazem a muito boa gente. Sim, sei que há quem adore o outono – eu, por exemplo – com a mudança de cor das folhagens e o fim do calor por vezes excessivo do verão. Ou o inverno, sobretudo se há neve e sol ou, no mínimo, frio seco e soalheiro, em que até apetece ir dar uma voltinha lá fora.

O problema é que há também muitos dias cinzentos, com ou sem chuva, em que não apetece mesmo nada sair de casa a menos que sejamos obrigados a fazê-lo e em que acabamos por nos sentir tão lúgubres como o tempo lá fora. E os dias cada vez mais curtos também não ajudam, se acordamos cedo esperamos uma eternidade até que surja o sol – caso surja, claro – e ainda mal estamos a meio da tarde e já está a escurecer. Pequeno detalhe, há mesmo um tipo de depressão associada à falta de luz diurna, foi detetada, como não podia deixar de ser, nos países nórdicos.

Que fazer, então, para nos ajudar a ter melhor disposição, sobretudo quando o mau tempo se estende por vários dias?

Bom, uma primeira medida que podemos tomar é usar o tipo de lâmpadas certas. Já repararam, certamente, que as há com luz mais branca ou mais amarelada. Pois bem, essa é uma característica chamada “temperatura da luz” e que, diga-se de passagem, nada tem a ver com a temperatura física mas sim com a tonalidade da cor da luz.

Há basicamente três tipos: quente (amarelada), neutra (branca) e fria (azulada). Mas aqui só nos interessa a primeira, uma vez que cria um ambiente mais acolhedor e confortável, próximo do criado pelas antigas lâmpadas de incandescência. Para saber se está a comprar essa tonalidade, procure na embalagem a indicação da temperatura, deve ser entre 2700 e 3000 K (graus Kelvin) – quanto mais baixa, mais amarelada é. Ponha essas lâmpadas nos locais onde costuma passar mais tempo durante o dia e verá que se sente um bocadinho mais animada.

Outra proposta que já dei anteriormente é ter capas bem coloridas para as suas almofadas decorativas – já agora, se não as usa, invista em algumas, há-as muito baratas e não faltam, também, coberturas para todos os gostos. Escolha tons quentes e que chamem logo a atenção quando entra nessa divisão e, melhor ainda, compre várias para ir variando com frequência, criando assim um efeito de surpresa quando as vê. É, também, um modo barato de ir alterando a decoração da sua casa.

Passemos às flores. Como todos sabemos, alegram imenso qualquer ambiente, mas nem sempre é possível termos flores frescas. Ora isso não deveria ser um impedimento a decorarmos a casa com elas, há, agora, flores artificiais de muito boa qualidade. Quando as escolher, não se esqueça de incluir algumas com cores bem vivas, a ideia aqui é fazer esquecer o cinzento do tempo que faz no exterior. Inclua, também, alguns verdes – aliás, como estes duram bastante, pode usar dos verdadeiros.

Mas não se limite a fazer uns arranjos para espalhar pela casa e em que não volta a tocar! Não, trate estas flores artificiais como se fossem frescas e crie novos arranjos todas as semanas. Para além de ser uma ocupação terá assim sempre algo novo e vibrante no seu espaço doméstico.

E quando surgem dias a fio com chuva e vento, sabe o que é agradável? Passar umas horas na cozinha. Aproveite para experimentar receitas novas, abasteça o seu congelador com sopas e todo o tipo de comida de conforto, tente até, porque não, fazer pão de vários tipos – o cheirinho que deixa na casa é imbatível. Para além de ser uma atividade útil, o calor e os cheiros produzidos alimentar-lhe-ão a alma, fazendo-a esquecer o mau tempo.

E por falar em cheiros, todos temos alguns que nos trazem boas recordações e que nos enchem a alma de calor. Mas não use e abuse de ambientadores de compra, não são necessariamente bons para a saúde e é bastante fácil produzir os seus. Neste site encontra boas indicações sobre como fazer vários tipos deles mas, como primeira indicação, experimente varetas de incenso: há-as disponíveis para todos os gostos e feitios, como jasmim, alfazema e outros mais complexos, e são muito fáceis de usar.

Os óleos essenciais também são muito úteis para criar um ambiente caloroso e agradável, já lá vão os tempos em que eram difíceis de encontrar. Basta um pequeno “queimador”, também à venda em muitos sítios, e poderá rodear-se dos seus aromas preferidos.

Finalmente, a sua roupa e a da casa. Os dias mais sombrios são ideais para usar alguma cor, uma echarpe, por exemplo, ou uma blusa mais animada. Ou, se costuma cobrir as pernas com uma manta quando está sentada, escolha uma colorida, garrida, até. E, se puder, tenha mais do que uma para, mais uma vez, não entrar na monotonia de ver sempre o mesmo ambiente à sua volta. Faça o mesmo com a toalha de mesa ou panos de tabuleiro que usa para as suas refeições – já agora, tente incluir um elemento de cor no seu prato, nem que seja, simplesmente, um pouco de alface ou umas rodelas de tomate.

Resumindo, uma vez que o exterior é cinzento e lúgubre, tente tornar o interior colorido, animado e caloroso – pode parecer uma coisa de somenos, mas anima bastante o espírito.

Para a semana: Menopausa. Como já falei da próstata, é justo dedicar um post só às mulheres,